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sábado, 2 de maio de 2020

Vai-se Nirlando Beirão, um expoente do jornalismo e da 'intelligentsia' brasileira


Diz Sergio Lino, redator-chefe da revista CartaCapital — secundando, salvo engano, o próprio Mino Carta —, que ler os textos do jornalista e escritor mineiro Nirlando Beirão é "como ouvir uma sinfonia".

Cessaram anteontem, num melancólico fim de abril de 2020, suas magistrais composições. O jornalismo e a intelligentsia brasileira perdem um de seus grandes expoentes, aos 71 anos de idade, vítima de doença degenerativa de que padecia já há algum tempo.

Ao elegantíssimo maestro, minhas homenagens.



Nirlando Beirão, 1948-2020



Em tempo:
Leia-se aqui no Blog do Braga da Rocha memorável artigo de Nirlando Beirão, originalmente publicado em 2013 no Portal R7 e depois dali suprimido, sobre tema de significativa expressão na atualidade, à vista dos sestros comuns ao tragicômico trio Jânio Quadros, Joaquim Barbosa e Jair Bolosonaro.





domingo, 2 de outubro de 2016

Derradeira manifestação da candidatura de Professor Braga da Rocha nas eleições de 2016








Amigos:

Encerrada a apuração das urnas nestas eleições de 2016 à Câmara Municipal de Belo Horizonte, o resultado afinal se apresentou, na perspectiva de nossa candidatura, não muito animador.

Apuraram-se em favor da candidatura algo em torno de parcos 0,01% do total de votos válidos, o que corresponde a uma discreta posição n. 37 na lista de candidatos do Partido Trabalhista Cristão - PTC, agremiação que, conquanto tenha lançado mais de 60 nomes ao pleito, acabou por alcançar efetivamente apenas uma cadeira na Câmara.

Sem embargo, para uma candidatura estreante cuja modesta campanha foi feita praticamente com ‘orçamento zero’ — isto é, sem contar com qualquer doação pecuniária, ressalvados valores correspondentes, por estimativa, a prestação de serviços graciosos por terceiros e ao fornecimento de material gráfico pelas vias partidárias —, unicamente baseada na adesão espontânea e desinteressada de amigos, familiares e colegas de ofício, tal resultado não é de todo surpreendente.

Do processo, porém, extraem-se importantes lições, entre quais me permito salientar talvez a mais óbvia e também a mais significativa: a frustrante certeza de que, a despeito das variadas medidas progressivamente adotadas pela Justiça Eleitoral para reduzir a interferência do poder econômico no processo de escolha da representação política, segue inviável a realização de uma campanha sem o dispêndio de significativos montantes, de modo a criar condições mínimas para o êxito da candidatura.

Assim é que, embora renovada em pouco mais de 50% a composição da Câmara, nela seguem impávidos, reconduzidos ou alçados à vereança pela primeira vez, variados representantes da ‘velha política’ —
conforme convencionou chamá-los o deputado Luís Tibé, candidato a prefeito pela coligação de que participou o PTC nas eleições majoritárias deste ano —, ou da velha forma de fazer política, baseada, quando muito, em idéias anacrônicas ou abstrusas, senão em anosas práticas escusas e dissociadas do interesse público.

Mas do processo resulta também a indizível satisfação pelas incontáveis interações pessoais havidas, que produziram singulares e profícuos intercâmbios de idéias — as quais foram apresentadas, em linhas gerais, na Carta Programática da candidatura — e de que podem resultar, no porvir, novas iniciativas de natureza política, partidária ou não, de nossa parte ou de quaisquer daqueles que comungam dos mesmos valores e de semelhante ideário.

A todos que participaram direta ou indiretamente do processo — não só por meio do efetivo sufrágio nas urnas, mas também do inequívoco apoio manifestado pelos mais diversos meios e formas —, registro aqui meus agradecimentos, na expectativa de que possamos seguir a contribuir para a construção de uma cidade melhor para se viver e de uma sociedade mais justa e democrática neste país.


Belo Horizonte, 2 de outubro de 2016




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E a musiquinha fez corar Fernando Morais


"Se um administrador público faz isso em campanha eleitoral, quando os políticos estão sob o olhar vigilante dos eleitores e da imprensa, o que não fará no lusco-fusco do exercício do mandato?"

Fernando Morais, jornalista e escritor




Fac-simile do artigo de Fernando Morais,
publicado no jornal Estado de Minas




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vai-se um ferrenho opositor da dinastia Sarney




Jackson Lago, 1934-2011

 

Morreu nesta segunda-feira, 4 abr., o médico Jackson Lago, ex-prefeito de São Luís e ex-governador do Estado do Maranhão.

Sua trajetória pessoal e política se estampa, neste momento, em todos os grandes veículos de comunicação de massa,
nos respectivos obituários, razão pela qual me sinto dispensado de aqui consigná-la, até porque, outrossim, não sou dela um profundo conhecedor.
 

Limito-me, neste contexto, a lembrar um triste episódio da recente história maranhense, de que Lago foi protagonista. Ou melhor, de que ele foi vítima.

Legitimamente eleito para o cargo de governador do Estado, e em pleno exercício da função, Jackson Lago foi destituído por um golpe orquestrado em favor de Roseana Sarney — representante naquele páreo político do clã chefiado pelo todo-poderoso homem da República 
, com o verniz de legalidade que lhe emprestou os sempre vergonhosos, venais e servis tribunais do Poder Judiciário.

Na ocasião, publiquei no
Blog do Braga da Rocha a nota que ora reproduzo, infra, a propósito do passamento dessa importante figura política do Maranhão, que viveu seus derradeiros dias a exercer o necessário, digno e nobre papel de principal opositor, naquelas plagas, da famigerada e odiosa dinastia Sarney. 


TSE, Jackson Lago e a oportunidade de crise institucional para uma necessária 'refundação' da República
Do noticiário político do fim de semana destaca-se a cassação do mandato do governador do Maranhão, Jackson Lago, pelo Tribunal Superior Eleitoral - TSE, seguida da decisão tomada por Lago — da qual, lamentavelmente, logo recuou — de resistir à decisão judicial com um expressivo gesto político: a recusa em deixar o Palácio dos Leões, sede do governo daquele Estado.
Tenho repetido a meus alunos e colegas do meio jurídico que o primeiro e inarredável compromisso de todo jurista e de todo cidadão deve ser com o chamado estado de direito, entendida esta expressão em sua acepção mais elementar, como aquele ambiente em que o ordenamento se põe e se aplica segundo regras e mecanismos institucionais preestabelecidos.
No caso Jackson Lago, todavia, devo confessar que me sinto algo frustrado e decepcionado pela decisão do governador de abandonar o palácio, em sinal de acatamento, ainda que a contragosto, de mais uma espúria decisão do TSE.
Sem discutir o mérito da causa, que desconheço em profundidade — mas que a todos os olhos isentos parece representar um autêntico coup d'état, revestido de aparência institucional, contra um governador legitimamente eleito —, deve-se lembrar que o TSE não passa de mais um entre os desmoralizados órgãos superiores do Poder Judiciário brasileiro, fonte de incontáveis decisões estapafúrdias movidas à corrupção do desregrado lobby, como aquela, no ano de 2004, relativa ao então governador Joaquim Roriz, do Distrito Federal, em ação proposta pelo Ministério Público com vistas à cassação de seu mandato.
Na ocasião, avive-se a memória do leitor, deixou o TSE de cassar o ilegítimo mandato obtido por aquele execrável político brasiliense, conquanto figurassem nos autos provas inequívocas de uso de recursos públicos em prol de sua reeleição — entre as quais fotografias de veículos alugados pelo governo distrital, a exibir e transportar material de campanha do candidato —, provas essas que a relatora do processo, ministra Ellen Gracie, acompanhada, entre outros, por Carlos Mário Veloso e Peçanha Martins, preferiram não considerar "suficientemente robustas" para demonstrar o ilícito eleitoral que autorizaria a cassação. Registre-se, no julgamento desse feito, memorável voto divergente do então presidente da Casa, ministro Sepúlveda Pertence, homem público de rara integridade, como já não se vê na cortes do País.
Desta feita, como aparentemente sopram em tal sentido os ventos políticos — não se olvide que a decisão favorece os interesses diretos do mais importante clã maranhense, uma vez que a segunda colocada no pleito é a senadora Roseana Sarney, prontamente empossada no cargo usurpado —, achou por bem o TSE legitimar um golpe contra o governador Jackson Lago e, com isso, acomodar tenebrosos interesses que, por óbvio, não se limitam às fronteiras do longínquo e inexpressivo Maranhão. 
Minha torcida pela resistência de Lago, até o limite do uso da força, se necessário fosse, representava, sim, a aposta em um conflito cujos reflexos bem se poderiam dilargar até o ponto de uma crise institucional de âmbito nacional que, a esta altura, me pareceria muito oportuna para uma necessária 'refundação' da República brasileira.
Infelizmente, apenas uma passageira quimera. Restou somente o golpe, consagrado pelo corrompido Judiciário e limitado, em seus efeitos mais evidentes e imediatos, ao governo de um mero coadjuvante estado da Federação.