domingo, 29 de maio de 2011

'Gatas', por Mauro Salles


"Pêlo cinza, pêlo preto
pêlo seda, pêlo duro
pêlo longo, pêlo    curto
                            cortado
                            raspado
Peles e pêlos
na almofada, no tapete
no canto, na cama
                            ronronam
                            respiram
                            aspiram
                            suspiram
                                    e sobem
                                    e o monte
                                    penetram
                            felinos
                            felizes"

Mauro Salles, Gatas






sábado, 28 de maio de 2011

Em breve, Nabucco


Na abertura da temporada 2011 de ópera da Fundação Clóvis Salgado, tem-se a partir de 19 de junho próximo, no Grande Teatro do Palácio da Artes, em Belo Horizonte, a montagem de Nabucco, de Giuseppe Verdi, com libreto de Temistocle Solera.

A apresentação, ao que consta inédita em Minas Gerais, contará com diversos solistas convidados, além da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e do Coral Lírico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Mais uma montagem imperdível na cena operística local e nacional.


Maiores informações podem ser obtidas no sítio eletrônico da Fundação Clóvis Salgado.




quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sessão romanística na Faculdade de Direito da UFMG


Aos alunos da disciplina Direito Romano, do curso de graduação da Faculdade de Direito da UFMG — a quem falei na última quinta-feira, 19 de maio, a convite do Prof. Felipe Bambirra —, oferecerei neste espaço, ao longo dos próximos dias, o detalhamento de referências feitas ao longo da exposição.

Contactos podem ser estabelecidos comigo por meio da ferramenta de comentários a esta postagem.

Foi um prazer falar-lhes e debater um pouco do direito de Justiniano.

Saudações romanísticas!








quarta-feira, 25 de maio de 2011

No blog 'Magistério Jurídico', entrevista com João Baptista Villela


O Prof. Dr. João Baptista Villela concedeu, ano passado, entrevista ao blog 'Magistério Jurídico', também mantido pelo Prof. Dr. Giordano Bruno Soares Roberto. O tema central é ensino jurídico. Imperdível leitura!





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terça-feira, 24 de maio de 2011

Entrevista com Braga da Rocha no blog 'Direito Civil em Debate'


No blog 'Direito Civil em Debate', mantido pelo Prof. Dr. Giordano Bruno Soares Roberto, da Faculdade de Direito da UFMG, breve entrevista com Braga da Rocha sobre Teoria dos Contratos, conduzida há cerca de um ano pelo colaborador Levindo Ramos, stud. iur.





quarta-feira, 18 de maio de 2011

Digesto de Justiniano, Livro I: edição bilíngüe latim-português


A propósito de referência feita na postagem anterior, quero enfatizar também minha recomendação de leitura e uso didático da excelente publicação do Liber Primus do Digesto, em edição bilíngüe elaborada pelo Prof. Dr. Hélcio Madeira, da Universidade de São Paulo - USP, e publicada pela editora Revista dos Tribunais - RT, com prefácio do Prof. Dr. Pierangelo Catalano, da Università degli Studi di Roma 'La Sapienza' - UniRoma I.


Eis a apresentação da obra, conforme se contém no sítio Breviarium:

"Escrita no VI século d.C., é uma obra fundamental para quem deseja introduzir-se no Direito Romano. A tradução, com a apresentação do texto latino ao lado, facilita a introdução do estudante também no estudo do Latim e da terminologia jurídica. Encontra-se, entre outros assuntos tratados: os conceitos de justiça e de direito; a história da origem do direito e dos magistrados; a história dos juristas romanos; as leis, os costumes, os senatusconsultos e as constituições imperiais; os status dos homens; as adoções e emancipações; a divisão das coisas; os senadores; os principais magistrados romanos."


A publicação pode ser adquirida pela internet por meio do sítio da Livraria RT, entre outros.








terça-feira, 17 de maio de 2011

O grito!


Que melhor representação ou tradução poderia haver do horror existencial, da angústia e do desespero que resultam da consciência da miséria do viver?



O grito, de Edvard Munch



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sítio eletrônico e 'blog' do Bigus


Torno a recomendar aqui, como já fiz alhures, o sítio eletrônico e respectivo blog do colega Prof. M.Sc. Claudio Henrique Ribeiro da Silva, que me impressiona vivamente, seja pelos conteúdos de Direito Privado e Direito Romano propostos, seja pelo formato que lhe imprimiu com seu pessoal trabalho o autor, jurista-informata de quem tenho o prazer de privar da amizade de já longa data.

Recomendo a freqüência ao sítio, a começar pela leitura do excelente artigo O sentido da Parte Geral, que remete ao problema teórico de que resulta a divisão fundamental adotada pelo Código Civil brasileiro.




domingo, 15 de maio de 2011

Página eletrônica do Prof. Fridolin


Em seguimento das indicações que vez por outra faço, aqui e alhures, de bons repositórios de informação jurídica na 
internet, recomendo aos meus caros leitores consulta à pagina mantida pelo Prof. Dr. Marco Fridolin Sommer Santos no sítio eletrônico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, em que se contém material de grande utilidade e alta qualidade sobre Direito Civil, Direito Romano e Law & Economics - Direito e Economia.





sábado, 14 de maio de 2011

'Breviarium' - Sítio eletrônico do Prof. Hélcio Madeira



Aos prezados leitores, colegas e alunos interessados em temas relacionados a História do Direito, Direito Romano e sistema jurídico romano-germânico contemporâneo, indico o sítio eletrônico Breviarium, mantido pelo Prof. Dr. Hélcio Madeira, da Universidade de São Paulo - USP, e pela Profa. Dra. Eliane Agati Madeira, da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Naquele ambiente, além de farto material concernente às ditas matérias, encontram-se atalhos para importantes bases de pesquisa jurídica e histórica nacionais e estrangeiras.

Uma admirável contribuição dos Madeira aos estudiosos do Direito, para além da preciosa tradução, feita pelo Prof. Hélcio Madeira, Digesto de Justiniano - Liber Primus, disponível em publicação da editora Revista dos Tribunais - RT. 






sexta-feira, 13 de maio de 2011

Da morte como cura para o mal da vida


No canto a Ophelia, personagem do Hamlet de Shakespeare, que 
submerge em águas tranqüilas, a elegia do suave bafejo da morte como cura para o turbulento mal da vida:


There is a willow grows aslant a brook,
That shows his hoar leaves in the glassy stream;
There with fantastic garlands did she come,
Of crow-flowers, nettles, daisies, and long purples,
That liberal shepherds give a grosser name,
But our cold maids do dead men's fingers call them:
There, on the pendent boughs her coronet weeds
Clambering to hang, an envious sliver broke,
When down her weedy trophies and herself
Fell in the weeping brook. Her clothes spread wide,
And, mermaid-like, awhile they bore her up;
Which time she chanted snatches of old tunes,
As one incapable of her own distress,
Or like a creature native and indu'd
Unto that element; but long it could not be
Till that her garments, heavy with their drink,
Pull'd the poor wretch from her melodious lay
To muddy death.



Detalhe de Ophelia, de John Everett Millais



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quinta-feira, 12 de maio de 2011

De vaidade e estupidez


A vaidade humana não conhece limites. A estupidez também não. Conjugue-se uma com a outra e se tem isso aí.


Norte-americana admite fazer aplicações de Botox na filha de 8 anos 
Pode parecer loucura, mas a californiana Kerry Campbell admitiu ao site Daily Mil que faz aplicações de Botox na filha de apenas 8 anos de idade. Kerry, que é esteticista, confessou fazer as aplicações para corrigir as "rugas" que aparecem no rosto de Britney quando ela sorri. Além do tratamento facial, a menina passa por sessões de depilação com cera nas pernas.
A mãe tenta justificar e diz que recorre aos procedimentos em nome do sucesso da filha, que participa de concursos de beleza com frequência.
- O mundo dos concursos é muito difícil. Eles julgam tudo e as crianças são duras - argumenta.
Especialistas dizem que a criança corre sérios riscos, tantos físicos como psicológicos. O psiquiatra Dr. Charles Sophy disse não ter acreditado na história.
- Fiquei um pouco horrorizado - disse.
Apesar das críticas, Kerry garante ser uma boa mãe.
- Eu sou uma ótima mãe. Eu tenho cuidado dela a minha vida toda e ninguém pode me dizer o que estou fazendo é errado - enfatiza.

 Matéria publicada no jornal Extra On Line



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quarta-feira, 11 de maio de 2011

'Presidenta'?


A propósito da controvérsia instaurada pelo corrente uso do termo 'presidenta' pela presidente Dilma Roussef e sua equipe de governo, além de certos segmentos dos mass media, transcrevo o que tenho por irrespondível texto 
publicado no Portal Luiz Nassif e alhures — escrito esse atribuído, ao que parece indevidamente, a Miriam Rita Moro Mine, professora na Universidade Federal do Paraná:


Existe a palavra: PRESIDENTA? Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendigar é mendigante... Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionarem à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.  
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Diz-se: capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".  
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:  
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".


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domingo, 1 de maio de 2011

Por ocasião de um 'Labor Day' — uma breve e recorrente reflexão


No universo da cultura greco-romana, conforme dão conta os estudos históricos, filosóficos, sociológicos e etimológicos, a idéia de trabalho está quase que invariavelmente ligada à de sacrifício, de dor ou mesmo de sanção, de pena imposta a alguém.

Isso se reflete no pensamento religioso construído ao longo dos primeiros séculos do cristianismo, especialmente pela patrística, já então, porém, como corolário da condenação do prazer e do ócio, segundo o célebre adágio ad augusta per angusta.

Ao movimento da Reforma protestante parece caber a responsabilidade pela tendência de inversão desse sentido, de modo a conduzir ao abandono das conotações historicamente pejorativas ou dolorosas do trabalho, para atribuir a esse termo significação precipuamente associada a algo útil e de elevado valor moral (cf. FAVA, Rubens. De onde vem o trabalho?. Disp. em http://www.administradores.com.br, aos 30 abr. 2010), em conformidade, assim, com os novéis valores cristãos.

Essa atribuição de sentido positivo ao trabalho, ao tempo da Reforma, atende sob medida aos interesses do então nascente modo de produção capitalista, que, factualmente, e conforme viria a afirmar o materialismo histórico, surge, estabelece-se e sobrevive até os tempos hodiernos — quer se admita, quer não — baseado na exploração, freqüentemente cruel, por uns da força de trabalho de outros.

Assim, a se dar como correta a tese de que a Lutero e aos seus cabe esse importante papel na 'virada conceptual' da idéia de trabalho, confirma-se plenamente, também neste particular, a conhecida tese de Max Weber, lançada em seu Die protestantische Ethik und der 'Geist' des Kapitalismus, a respeito da influência exercida pelo protestantismo na construção das bases do capitalismo.

Mas, afinal, em que medida teria efetivamente o trabalho esse sentido nobre e elevado que se lhe procuram imputar?

Ora, só se pode conceber o trabalho como algo que 'enobrece o homem', segundo a velha máxima, quando o móvel precípuo e essencial da atividade consiste na própria realização existencial do indivíduo. 

Em outras palavras, isso significa que o labor por alguém exercido livremente, com a intenção precípua de dar sentido à própria existência, atender a uma vocação autonômica ou contribuir para o progresso da sociedade, esse, sim, constitui algo enobrecedor, que eleva o homem e o põe no caminho de sua mais elevada realização pessoal.

Que dizer, porém, do trabalho que se executa não mais que para, sob o cabresto da imperiosa necessidade, atender estritamente às demandas elementares da sobrevivência, não raro ao arrepio das vocações ou inclinações pessoais?

Esse trabalho — muito diverso, atente-se para isso, do tipo de atividade laboral de que logo antes se tratava —, inteiramente alheio à candidez dos códigos morais, é que se verifica na experiência concreta e ao qual se sujeita a quase totalidade dos seres humanos ao longo da maior parte de sua existência. 

Visto a partir dessa realista perspectiva, não há como deixar de reconhecer que o trabalho rebaixa, vilipendia e escraviza o homem, pois o submete a seus semelhantes e o condena a uma existência inteiramente estéril, seja no amealhar de qualquer riqueza material minimamente expressiva — coisa a que o trabalho, em si, seguramente não conduz —, seja na busca, sobretudo, de sua mais genuína e essencial realização.

"Vida bovina!", há tempos exclamava com desalento meu velho amigo Ricardo Carneiro, colega de bancos na Vetusta, referindo-se à prática, comum entre nós e os infelizes ruminantes, de resumir sua existência em exaurir diariamente suas forças à busca de não mais que garantir o próximo repasto.

Nada a comemorar no Primeiro de Maio, pois. Salvo, para os desditosos servos do trabalho, um episódico lazy day...




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