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terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Arnaldo




"Não é só pela dor que a morte nos desconcerta.
Na sua carga de enigma e mistério, espelha-se muito,
ou mesmo o mais, de nossa impotência diante do destino,
de nossa insegurança quanto ao futuro e de
nossa angústia frente ao desconhecido."
João Baptista Villela


Há exatamente um ano eu me via a contragosto despertado, logo cedo, para o que parecia tratar-se de um genuíno pesadelo: a notícia do inesperado e abrupto passamento do professor, advogado e editor Arnaldo Oliveira Jr., meu querido amigo ao longo de décadas. 

O estado de perplexidade e dor em que me pus imediata e duradouramente imerso frustraram o propósito de escrever-lhe, então, uma substancial e merecida nota obituária – que agora, talvez, já não faça maior sentido.

Restam, entrementes, as vivas saudades do fraterno amigo que conquistara já nos derradeiros anos de adolescência e que viria a se tornar, com o passar dos tempos, notável colega de ofícios jurídicos e acadêmicos, habitual companheiro de hobbies variados e dileto 'afilhado' de casamento.

Com ele costumava compartilhar desde periódicos encontros em tardes de sábado para a indefectível feijoada no Minas Tênis Clube, com animadas prosas sobre direito, política e costumes, a longas noites e madrugadas adentro de intensa reflexão sobre a existência, entremeadas de libações etílicas e tabagísticas, no recesso de casa, em que se delineavam ambiciosos projetos pessoais e profissionais para o porvir.

Não quis o destino que déssemos andamento àquela projetada publicação de uma coletânea de trabalhos de Villela, ou que concretizássemos uma acalentada viagem em recíproca companhia a Napa Valley, ou ainda que continuássemos nossas prazerosas incursões gastronômicas a bordo de Jeep & Harley Davidson pelo interior de Minas.

Mas, para algum consolo meu, esse mesmo destino, tão pungente quanto equívoco e incompreensível, foi o que me proporcionou o privilégio de ter convivido fraternal e intensamente com uma das figuras humanas mais singulares e admiráveis, por seus múltiplos talentos e incontáveis virtudes, que nossa geração conheceu. 

Salve, Arnaldo!



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

10 anos





O Blog do Braga da Rocha completa, neste início de 2021, seus 10 anos de atividade na plataforma 
Blogspot, da rede Google, com mais de 152 mil acessos ao longo do tempo. 

A todos os que, das mais diversas formas, contribuíram e vêm contribuindo para esta realização, o agradecimento do editor.

Leia-se, por meio do atalho contido na imagem infra, a íntegra da mensagem de sua 'reinaguração' neste sítio.  













segunda-feira, 22 de junho de 2020

Dois anos sem Waldir Pires



Contam-se hoje dois anos de saudades de
Waldir Pires, eminente mestre e incontestável líder,
além de
genuíno estadista e extraordinária figura humana,
a quem tive a suma honra de coadjuvar ao longo do tempo
em que servi à Controladoria-Geral da União, em Brasília,
como consultor jurí1dico do então ministro de Estado.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

15 de Outubro: Mais um dia como outro qualquer


Quando, há décadas, tive despertado o interesse pela vida acadêmica, sob a inspiração de meu querido mestre João Baptista Villela, acreditava poder chegar a ver, no horizonte de tempo de minha vida profissional, uma substancial alteração do desolador estado de coisas que já então se configurava na universidade brasileira.

Desde então, entrementes — embora se deva reconhecer a existência de avanços pontuais, sobretudo ao longo da primeira década do séc. XXI —, pouca coisa mudou. A atenção à educação em geral, e à universidade em particular, continua viva na retórica, mas ausente das ações prioritárias de governo, seja qual for o governo, nas diferentes esferas da Federação, até porque jamais representou um efetivo reclamo da sociedade.

As condições de trabalho e a remuneração dos professores seguem precárias e mesmo vexatórias, sobretudo se comparadas às de inúmeras carreiras públicas que requerem, consideravelmente, menor qualificação e menos acentuada dedicação.

A posição e o papel institucional da universidade resultam cada vez mais aviltados, por todos os meios, nomeadamente os seguidos e fatais atentados cometidos contra a autonomia constitucionalmente prevista.

O País
leia-se: a sociedade brasileira parece, decididamente, não se importar com a educação, de modo geral, muito menos com uma educação superior de excelência, nem se dar conta dos inequívocos benefícios sociais dela decorrentes.

Depois de ter lecionado em algumas das mais prestigiadas universidades públicas brasileiras — e de ter também experimentado, pari passu, as agruras de funcionar como agente de produção no vergonhoso sistema privado de ensino superior que erigimos —, sem embargo de ter ainda atuado em instâncias superiores do Ministério da Educação, curvei-me à triste limitação de perspectivas profissionais do trabalho acadêmico e venho, a pouco e pouco, renunciando à atividade docente.

Em mais este Dia dos Professores, pois, ocorre-me nada a comemorar ou pôr em relevo, salvo, talvez, a singular conjugação de fé e realismo que se pode extrair de uma tão candente quanto contundente manifestação como a que transcrevo a seguir, feita há certo tempo por um dileto colega que acabara de assumir o cargo de professor na universidade pública:

 

"Ontem fui tomar posse como Professor Adjunto da UFMG. Após uma hora de espera em uma sala escaldante (a sensação térmica era certamente de 40 graus ou mais), assinei dois papeis e, assim, quase sem me dar conta (provavelmente por causa do calor), tinha sido investido em um dos cargos mais importantes da nação. Meus amigos juízes, promotores e procuradores teriam ficado decepcionadíssimos com a simplicidade do ato, com a ausência de discursos de exortação à carreira e congratulações pelo esforço memorável que os conduzira até ali. De minha parte, nenhum espanto. Esse é um país que menospreza os seus educadores e eu já o sabia. E não estou aqui a lamentar. O caminho que me trouxe até aqui é um caminho de reflexões e convicções muito bem sedimentadas, bem como de uma profunda consciência do meu papel e de toda a adversidade em que terei que desempenhá-lo. Desde ontem, eu sou servidor público e servirei minha nação com orgulho e empenho, mesmo que ela não se orgulhe e não se empenhe por mim." 
[o autor da manifestação é doutor em Direito, com larga produção acadêmica e experiência internacional; aqui omito sua identificação apenas por não lhe ter solicitado expressa permissão para transcrição do texto, divulgado que foi em limitado círculo de rede social]

[publicado originalmente aos 15 de outubro de 2013]










segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Mensagem de Natal


Despojado da fé cristã, ou de qualquer outra, permito-me experimentar as festas natalinas apenas na dimensão cultural e social comum a tantos povos do mundo ocidental. 


Sequer o espírito de renascimento — aliás contido em meu nome de batismo  posso extrair da ocasião, pois isso pressuporia cultivar uma esperança que há muito abandonei.

Em especial aos que crêem e conservam a esperança, entrementes, o Blog do Braga da Rocha deseja um bom Natal.



Michelangelo Merisi da Caravaggio, Adoração dos Pastores (1609)



[originalmente publicado aos 25 dez. 2012]


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Ad perpetuam memoriam


Neste 5 de outubro, como de costume, 
lembro o marco das quatro décadas transcorridas desde que meu saudoso pai deixou-nos precocemente, antes de completar seu trigésimo-sexto ano de vida.

Por imutáveis o sentimento e o estado de coisas, reproduzo aqui, em linhas gerais, manifestação que consignei por ocasião desta data, noutro ano, no velho Blog do Braga da Rocha. 

Nascido no berço do entrelaçamento de tradicionais famílias mineiras, radicadas na cidade de Peçanha e região, no Vale do Rio Doce, Walter Viriato da Rocha começou ainda bastante jovem a trabalhar no então Banco da Lavoura de Minas Gerais, que tempos depois viria a se transformar no Banco Real S.A., onde empreendeu bem sucedida carreira.

Passados os anos, já casado, com dois filhos ainda em primeira e segunda infância, e graduado em Direito, recebeu da instituição financeira a que servia a incumbência de assumir o posto de gerente-geral de agência situada na cidade de São João Evangelista, MG  localidade já então tristemente conhecida por longo histórico de violência e banditismo, patrocinados nomeadamente por uma família de criminosos que detém o poder político e econômico local.

Investido no cargo, não tardou, porém, para que o recém-chegado gerente, cioso de cumprir fielmente suas atribuições funcionais, deixasse de atender aos desmandos habituais da súcia que se fazia hegemônica naquelas plagas. E não tardou perecer, por conseguinte, cruelmente executado a tiros por seus clientes na varanda de casa, de surpresa e diante dos olhos estarrecidos de sua família.

Padeceu, assim, como mártir da própria boa-fé, do inflexível rigor ético de suas ações, do profundo sentimento de dever e de responsabilidade que norteava sua vida pessoal e profissional.

Colheram-no e a sua família a incivilidade, a ignorância, a covardia, a truculência, a vilania e a barbárie de uns facínoras cujo poder se exerce, há décadas, sob o signo da intimidação, da violência e do terror —, seguidas da insensibilidade, da indiferença, da desonestidade, da mesquinhez, do oportunismo e da cupidez de outros, cujo métier consiste basicamente em locupletar-se à custa da desgraça e da miséria alheias, senão, até mesmo literalmente, do sangue de seus semelhantes.

Os facínoras e sua amaldiçoada estirpe hoje se encontram confortavelmente assentados em cômodos homesteads, prodigiosos fundos de comércio e valiosas estâncias rurais, depois de experimentar não mais que ligeiramente o sofrimento do cárcere, que por merecimento não haveria de ser menos duradouro que o restante de sua abjeta existência.


É o que resultou da combinação de considerável poderio político e econômico, capaz de em seu favor pôr a soldo advogados de grande renome e escasso senso ético, aliado à inépcia do sistema judiciário em cumprir seu elementar mister de realizar a justiça.

Entre os demais atores envolvidos na trágica história, é não muito diversa a ventura de que todos compartilham.

Há os agora ex-banqueiros, argentários e sanguessugas, a desfrutar da fortuna multibilionária acumulada por todos os meios imagináveis, o que permite a descendentes seus, prósperos e faceiros, dar-se a extravagâncias tais como se dedicar a competições internacionais de automobilismo e quejandos.


Há também a malta de causídicos pulhas e velhacos, a gozar da opulência e do prestígio que lhe conferem os sabujos do mundo jurídico, no comando de portentosas empresas de advocacia especializadas na pantanosa atividade de lobby junto ao Poder Judiciário, desenvolvida à sombra de escusas e promíscuas, senão genuinamente criminosas, relações com integrantes de tribunais.

E há, por derradeiro, pelo menos um expoente da quadrilha de meliantes travestidos de magistrados  ora ditos, por integrante do próprio Poder Judiciário, em raro arroubo de sinceridade e decência, "bandidos escondidos atrás da toga" , altamente sensível aos referidos lobbies, que hoje se encontra a fruir nababesca aposentadoria custeada pelo contribuinte brasileiro, depois de ver frustrada sua candidatura a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal ante denúncia da prática de venda de decisões, enquanto ministro do Superior Tribunal de Justiça.

Funesto, afinal, apenas o destino daquele jovem pai de família  cuja trajetória profissional o levara a assumir posto de dirigente bancário num longínquo rincão das Minas Gerais, onde com zelo defendia os interesses de seu indiferente empregador, quando, desafortunadamente, cruzou-lhe o caminho uma quadrilha em forma de celerada parentela.

Fulminou-se assim não apenas a vida de um grande homem, mas também, com decorrentes e sucessivas iniqüidades tamanhas, todas as crenças e esperanças dos destinatários de seu legado de retidão e honradez.

 


Adv. Walter Viriato da Rocha
1942-1978




[texto, ora com achegas, originalmente publicado
aos 5 de outubro de 2011]







quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Dia de São Francisco de Assis


Laudato sie, mi Signore, cum tucte le tue criature.
Francesco d'Assisi




Por ocasião do dia de São Francisco de Assis
homem de extraordinárias virtudes, a quem se reconhece a designação de patrono e protetor dos animais , celebrado neste 4 out., a genial representação de Portinari.



Cândido Portinari, detalhe do painel da fachada oposta da igreja de
São Francisco de Assis, em Belo Horizonte, MG




[originalmente publicado aos 4 de outubro de 2015]



domingo, 24 de junho de 2018

Luto cívico por Waldir Pires


A notícia do passamento de Waldir Pires na manhã da última sexta-feira, 22 de junho, em Salvador, colheu-me de considerável surpresa e me fez quedar em estado de comoção e dor profundas, qual a do discípulo que perde um de seus grandes mestres, ou do comandado que vê fenecer seu líder.


Com efeito, eminente mestre e incontestável líder foi o que para mim representou o grande Waldir Pires, a quem tive a honra de coadjuvar ao longo do tempo em que servi à Controladoria-Geral da União, em Brasília, como consultor jurídico do então ministro de Estado.

Desnecessária qualquer nota além do muito que se tem dito, nestes dias, a respeito de sua vetusta figura pública — sem qualquer favor ou exagero, a de um genuíno estadista —, de resto das mais honoráveis que o Brasil conheceu.

Muitos seriam, por outro lado, os depoimentos que teria a consignar publicamente a respeito da singular figura humana do justo, sereno e afável Waldir, com quem tive o privilégio de conviver ao longo daqueles anos. 

Não o faço, porém, ao menos neste momento. Recolho-me em grave luto, pessoal e cívico, na convicção de que seu legado, do qual honrosamente partilho, há de ser dignificado por toda uma geração de colegas de ofício autenticamente 
dedicados, tal qual o inigualável mestre e líder, à superior causa pública.









Paráfrase de Villela


Neste 24 de junho, como de costume, lembro o natalício do mestre João Baptista Villela, com paráfrase de um memorável escrito seu:



Na carga de enigma e mistério da vida, espelha-se muito,
ou mesmo o mais, de nossa impotência diante do destino.






Leia-se também:





sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dia de Reis, por Botticelli



Sandro Botticelli, Adoração dos Reis Magos (1475)


[originalmente publicado aos 6 jan. 2013]

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

'Límites', de Borges


Hay una línea de Verlaine que no volveré a recordar,
Hay una calle próxima que está vedada a mis pasos,
Hay un espejo que me ha visto por última vez,
Hay una puerta que he cerrado hasta el fin del mundo.
Entre los libros de mi biblioteca (estoy viéndolos)
Hay alguno que ya nunca abriré.
Este verano cumpliré cincuenta años:
La muerte me desgasta, incesante.

Jorge Luis Borges, 'Límites'


Caricatura do poeta Jorge Luis Borges


domingo, 23 de novembro de 2014

Um ano sem Magali


Há exatamente um ano, a adorável Magali perdia sua última batalha — depois de longa e brava luta contra um tumor extremamente agressivo  na manhã de 23 de novembro de 2013, aos 13 anos de idade.

Despedi-me de minha companheirinha com um desalentado verso de Byron:


"But there is that within me which shall tire." 


Magali, 2000 ~ 2013


segunda-feira, 31 de março de 2014

50 anos do golpe militar de 1964


Contam-se, nesta passagem de 31 de março para 1º. de abril, cinquenta anos do coup d'état que depôs manu militari o então presidente João Goulart, legitimamente eleito pelo povo brasileiro, rompendo a ordem constitucional e a normalidade democrática para instaurar o Estado de exceção e lançar o Brasil em mais de duas décadas de obscurantismo político e terror.

Que não se esqueça. E não se repita.






domingo, 30 de março de 2014

Os hebdomadários e o aniversário do golpe


Capa das principais revistas semanais de informação no Brasil, no aniversário 50 anos do golpe militar de 1964 - infra.

Uma vez mais, dispenso-me de comentar.







segunda-feira, 24 de março de 2014

OAB: Para não repetir


Meritória iniciativa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o ato público 'Para Não Repetir: 50 Anos do Golpe Militar', faz alusão à quartelada que, entre março e abril de 1964, lançou o País em mais de duas décadas de obscurantismo.