Espaço de diversificado conteúdo de natureza jurídica, política, acadêmica, filosófica, ética, literária e artística, entre outros assuntos tão variados como gastronomia, gestão pública e defesa do consumidor. Seguimento do congênere, ora inativo, publicado até 2010 no portal UOL.
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sábado, 15 de março de 2014
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
E o prefeito Márcio Lacerda fugiu do debate!
Ontem, como de costume, a direita retrógrada fugiu ao debate com os estudantes da UFMG. Não tem estofo para enfrentar público qualificado.
— Braga da Rocha (@bragadarocha) September 19, 2012
O Blog do Braga da Rocha apóia
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Tudo o que o representante do Ministério Público não deve fazer
Logorreico, pernóstico, enfadonho e impertinente o procurador-geral Roberto Gurgel, em sua interminável acusação no julgamento no STF.
— Braga da Rocha (@bragadarocha) August 3, 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Degustação com Braga da Rocha - edição de inverno, 2012
Realizou-se nesta terça-feira a edição do mês de julho de 2012 da informal degustação entre amigos que costumo promover no sempre recomendável Reduto da Cerveja.
Na pauta central, algumas pilsner da República Tcheca: Praga, Urquell e 1795, degustadas nesta ordem.
Demasiadamente leve e aromática, a Praga não correspondeu às expectativas que se costumam cultivar em relação às cervejas de sua procedência. A Urquell, por sua vez, padrão da estirpe, de que sempre tive a melhor das impressões, decepcionou em perspectiva comparativa direta com a 1795, que nessa degustação revelou mais personalidade, com presença de lúpulo muito mais marcante.
Para completar o percurso, duas ale da casa Fuller's, de Londres, nesta ordem: London Pride e Indian Pale Ale.
Premium ale clássica, a London Pride não deixa a desejar para quem procura uma boa cerveja inglesa. Tem textura e sabor suaves, ao caramelo, sem deixar de revelar agradáveis notas frutadas. Mas já me impressionou mais positivamente, noutras ocasiões. De sua aparentada IPA pode-se dizer tendente ao padrão das cervejas fortes e marcantes, que mais me agradam: embora tenha textura não muito densa, é aromática e apresenta um amargor que evoca tanino, acentuado porém equilibrado.
After hours, resolvi dar-me o derradeiro prazer de uma weizen alemã. Escolhi um espécime algo atípico: a Schneider Weisse Tap 5 - Meine Hopfenweisse, feita pela tradicional casa tedesca em parceria com a cervejaria norte-americana Brooklyn.
Trata-se de uma cerveja de trigo estupenda, mesmo para quem não é especialmente apreciador do gênero das weizenbier ou mesmo das weissbier. Com um corpo substancioso, revela alto teor de lúpulo e boa mescla de ingredientes aromáticos, além de notas de fruta que tendem ao cítrico. Apresenta aroma e sabor que lhe conferem personalidade única, em uma combinação intensa e singular de notas amargas e doces. Mais que simplesmente forte, a Schneider Tap 5 é, como dizem alguns, uma cerveja 'extrema'.
Eis o registro, amigos, ad perpetuam rei memoriam.
Até o próximo encontro!
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Direito e cidadania às avessas
Dia desses comentei em curtas linhas, via micro-blog Twitter, a notícia supra nos termos seguintes:
"Não tardou aparecer magistrado energúmeno a aplicar a Lei de Acesso à Informação contra o interesse dos cidadãos."
Um diletíssimo colega de ofícios jurídicos, que volta e meia me honra com a leitura desses escritos, em resposta ponderou, em linhas gerais, o seguinte:
Conquanto a Lei da Ação Popular assegure ao autor a faculdade de pedir ao juiz que requisite informações necessárias à instrução do feito, tem sido comum que os magistrados, em se tratando de dados que possam ser obtidos pela via extrajudicial, indefiram pedidos de requisição de informações a repartições públicas.
Não deixa de ser questionável, antes de tudo, a política de indeferir pedidos de requisição judicial de informações pelo simples fato de que, ao menos em tese, tais informações se encontrem disponíveis pela via administrativa — ainda que isso represente um calvário para o interessado. Até porque se, como parece, esse é um direito subjetivo de natureza processual que assiste ao titular da ação popular, não se afigura minimamente legítimo nem jurídico cerceá-lo, ou cassá-lo, por mera convicção de inércia ou mandriice funcional do magistrado.
Mas, conforme também escrevi alhures, meu ponto é menos técnico-jurídico ou administrativo e mais, digamos, político-filosófico.
Cuida-se de evidenciar que não poucos juízes há — desses que, por indolência ou estupidez, deveriam fazer corar de vergonha seus pares na magistratura — prontos a aplicar, incontinenti, a norma jurídica em sentido diametralmente oposto à mens legis e, pois, aos fins para os quais a lei foi criada.
E o fazem — como, no caso, o aparentemente obtuso magistrado gaúcho em relação à novel Lei de Acesso à Informação — sem o menor pejo disso, talvez porque jamais se tenham dado conta de que seu papel deveria ser precipuamente o de servir ao cidadão, como garantes do direito e da justiça, e não apenas a si mesmos e a tacanhas convicções e mesquinhos interesses que cultivam.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Impressões sobre o Citroën DS3, em 'première' na Grenoble
Compareci nesta noite, a convite da concessionária Grenoble, de Belo Horizonte, ao coquetel de apresentação local do Citroën DS3 Sport, veículo compacto super premium da marca francesa, recém-lançado no Brasil.
O carro, segundo as impressões que pude colher no show room da loja, corresponde plenamente ao que dele têm dito os mais abalizados e confiáveis representantes da imprensa especializada nacional, tais como M4R e Notícias Automotivas: trata-se de um produto que reúne esportividade, luxo e tecnologia em doses generosas, além de apresentar uma relação entre custo e benefício sensivelmente melhor que a de seus mais diretos concorrentes.
Concebido em intenso exercício de inventividade, com design de carroceria que traz prontamente à lembrança os carros-conceito que se vêem nos salões de automóvel mundo afora, o DS3 é um deleite para os olhos, desde o arrojado conjunto óptico na dianteira, passando pelas elegantes colunas laterais parcialmente ocultas pela ampla área envidraçada e chegando ao atraente painel de instrumentos com círculos em intersecção e luzes-espia no perímetro central. Agradam a vista e também ao tato, ainda, a alta qualidade da maior parte dos materais que revestem a cabine, com raro equilíbrio entre ousadia e bom gosto.
O propulsor — já conhecido no Brasil por equipar os Peugeot 3008, RCZ e, mais recentemente, 408 — é o eficiente e compacto quatro cilindros com 1,6 litros de capacidade cúbica, que gera consideráveis 165 cavalos de potência e, segundo testes publicados pela imprensa, leva o bólido da imobilidade aos 100 km/h em apenas 7,3 segundos, tal como fazem carros esportivos de categoria e preço muito superiores. O câmbio é de seis marchas, com acionamento manual, apenas.
As notas negativas ficam por conta da omissão no oferecimento, pela Citroën, de uma transmissão automática com trocas seqüenciais, o que se coadunaria perfeitamente com o espírito esportivo da máquina; do obsoleto eixo de torção traseiro, em lugar do sistema multi link, que se reputa obrigatório para um carro com pretensões esportivas nessa faixa de preço; e da imitação barata de fibra de carbono que exsurge em destom no deck do painel dianteiro, quando um revestimento outro qualquer — como, por exemplo, a textura emborrachada, o aço escovado ou mesmo o famigerado black piano — soaria muito mais elegante e honesto.
De qualquer modo, embora ao preço nada camarada de R$ 80 mil, em número redondos, parece assistir razão ao que escreve o editor do respeitado blog M4R, na comparação com alguns dos demais modelos do gênero oferecidos no mercado brasileiro:
"O DS3 é um tiro de doze na boca do Audi A1, do Mini [outrora Cooper] e do [Peugeot] RCZ. O Audi é menor, menos bonito e bem mais fraco, com 122 cv. O Mini é igualmente mais fraco, em versão Salt de 120 cv, e bem menos equipado. E o RCZ, que é mais bonito e tem o mesmo conjunto mecânico, é vendido pelo preço absolutamente lunático de R$ 130 mil, completamente fora de qualquer propósito."
Outro apontamento desfavorável, em relação à première do DS3 realizada pela Citroën Grenoble, diz respeito ao despreparo da concessionária e de seu staff para a realização do evento.
Diferentemente do que aconteceu há cerca de dois anos, quando da apresentação do SUV ou crossover compacto AirCross, desta feita os funcionários não se encontravam a postos para exibir o veículo, demonstrar suas funcionalidades e informar as respectivas condições de comercialização aos potenciais compradores; não havia catálogos do lançamento diponíveis para todos; e o serviço de petiscos e de vinho, um acanhadíssimo frizzante rio-grandense, em lugar do obrigatório espumante francês ou italiano, revelou-se um primor de desatenção, ineficiência e sovinaria.
Resultado: Para além do gratificante contacto imediato com o corpus do produto, deixei o evento com o mesmo acervo de informações sobre o Citroën DS3 de que já dispunha previamente. Mantive também minha impressão pouco favorável à rede de concessionárias Citroën. E à saída, antes de lançar-me à redação da presente crítica, tive ainda de deter-me para 'molhar a palavra' numa taberna lá pelas bandas da Pampulha.
domingo, 27 de maio de 2012
Renault Duster 'versus' Citroën AirCross
O leitor Lucas Machado me propôs, há alguns meses, comparação entre os veículos Renault Duster, sobre o que já comentei aqui anteriormente, e Citroën AirCross, ambos da categoria de SUV compactos que concorrem em semelhante faixa de preço, em torno de R$ 60 mil, no mercado brasileiro.
A pergunta do leitor versava, basicamente, sobre itens como motorização, tecnologia, acabamento, conforto e design, além de consumo de combustivel e desvalorização no mercado.
Respondi nos termos que adiante reproduzo, com ajustes, a fim de facilitar a pesquisa temática no Blog do Braga da Rocha:
Quanto ao Renault Duster, o conjunto motriz não decepciona, se se tem em consideração o modelo equipado com motor 2.0 litros, que rende 142 cv, acoplado seja ao câmbio manual de 6 marchas, seja ao automático de 4, com troca seqüencial.
O acabamento, porém, mesmo na mais cara versão Dynamique, é paupérrimo, com uma profusão de plásticos de duvidosa qualidade que não se vêem sequer em muitos dos carros ditos 'populares'.
Na comparação com o Citroën AirCross Exclusive, sobretudo, a diferença de qualidade do acabamento fica gritante. Agregue-se a isso o design com arroubos estilísticos e a tecnologia embarcada com generosidade, além dos variados requintes comumente oferecidos pela Citroën, para que o AirCross conquiste facilmente a simpatia do consumidor médio.
Todavia, o motor 1.6 litros da Citroën, com pouco mais de 100 cv, a meu juízo se revela muito débil para levar o veículo com agilidade, sobretudo em arrancadas e retomadas. Com câmbio automático, então, mesmo contando a opção de troca seqüencial, é de se prever que o desempenho fique sofrível, abaixo da crítica.
Além disso, o AirCross é um veículo predominantemente urbano, para uso em pisos asfaltados, de boa qualidade. Aliás, diz-se que ele nada mais é que um carrinho urbano travestido de aventureiro. Apenas a altura em relação ao solo, um pouco maior que a dos carros convencionais, como seus irmãos C3 e C3 Picasso, sugere tímidas incursões em pisos não pavimentados. Mas eu não apostaria na resistência do produto a esse tipo de utilização.
Já o Duster parece constituir um autêntico SUV, de uso misto em cidade e campo, cuja robustez sugere, mesmo sem a tração integral — recurso disponível, como já assinalei com pesar, apenas com câmbio manual —, aventuras por terrenos um pouco mais acidentados.
Em síntese, parece-me que a escolha entre Renault Duster e Citroën AirCross deve se orientar, antes que unicamente pelo simples gosto pessoal, pelo perfil de uso do comprador.
Se você valoriza apelo estético e itens de conforto e tecnologia, mas não faz questão de desempenho ágil, trafega quase todo o tempo na cidade, não necessita de maior espaço no porta-malas e não pretende encarar estradas ruins, o AirCross pode ser uma boa escolha.
Já se você aprecia respostas rápidas do motor, gosta ou precisa de um bom espaço na cabine e no porta-malas, sente sedução por trilhar caminhos pouco explorados e não se importa com um visual um tanto antiquado, embora bastante singular e possivelmente atraente, sua opção pode ser o Duster.
Em tempo: Procurando responder ainda a outros aspectos da questão apresentada pelo leitor, diria que o consumo de combustível do motor 1.6 da Citroën, embora eu não disponha de dados a respeito, não há de ser extraordinariamente alto. A desvalorização dos veículos da marca, todavia, costuma resultar, com efeito, um pouco acima de média do mercado. Mas nada que inviabilize financeiramente a opção pelo veículo, segundo penso.
Renault Duster e Citroën AirCross, fotografados em
comparativo no sítio eletrônico da revista AutoEsporte
comparativo no sítio eletrônico da revista AutoEsporte
domingo, 1 de abril de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
"O que é isto, Senhores das Armas?"
A propósito da 'questão militar' ora posta ao País por um punhado de oficiais inativos que insistem em desafiar a sociedade, a história e a razão, transcrevo a seguir excelente artigo de João Vicente Goulart, com atalho para a publicação original.
Os Senhores das Armas:
… ’Que venham, por aqui não passarão’
O que é isto, Senhores das armas?
Uma ameaça velada de intimidação ao povo brasileiro sobre a sua liberdade? Ou talvez um velho cacoete sustentado pelos fantasmas da Constituição que vossas autoridades das armas romperam em 1964, derrubando Jango, um presidente constitucional, fechando o Congresso, prendendo, torturando, desaparecendo, sequestrando e arrasando famílias em nome do Estado brasileiro, surrupiado pela prepotência dos fuzis e dos atos inconstitucionais e ilegais que foram praticados em nome da intolerância e da censura?
Não passarão aonde, Srs. militares? Quem, o nosso povo? A nossa Constituição promulgada democraticamente? Um governo legitimado como o da presidenta Dilma com mais de 52 milhões de votos? Quem não passará?
Quem são esses fantasmas “subversivos” que não aparecem, pois seus corpos são reivindicados pelos seus entes? Desaparecidos sob a tutela do Estado, e por certo não em um Estado de Direito e sim em Estado de exceção, imposto pelas armas.
Quem são os subversivos? Aqueles que se rebelaram contra a supressão e quebra da constituição em vigor, ou aqueles que a subverteram?
Passarão sim senhores saudosistas da prepotência!
O nosso povo depois de 21 anos de opressão conquistou esse direito que as armas de nossas instituições lhe haviam suprimido.
Ele passará onde seja, dentro da legalidade e dentro da democracia conquistada com muito sangue, sacrifício e lutas contra a tirania.
Nossas Forças Armadas não deveriam temer a Comissão da Verdade, que nada mais é do que uma auditoria interna no coração de nossa Pátria para fazê-lo mais transparente e forte cicatrizando as feridas do passado, para que as novas gerações possam não cometer os erros que cometemos, de ambas as partes e poder assim caminhar com altivez rumo ao futuro que une todos os irmãos brasileiros.
Agora; “por aqui não passarão” é uma provocação à Liberdade e à Democracia.
A História de uma Nação pertence ao seu povo e o seu conhecimento é a sustentação de sua redenção.
Diz a música de Chico: “Vai passar nesta avenida um samba popular…”
“num tempo…, página infeliz de nossa história….
Passagem desbotada na memória…
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa Pátria mãe tão distraída… sem perceber que era subtraída…, em tenebrosas transações…”
Nós brasileiros, sabemos cantar. Nós brasileiros sabemos lutar. Nós brasileiros não perdemos as nossas referências.
Nós brasileiros nascemos neste solo e dele seremos adubo para as flores das novas gerações.
João Vicente Goulart é filósofo, presidente do Instituto Presidente João Goulart
domingo, 4 de março de 2012
Um alerta: Por que não se calam?!
Segundo notícias que circulam, há dias um grupo de oficiais da reserva deliberou publicar manifesto intitulado Alerta à Nação - eles que venham, aqui não passarão, no sítio eletrônico do Clube Militar, com críticas ao governo e à criação da chamada 'Comissão da Verdade'.
Ainda segundo esse mesmo noticiário, o comportamento dos militares teria provocado a irritação da presidente Dilma Rousseff, chefe máxima das Forças Armadas, e a determinação do ministro da Defesa, Celso Amorim, de suspender a publicação do manifesto e de aplicar punições aos signatários.
É certo que a vida militar se baseia na absoluta reverência às instituições e no estrito respeito à hierarquia, de modo que aqueles que se fazem imiscuir em assuntos políticos e questionam a autoridade civil legitimamente constituída, tal como fizeram os autores do manifesto, devem responder por isso na forma da lei.
É bem verdade, porém, que legislação específica em vigor — nomeadamente a Lei n. 7.524, de 17 de julho de 1986 — assegura aos militares inativos o direito de manifestação sobre temas políticos, respeitados os limites da lei civil.
Sem embargo, se parece, efetivamente, que o manifesto dos oficiais não comporta punição na órbita disciplinar, isso não salva da impropriedade ética e do descabimento político o episódio.
A propósito do imbróglio, recebi do amigo Roberto Auad, eminente advogado e homo politicus em essência, o seguinte comentário, percuciente e lapidar, que me permito aqui transcrever:
“Em qualquer pais civilizado do mundo [...] o lugar do militar é na caserna. Aposentando-se, querendo fazer política, que a faça, sem usar o posto que não mais existe.”
Em assuntos políticos, convém que se diga, militar bom, de farda ou de pijamas, é militar calado.
Com efeito, não se pode admitir que pretendam os militares exorbitar seu campo de atuação institucional — como volta e meia ocorre ao longo da história, inclusive a brasileira, com invariavelmente trágicos resultados — para imiscuir-se na vida política, ambiente essencialmente civil.
Se é bem verdade que todo cidadão tem o direito de opinar sobre política e demais temas de interesse comum da sociedade, é igualmente assente, em qualquer democracia, que aqueles que detêm as armas com que se exerce o monopólio estatal da força não podem, em situação alguma, questionar os poderes constituídos. Se o fazem, está-se no campo da insubordinação, que se avizinha da insurreição e caminha, não raro, para o golpismo.
Tratando-se de militares já fora da vida castrense, que atuem politicamente como quiserem, pois isso lhes é facultado pela lei — conquanto a solução legislativa, tal como posta, seja de duvidoso acerto. Mas que exerçam seus direitos políticos, inerentes à cidadania, de modo inteiramente dissociado de sua condição de militar.
Em outras palavras: Se querem os militares inativos intervir na vida política nacional, que o façam como qualquer cidadão, deixando suas honrosas patentes na caserna.
Caso não — fica o alerta, tal como dado certa feita por um eminente soberano a um típico militar golpista latino-americano —, que se calem.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
O IDEC e a 'Lei Geral da Copa'
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC está a promover campanha intitulada Fifa Abaixa a Bola!, por meio da qual se busca mobilizar a sociedade para reclamar aos membros do Congresso Nacional "apoio a todos os torcedores brasileiros que querem desfrutar de uma Copa do Mundo memorável no Brasil, mas não sob a condição de que as nossas leis sejam sumariamente desrespeitadas em benefício da Fifa."
Considerando que, segundo o IDEC, a votação do projeto da dita 'Lei Geral da Copa' pela comissão especial respectiva encontra-se marcada para o início desta semana, creio que se deva, prontamente, intensificar a mobilização.
Atalho infra.
Adendo:
Tenho a realização da Copa do Mundo de futebol por uma temeridade administrativa e uma irresponsabilidade política, num país, como o Brasil, em que faltam da cultura à infra-estrutura necessárias a um projeto de tal magnitude. Mas, se a esta altura inevitável o evento, que não se subverta, para isso, o ordenamento jurídico nacional.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Carta aberta ao Sr. Antonio Roberto Vigne, suserano do feudo 'Campanha Anti-Corrupção Nacional'
No ambiente da rede social Facebook têm proliferado, nos últimos tempos, comunidades supostamente engajadas na causa contra a corrupção — mas que, em verdade, funcionam não mais que como veículo de extravasamento de ingênua e inócua indignação coletiva, quando não como instrumento de grosseira manipulação de massas por parte de opositores a governos ou de prosélitos de determinados partidos políticos.
Apesar disso, tenho procurado participar ativamente de algumas dessas comunidades. Busco, sempre que possível, afirmar a necessidade de que — para além de promover gritaria histérica e casuística contra os escândalos e os corruptos da ocasião — se discuta e se atue efetivamente em prol do estabelecimento de mecanismos de prevenção da corrupção no ordenamento jurídico e na arquitetura institucional do Estado, bem ainda a modificação das condições estruturais que ensejam a permanência desse mal na Administração Pública brasileira.
Sem qualquer surpresa, porém, soube hoje que fui sumariamente excluído de mais um desses grupos, desta feita em razão comentário que publiquei ontem aqui no Blog do Braga da Rocha, sob o título 'Mais um reforço para a quadrilha do PMDB no Senado Federal'.
O Sr. Antonio Roberto Vigne, que se diz cientista político e faz as vezes de 'dono' e administrador plenipotenciário do grupo Campanha Anti-Corrupção Nacional — além de editor de um blog de sofrível qualidade —, afirma reiterada e peremptoriamente sua crença nos partidos políticos brasileiros e, em nome dessa profissão de fé, censura e cala aqueles que, como eu, se põem em desacordo com suas idéias simplórias e falazes.
Na falta de oportunidade para me manifestar na comunidade, da qual fui sumariamente excluído sem direito a qualquer manifestação, publico neste espaço — de resto freqüentado por um contingente exponencialmente maior e mais bem qualificado de leitores que o grupo do Sr. Vigne — a seguinte carta aberta àquele despótico suserano de mais um micro-feudo do mundo virtual:
Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2011
Sr. Antonio Roberto Vigne:
Se ocorresse a Vossa Senhoria a curiosidade de consultar minhas credenciais acadêmicas e profissionais — aliás, à toda evidência infinitamente mais robustas que as suas —, talvez tivesse algum pejo de tentar, de modo presunçoso e arrogante, dar-me lições de Direito ou apontar-me a necessidade de conferir caráter 'técnico' às minhas manifestações.
Não advogo causa partidária nem ideológica alguma, propriamente dita. Mas digo e reafirmo que os partidos políticos nacionais são siglas sem qualquer representatividade, que se limitam a reunir, no mais das vezes, grupos interessados no exercício do poder para tão-somente locupletar-se com a malversação dos dinheiros públicos; em outras palavras, constituem pouco mais que quadrilhas organizadas na forma da lei para saquear o Estado das mais diversas formas.
Como Vossa Senhoria parece padecer de incorrigível embotamento intelectual, por força de crenças dogmáticas, reagiu de forma despropositada às minhas manifestações e, enfim — por discordar do que afirmo —, em vez de limitar-se a apresentar argumentos consistentes em contrário, acabou por excluir-me sumariamente do grupo Campanha Anti-Corrupção Nacional, sob sua autocrática administração na rede social Facebook.
Vossa Senhoria, como se percebe claramente, não admite a livre manifestação do pensamento, a pluralidade de idéias nem o contraponto de opiniões naquilo que considera o seu 'feudo'. Quer uma comunidade monolítica, repleta de publicações que lhe agradem e correspondam a seus apriorismos e pressupostos dogmáticos. Deseja possivelmente apenas uma claque para si, composta de uma massa amorfa e acrítica de áulicos medíocres.
Naturalmente, eu já esperava por isso. Percebo claramente quando estou a lidar com gente intelectualmente limitada e politicamente autoritária.
Por óbvio, não me interessaria seguir a participar de uma comunidade como essa, orientada por vieses arbitrários e personalistas. Trata-se, afinal, de coisa de calhordas seguidos por néscios.
Fique com seu grupo e com os estúpidos cordeiros que desejem acompanhá-lo.
Atenciosamente,
Braga da Rocha, Prof. M.Sc.
Post scripta:
Resposta do Sr. Vigne, via sistema de mensageria da rede social Facebook, aos 17 dez. 2011:
Este blogger está 'morrendo de medo'!!!
sábado, 3 de dezembro de 2011
Em Minas Gerais, combate à sonegacão fiscal virou loteria
O governo do Estado de Minas Gerais acaba de anunciar um sistema em que o contribuinte, após realizar uma compra, é convidado a enviar mensagem de texto via telefone celular, por meio da qual informa à Fazenda o valor da transação, o número da nota fiscal respectiva e o CNPJ do vendedor. Assim, habilita-se a concorrer a certo prêmio em dinheiro.
Tudo indica que a iluminada cabeça da qual saiu a teratológica criação há de tê-la concebido como um pretenso estímulo a que o comprador passe a sempre exigir do vendedor a emissão da nota fiscal, com o que se terá, por conseqüência, aumento de arrecadação dos impostos incidentes sobre as operações do comércio em geral.
Mas o que se criou, em rigor, foi mais uma esdrúxula loteria — não por acaso administrada pela entidade responsável pela frenética atividade lotérica do Estado —, a que ao certo aderirão apenas, quando muito, os interessados no universo da jogatina.
A maioria dos cidadãos honestos e ocupados, como este Blogger, que já trabalha meses e meses por ano unicamente para corresponder à voracidade do fisco, não se disporá a perder preciosos minutos de seu tempo digitando incontáveis números ao celular, e ainda pagar as tarifas de mensageria dos telefones móveis, para apostar na sorte e, assim, por vias transversas, atender aos interesses arrecadatórios da Fazenda pública.
O bem sucedido modelo adotado no Estado de São Paulo, com a chamada 'Nota Fiscal Paulista' — em que o contribuinte simplesmente informa o número de seu CPF no momento da compra para, ao fim do exercício fiscal, receber automaticamente o crédito pecuniário correspondente a uma parcela do incremento da receita tributária —, está aí para mostrar como se desenha e se executa um eficiente modelo de estímulo à adesão do contribuinte a um verdadeiro programa de redução da sonegação fiscal.
O mais parece situar-se entre, de um lado, a aberrante e inútil tentativa de 'reinventar a roda' e, pior, de outro, o maroto e ardiloso expediente de procurar dar a impressão de estar o governo a agir contra a sonegação quando não está a fazer, em verdade e com seriedade, coisa alguma.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Renault Duster riscado do caderno de compras
Há dias, conquanto tenha feito incontáveis ressalvas ao carro, resolvi dar andamento a tratativas que me poderiam levar a adquirir um Renault Duster, recente lançamento da marca francesa no Brasil.
Meu propósito era o de estimar o custo de aquisição do veículo com os descontos resultantes de benefícios fiscais e políticas de comercialização voltados a produtores rurais, categoria em que legalmente me insiro, conforme cadastro respectivo junto aos órgãos públicos competentes.
Tentei estabelecer contacto por telefone e por e-mail com as duas concessionárias Renault situadas em Belo Horizonte, Valence e Minas France, a fim de obter cotação para uma unidade do Duster na versão Dynamique, com motor 2.0 litros e câmbio automático.
A atendente da Valence, concessionária em que eu já havia sido extremamente mal atendido noutra oportunidade, disse-me ao telefone que repassaria minha demanda ao único vendedor responsável pelas ditas 'vendas especiais', categoria em que se inserem aquelas a produtores rurais. Supreendentemente, soube então que um único vendedor cuida do atendimento a segmentos de clientes tais como pessoas jurídicas, taxistas, portadores de necessidades especiais e ruralistas. Como se tratava do mesmo vendedor que me atendera de forma desatenciosa e desinteressada noutra ocasião, quando meu irmão estava por adquirir um utilitário Kangoo, desisti de dar seguimento a qualquer negociação.
À Minas France me dirigi via correio eletrônico. Recebi de pronto uma resposta curta e burocrática, por meio da qual o vendedor, sem atender ao meu pedido de cotação de preço e condições de pagamento, prometia uma resposta para breve. Essa resposta jamais sobreveio. Passados uns tantos dias, resolvi fazer novo contacto. Ao telefone, a atendente da Minas France disse que aquele vendedor — ali também! — era o único competente para tratar das tais vendas especiais. Em outras palavras, se eu quisesse a cotação do veículo, teria de esperar sua boa vontade. Uma vez mais, perdi o interesse por entabular a negociação.
Obstinado no intento de haver uma proposta de venda, liguei para o serviço central de atendimento ao consumidor da Renault, no Paraná. Após percorrer um autêntico calvário no confuso e precário sistema de direcionamento por números a um atendente, consegui enfim ouvir voz humana. Expliquei o problema ao atendente e ele, sem se preocupar em registrar para ulterior correção o absurdo desinteresse das concessionárias locais, prometeu-me que a loja mais próxima da Capital mineira haveria de me telefonar nas próximas horas.
Com efeito, recebi em poucos minutos telefonema de um vendedor da concessionária Carmo, situada na vizinha cidade de Sete Lagoas. Dali, enfim, consegui obter uma cotação de preço para o Renault Duster, não sem ver incluso, naturalmente, o inaceitável ágio sobre o preço anunciado pela fábrica, que eu já denunciara no Blog do Braga da Rocha em anterior post sobre o assunto.
Naturalmente, desisti de qualquer expectativa de compra do Duster e, provavelmente, de veículo algum da Renault.
A mim parece inacreditável e inadmissível que um cliente interessado em um bem de consumo algo restrito, como são os automóveis na faixa de US$ 40 mil no Brasil, tenha de perseguir vendedores e implorar-lhes atenção.
Também não me parece coerente que a uma ampla e agressiva campanha publicitária como aquela feita pela Renault a respeito de seu mais recente lançamento, o sport utility Duster, corresponda o descaso e a negligência de concessionárias e funcionários responsáveis pela efetiva comercialização do produto.
Seja como for, se é assim que os clientes da Renault são recebidos ao manifestar seu interesse por um produto em plena fase de lançamento, imagine-se como serão atendidos no chamado 'pós-venda', isto é, após a compra.
Não por acaso o resultado desse desapreço ao consumidor é empiricamente percebido, sem maior dificuldade, pelos mais atentos ao mercado automobilístico: dois meses depois do lançamento, não se vê presença ostensiva ou marcante do Renault Duster nas ruas.
Com seu líder de vendas no segmento dos SUV compactos — o obsoleto porém inabalável EcoSport —, a Ford agradece.
Leia mais neste Blog:

domingo, 13 de novembro de 2011
Programa 'Km de Vantagens', da Ipiranga: um aparente engodo
Eis reclamação que recentemente consignei no elogiável sítio eletrônico Reclame Aqui em relação ao programa de fidelidade 'Km de Vantagens', da bandeira de postos de combustíveis Ipiranga.
Oportunamente darei seguimento a minhas observações sobre esse programa, que considero um engodo, senão mesmo, em rigor, um instrumento de marketing verdadeiramente fraudulento.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Renault Duster: um SUV que quase convence, mas que não impressiona
Interessado em trocar meu pequeno sport utility, dirigi-me dia desses a uma concessionária a fim de conhecer o novo Renault Duster, recente lançamento da marca francesa destinado a concorrer no segmento do mercado brasileiro hoje sob o domínio absoluto do Ford EcoSport.
Segundo as impressões que pude colher no show room da loja, o carro, se não decepciona inteiramente, está longe de causar empolgação.
Com um design que apresenta ares de um legítimo sport utility vehicle - SUV e transmite a idéia de força e robustez típica dos produtos oriundos do Leste Europeu — trata-se, afinal, de projeto originalmente desenvolvido pela fabricante romena Dacia, que integra o grupo Renault —, o carro tem porte imponente e conta com razoável espaço interno para até 5 pessoas, além de generoso porta-malas com capacidade superior a 400 litros. Entre as opções de motorização, a Renault oferece seu eficiente propulsor de 2.0 litros de capacidade cúbica e 142 cavalos de potência máxima, já testado e aprovado no mercado brasileiro.
Se as virtudes gerais são evidentes e inequívocas, não menos expressivos são os graves defeitos pontuais que apresenta o Duster, todos eles perfeitamente evitáveis, assim quisesse a Renault.
No exterior sobressaem os apliques cromados, usados de forma abusiva e destoante da proposta do veículo, um modesto e austero utilitário.
O acabamento do interior, por outro lado, é pobre para um carro que chega a custar em torno de R$ 70 mil. A forração é de extrema simplicidade e se misturam nos painéis frontal e das portas, bem como no console central, variados tipos e texturas de plásticos rígidos que, além de produzir certa confusão e poluição visual, são pouco agradáveis ao tato e comunicam a impressão de demasiadas singeleza e fragilidade.
O aceitável câmbio automático de 4 marchas com troca seqüencial só é oferecido, incompreensivelmente, na versão de tração simples — repetindo, nesse particular, a estúpida configuração também presente na linha EcoSport. Quem quiser tração integral que se vire com a trabalhosa transmissão de acionamento manual e o torturante pedal de embreagem. Quem não abre mão do conforto da transmissão automática que se contente com a convencional tração somente nas rodas dianteiras.
Por falar na versão equipada com tração integral — recurso acionado por um conveniente seletor rotativo no painel —, essa é, de forma igualmente incompreensível, a única que conta com suspensão traseira independente do tipo Mac-Pherson, com multi-link. Nas demais, inclusive a versão de topo Dynamique, o consumidor deve se resignar com o obsoleto e precário eixo de torção, atentado à estabilidade que de resto constitui deplorável regra no mercado brasileiro.
Para coroar as impressões negativas, as condições de comercialização se apresentam bastante hostis ao consumidor. Repetindo o que se deu quando do lançamento do sedan Fluence, ao procurar uma concessionária o cliente encontra estoque limitado para pronta-entrega, encargos de financiamento acima da média do mercado e — pasmem! — a inaceitável prática de ágio em relação ao preço divulgado pela fábrica. Com efeito, a concessionária Valence de Belo Horizonte pedia pelo Duster, na versão Dynamique equipada com motor de 2.0 litros e câmbio automático, nada menos que R$ 69,9 mil iniciais, contra os R$ 64,6 mil constantes na tabela oficial da Renault. Um sobrepreço, pois, da ordem de R$ 5 mil. Paga esse montante o tolo que assim quiser.
Entre virtudes consideráveis e vícios vários, pois, o Renault Duster é um veículo que causa favorável impressão inicial e quase chega a convencer a quem procura um SUV compacto e valente para uso misto sobre asfalto e terra, na dita 'faixa de entrada' do mercado, onde também se situam, além do Ford EcoSport, o Hyundai Tucson e o Mitsubishi Pajero TR4, todos em avançado estado de obsolescência.
Mas, examinado em detalhes o carro e vistas detidamente as condições de comercialização nesta fase de lançamento, o produto franco-romeno está longe de despertar mínima empolgação a um consumidor dos mais exigentes.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Xapuri: De ponto alto da cozinha mineira a reles 'fast food' domingueiro
Outrora um legítmo representante da alta cozinha mineira, o Xapuri, nos últimos anos, expandiu-se de tal forma que pôs a perder toda a aura de encanto e sofisticação que no passado costumava oferecer aos clientes.
Hoje não passa de um estabelecimento cujo atendimento é do tipo padronizado, em massa, contando talvez com algumas centenas de lugares, e cozinha que mais lembra a de um fast food que a de um bistrot.
Isso se reflete, naturalmente, na qualidade dos pratos e da experiência, de modo geral, que se tem ao freqüentar a casa, convertida em não mais que um restaurante vulgar, a que casais não muito exigentes comparecem para almoçar aos domingos, arrastando consigo seus ruidosos rebentos.
E os preços? Ah, os preços - consideravelmente mais elevados que os de estabelecimentos congêneres - não mudaram nadinha!
[texto revisto]
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