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domingo, 15 de janeiro de 2012

Mobilização lusitana contra o famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa


Nossos irmãos lusitanos se organizam contra o famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, por meio de uma petição pública conjugada com um manifesto, que se dirigem ao governo de Portugal, e de um blog respectivo, a partir de hoje acompanhado pelo Blog do Braga da Rocha.

Num e noutro ambiente pode ser encontrado um vasto conjunto de sólidos argumentos e robustas contra-razões à medida.

Atalhos infra.










quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Omens sem H, por Nuno Pacheco


A propósito das discussões de que tenho participado a respeito da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portugues, compartilho, por indicação do colega Roberto Auad, transcrição integral de artigo do jornalista Nuno Pacheco, publicado à p. 3, cad. P2, do jornal Público, de Lisboa, edição de 6 jun. 2011:


Omens sem H 
Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve “umidade”. Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim.
Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a “limpar” acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. “É positivo para as crianças”, diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico.
É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever summer, bibliographíe, tappezzería, damnificar, tnitteleuropãischen? Já viram o que é ter de escrever Abschnittfürsonnenschirme nas praias em vez de “zona de chapéus de sol”? Por isso é que nesses países com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou nas Arábias, valha-nos-Deus) as crianças sofrem tanto para escrever nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências pró-Acordo, “a oralidade precede a escrita”. Se é assim, tirem o H a homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos.
Mas há mais: sabem que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. Por isso os “acordistas” advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para eles, de ser lugar remoto para ser o eu do próprio Judas, com caixa alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é garantido.
Nuno Pacheco, Jornalista









sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

As Nações Unidas no Dia Internacional contra a Corrupção


No Dia Internacional contra a Corrupção, data que marca a assinatura da Convenção de Mérida, em 2003, as Nações Unidas lançam nova companha global intitulada Faça sua parte contra a corrupção, sobre o que se pode ler, em detalhes, por meio do atalho infra.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O 'Car Free Day' no campo das boas intenções



Neste 22 de setembro celebra-se mundo afora o Car Free Day, ou Dia Mundial sem Carro.

Embora seja eu, por gosto e formação cultural, um renitente usuário do automóvel, reconheço a inestimável importância da idéia de se reduzir em escala global o uso de transporte individual motorizado —
 sobretudo nas grandes cidades, em que o carro vem se tornando, nos últimos tempos, uma verdadeira e incontrolável praga.
Tal mudança de orientação, todavia, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não resulta apenas da boa vontade de uns tantos ou das convenções socialmente estabelecidas. Depende, fundamentalmente, da capacidade e da competência do Estado em prover transporte coletivo de qualidade 
— mais que decente, eficiente e confortável. E isso, embora se possa dizer que constitua praticamente uma regra,  por exemplo, no Velho Mundo, está longe de se vislumbrar como realidade nestas franjas da civilização em que vivemos.

Se não implementada tal condição, não há o que se possa converter em melhora da qualidade de vida em nossas metrópoles, ou na salvação do planeta, que não resulte confinado ao universo das boas intenções.




 



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Caetano forma com os críticos da reforma ortográfica


Do findo blog de Caetano Veloso (www.obraembprogresso.com.br) — personalidade nem sempre digna de citação, quando se manifesta fora de seu métier lírico-poético —, por indicação que me fez há tempos o prezadíssimo amigo e colaborador Levindo Ramos Vieira Neto, stud. iur., uma áspera crítica incidental à chamada reforma ortográfica da língua portuguesa:


Hoje passei o dia dando entrevistas. Me perguntaram várias vezes se eu não sentiria saudade do blog. Claro que vou sentir muitas saudades deste blog. Hoje ele pára – com acento agudo (finalmente li o 'Acordo': achei cheio de inconsistências, com todos aqueles pontos facultativos e com menos acentos diferenciais ainda; sou favorável a uma combinação entre os países lusófonos a respeito das regras ortográficas do português – e acho natural que desta vez o peso brasileiro seja maior do que nunca – mas penso que um acordo tal como o que foi formulado não vai ajudar muito nisso: a história futura poderá inspirar outras soluções – se enriquecermos e passarmos a dar as cartas e as coordenadas de um mundo melhor – e não vi nada sobre 'camião' e 'caminhão', assim como nada encontrei sobre 'porque', 'por que', 'porquê', 'por quê' – digo: se se decide pelas formas portuguesas ou brasileiras – mas entendo que esses não são casos de regra ortográfica propriamente).