Espaço de diversificado conteúdo de natureza jurídica, política, acadêmica, filosófica, ética, literária e artística, entre outros assuntos tão variados como gastronomia, gestão pública e defesa do consumidor. Seguimento do congênere, ora inativo, publicado até 2010 no portal UOL.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
"Ei, polícia, vinagre é uma delícia!"
Que aqui também se registre :
Vinagre é lícito. Paus, pedras e rojões contra terceiros, não. Spray para vandalizar prédios, veículos, mobiliário urbano e obras de arte, também não.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
115 anos de Belo Horizonte
Use o atalho contido na imagem supra para conhecer a programação
das festividades oficiais pelo aniversário de Belo Horizonte
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Alckmin reage à calamidade, 300 mortes depois
Depois de mais de 300 mortes, Alckmin resolveu, enfim, defenestrar o parvo e inepto titular da pasta da Segurança Pública. Resultados a ver.
— Braga da Rocha (@bragadarocha) November 23, 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
domingo, 6 de novembro de 2011
"Da força da grana que ergue e destrói coisas belas"
Assisti na semana passada pela televisão, entre escandalizado e consternado, à transmissão ao vivo da implosão controlada e quase simultânea de dois prédios situados no Setor Hoteleiro Sul de Brasília, DF, em operação anunciada como mais uma entre as preparatórias para a realização da Copa do Mundo de futebol em 2014.
Em cerca de 5 segundos foram ao chão edifícios de cerca de 15 pavimentos que abrigavam dois dos mais antigos hotéis da Capital federal, um deles o já decadente — mas, a seu modo, harmonioso e elegante — Hotel das Nações, e outro o não menos belo Hotel Alvorada, que identifico como genuínas expressões da arquitetura modernista, tal como veio a constituir nota marcante e elemento indissociável da própria identidade daquela majestosa cidade, há meio século radicada no inóspito Planalto Central.
Em minhas lembranças de hóspede eventual do Hotel das Nações, antes mesmo de me tornar morador de Brasília, consta uma simples mas imponente construção erguida às margens do Eixo Monumental, tingida de azul celeste, de linhas retas e limpas, com uma charmosa pérgula à entrada e um confortável pé-direito no átrio interno.
A infra-estrutura do prédio há tempos se encontrava, sem dúvida, extremamente defasada em relação aos padrões da hotelaria contemporânea e mesmo aos conceitos arquitetônicos hoje em voga.
Mas não haveria reforma ou reestruturação que lhe pudesse promover a necessária adequação e atualização? Não seria possível a construção de um ou mais anexos, preservando-se a edificação principal?
Não, definitivamente não, aos olhos do capital terceiro-mundista que não conhece o mais ínfimo respeito à cultura, à história e à memória — de que a arquitetura, saliente-se, constitui uma dimensão inequívoca e altamente expressiva nos espaços urbanos. Mais em conta que restaurar e adaptar fica, sem dúvida, derrubar sumariamente o que existe para em seguida erguer, nos vagos remanescentes, arranha-céus inteiramente novos e reluzentes.
O Poder Público — a quem compete velar pelo patrimônio urbanístico, cumprindo e fazendo cumprir diretrizes de conservação e preservação —, por sua vez, é não só cúmplice da sanha arrasadora do poder econômico como, outrossim, costuma patrocinar ele próprio ações de idêntico jaez.
Há pouco, também em Brasília, na mesma corrente das famigeradas 'obras para a Copa do Mundo', imolou-se o pequeno e garboso estádio Mané Garrincha, cujo desenho consistia em um primor de leveza traduzida em concreto, a fim de dar lugar a u'a modernosa arena esportiva.
Naquela como nesta oportunidade, pareceu tanto mais conveniente aos detentores do poder político quanto atraente para os agentes econômicos substituir, simples e grosseiramente, o antigo pelo novo, em vez de buscar promover o diálogo e a conciliação entre tais elementos no cenário arquitetônico da cidade.
E isso, afinal, não tem nada de novo. Ou, se novidade há, esta se limita ao inédito estímulo suplementar e ao singular pretexto adicional de auferir-se os dividendos políticos e econômicos resultantes da realização, em correspondência a um ruidoso afã coletivo, de um evento esportivo de predileção nacional e repercussão mundial.
Mas o que se vê em Brasília corresponde, em escala reduzida, ao que vem acontecendo de forma mais ou menos silenciosa nestas franjas da civilização desde pelo menos a quadra do pós-guerra: em nome de pretensas conquistas da modernização, lança-se ao chão a cultura, a história e a memória das cidades.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
O 'Car Free Day' no campo das boas intenções
Neste 22 de setembro celebra-se mundo afora o Car Free Day, ou Dia Mundial sem Carro.
Embora seja eu, por gosto e formação cultural, um renitente usuário do automóvel, reconheço a inestimável importância da idéia de se reduzir em escala global o uso de transporte individual motorizado — sobretudo nas grandes cidades, em que o carro vem se tornando, nos últimos tempos, uma verdadeira e incontrolável praga.
Tal mudança de orientação, todavia, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não resulta apenas da boa vontade de uns tantos ou das convenções socialmente estabelecidas. Depende, fundamentalmente, da capacidade e da competência do Estado em prover transporte coletivo de qualidade — mais que decente, eficiente e confortável. E isso, embora se possa dizer que constitua praticamente uma regra, por exemplo, no Velho Mundo, está longe de se vislumbrar como realidade nestas franjas da civilização em que vivemos.
Se não implementada tal condição, não há o que se possa converter em melhora da qualidade de vida em nossas metrópoles, ou na salvação do planeta, que não resulte confinado ao universo das boas intenções.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
De bosques, casarões e construção civil predatória
Parece inverossímil a notícia contida no link acima, de uma campanha pela salvação de uma das poucas matas urbanas que restam na Capital mineira, mas desse tipo de coisa nunca se deve duvidar.
Antes de me mudar de Belo Horizonte para Roma, e logo depois para Brasília, em fins dos anos '90, tinha diante de minha varanda um vicejante bosque, onde ouvia o cantar de pássaros, a rodear um pequeno conjunto arquitetônico erguido aparentemente entre o fim do séc. XIX e o princípio do séc. XX, composto de casarão e capela, que constituíam porções da sede da fazenda que veio a dar origem ao bairro Gutierrez, espraiado entre colinas na região sudoeste da capital mineira.
Imaginava-os, por seu valor paisagístico e histórico, imunes à ameaçadora sanha da construção civil predatória, desgraça que assola as grandes cidades, sobretudo em franjas da civilização como esta na qual vivemos.
Hoje vejo no lugar de tudo aquilo diversos maciços verticais de concreto, adornados por granito e vidro, que abrigam uns aglomerados de cubículos ditos de 'alto luxo'.
A cidade perdeu um sítio natural e histórico precioso. O bairro ganhou mais verticalização e mais adensamento populacional, com todos os transtornos que isso produz no trânsito e que gera em termos de sobrecarga na demanda por serviços públicos, sem falar na efeitos ambientais, como aqueles decorrentes do aumento da impermeabilização do solo.
Para que tenha sido autorizada a construção dos prédios, especula-se que a Câmara Municipal tenha vendido o 'destombamento' do imóvel, ou algo que o valha, em um negócio multimilionário, que não raro do consórcio entre agentes públicos corruptos e empresários desonestos.
Entrementes, ninguém se importa. O famigerado 'mercado', composto por consumidores tolos, ignorantes e passivos, aceita tudo. Os construtores, à base de propina e à custa do interesse público, incrementam em progressão infinita suas fortunas. E a sociedade, como de costume, é quem perde.
Assim, perdemos todos. Ou quase todos.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Uma imagem que fala por si
A imagem abaixo, que encontrei na página pessoal de uma conhecida e cujo crédito ou publicação original desconheço, fala suficientemente por si mesma. Mas nao é ocioso consignar que se tem nela magnífica ilustração da compreensão de civilidade e cidadania, difusa no aparato de gendarmaria do Estado brasileiro.
Em tempo: Meu prezado colega Eymard Loguércio esclarece, nos comentários, que "a foto é do fotógrafo Pedro Kirilos, da agência O Globo. Um protesto de moradores do morro do Bumba, em Niterói."
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