Espaço de diversificado conteúdo de natureza jurídica, política, acadêmica, filosófica, ética, literária e artística, entre outros assuntos tão variados como gastronomia, gestão pública e defesa do consumidor. Seguimento do congênere, ora inativo, publicado até 2010 no portal UOL.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
"É aqui que eu amo"? Ah, que saudade das Casas Pernambucanas!
Sou do tempo em que "as Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar" — dito assim mesmo, coloquialmente —, segundo um reclamo embalado por simples e inesquecível melodia.
Ultimamente, porém, vejo-me sujeito a ouvir pela televisão rumorosos brados que exorbitam o aceitável, mesmo para a mera linguagem coloquial: "a Casas Bahia vende pelo menor preço", ou coisa que o valha. A despeito da possbilidade de se vislumbrar, no caso, uma ficta concordância via presuntiva silepse, formulações como essa me ferem dolorosamente a sensibilidade, visto que soam, sob todos os aspectos, muito pouco canônicas e ainda menos eufônicas.
Há não muito, um representante da poderosa indústria norte-americana do petróleo no Brasil costumava, além de praticar suas costumeiras investidas contra o meio ambiente, agredir também o idioma pátrio local. Anunciava-se por aqui, em variados media, que o produto Texaco Havoline seria "o óleo que você confia", em aparente demonstração de completa ignorância das mais elementares regras de regência verbal da língua portuguesa.
Na mesma linha de desvio da norma culta, diz uma empresa coreana que One Touch é "a linha de impressoras e multifuncionais Samsung que você nunca sonhou". Uma vez mais, às favas a regência verbal. Para meu desgosto, vim a descobrir-me dono de um aparelho dessa marca, mais precisamente dessa linha de produtos. Boa máquina, de fato. Mas provavelmente teria resistido ao impulso de compra, conhecesse de antemão o famigerado slogan.
Nos dias que correm, por seu turno, é a administração municipal da terceira maior cidade do País, Belo Horizonte, que — em meio aos trágicos efeitos do caos instaurado pelas precipitações de verão, com o que a capital mineira se inscreve, em definitivo, entre as tantas metrópoles brasileiras vergonhosamente despreparadas para esses previsíveis fenômenos meteorológicos — segue a veicular na televisão irritante campanha publicitária, igualmente atentatória contra o vernáculo. Ao custo de milhões para o contribuinte, entoa-se insistentemente um refrão que principia com "é aqui que eu amo", em acordes neo-caipiras de duvidosíssimo gosto, embora com seguro desacerto gramatical. Acaso desconhece a municipalidade, ao reproduzir a abstrusa linguagem dos autores da paupérrima canção, que um advérbio de lugar não poderia jamais, sob pena de truncar a estrutura frasal, figurar como impróprio objeto direto?
Descuido, despreparo, desleixo, ignorância ou proposital mimetismo do falar do vulgo, pouco importa a razão. Empresas, administradores públicos, músicos e publicitários, mediocrizados ou acumpliciados entre si, são todos igualmente responsáveis por esses sistemáticos e criminosos atentados ao patrimônio cultural representado pelo idioma.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Mobilização lusitana contra o famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Nossos irmãos lusitanos se organizam contra o famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, por meio de uma petição pública conjugada com um manifesto, que se dirigem ao governo de Portugal, e de um blog respectivo, a partir de hoje acompanhado pelo Blog do Braga da Rocha.
Num e noutro ambiente pode ser encontrado um vasto conjunto de sólidos argumentos e robustas contra-razões à medida.
Atalhos infra.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Omens sem H, por Nuno Pacheco
A propósito das discussões de que tenho participado a respeito da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portugues, compartilho, por indicação do colega Roberto Auad, transcrição integral de artigo do jornalista Nuno Pacheco, publicado à p. 3, cad. P2, do jornal Público, de Lisboa, edição de 6 jun. 2011:
Omens sem H
Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve “umidade”. Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim.
Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a “limpar” acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. “É positivo para as crianças”, diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico.
É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever summer, bibliographíe, tappezzería, damnificar, tnitteleuropãischen? Já viram o que é ter de escrever Abschnittfürsonnenschirme nas praias em vez de “zona de chapéus de sol”? Por isso é que nesses países com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou nas Arábias, valha-nos-Deus) as crianças sofrem tanto para escrever nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências pró-Acordo, “a oralidade precede a escrita”. Se é assim, tirem o H a homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos.
Mas há mais: sabem que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. Por isso os “acordistas” advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para eles, de ser lugar remoto para ser o eu do próprio Judas, com caixa alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é garantido.
Nuno Pacheco, Jornalista
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Não se observam neste 'blog' as prescrições do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990
É sempre oportuno lembrar: Não se verá em textos meus, no Blog do Braga da Rocha ou alhures, aplicação do famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, em vigor no Brasil desde princípios de 2009, até que reste eu como o último entrincheirado na defesa do velho regime ou até que a vis compulsiva — vale dizer, a força decorrente das circunstâncias irresistíveis — venha a compelir-me a adotá-lo.
Leiam-se a íntegra das razões e outros detalhes na secção Aviso importante, cujo atalho figura também no menu superior deste sítio.
sábado, 2 de julho de 2011
Crítica do Bala Doce à obra de um embusteiro-escrevinhador
Augusto Vieira, o quase mítico Bala Doce, publicou hoje, em sua página pessoal no Facebook, sintética, precisa e impagável crítica à obra mundialmente conhecida do embusteiro-escrevinhador Paulo Coelho, que considero a mais acabada expressão da literatura chã que se produz em arremedo de língua portuguesa.
Reproduzo-a aqui em texto e imagem, sem licença prévia e expressa do autor, contando, porém, com sua presumível bem-humorada vênia:
Mais da verve de Augusto Vieira pode ser lido em seu sítio eletrônico e em seu blog Dia a Dia, ou simplesmente, como sempre a ele me refiro, o Blog do Bala. As hilariantes histórias e pérolas de Nabonosseu, bem assim a filosofia desse luminar do pensamento contemporâneo, podem ser encontradas no espaço Assim Falou Nabonosseu.
Reproduzo-a aqui em texto e imagem, sem licença prévia e expressa do autor, contando, porém, com sua presumível bem-humorada vênia:
Mais da verve de Augusto Vieira pode ser lido em seu sítio eletrônico e em seu blog Dia a Dia, ou simplesmente, como sempre a ele me refiro, o Blog do Bala. As hilariantes histórias e pérolas de Nabonosseu, bem assim a filosofia desse luminar do pensamento contemporâneo, podem ser encontradas no espaço Assim Falou Nabonosseu.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
'Presidenta'?
A propósito da controvérsia instaurada pelo corrente uso do termo 'presidenta' pela presidente Dilma Roussef e sua equipe de governo, além de certos segmentos dos mass media, transcrevo o que tenho por irrespondível texto publicado no Portal Luiz Nassif e alhures — escrito esse atribuído, ao que parece indevidamente, a Miriam Rita Moro Mine, professora na Universidade Federal do Paraná:
Existe a palavra: PRESIDENTA? Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendigar é mendigante... Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionarem à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Diz-se: capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Caetano forma com os críticos da reforma ortográfica
Do findo blog de Caetano Veloso (www.obraembprogresso.com.br) — personalidade nem sempre digna de citação, quando se manifesta fora de seu métier lírico-poético —, por indicação que me fez há tempos o prezadíssimo amigo e colaborador Levindo Ramos Vieira Neto, stud. iur., uma áspera crítica incidental à chamada reforma ortográfica da língua portuguesa:
“Hoje passei o dia dando entrevistas. Me perguntaram várias vezes se eu não sentiria saudade do blog. Claro que vou sentir muitas saudades deste blog. Hoje ele pára – com acento agudo (finalmente li o 'Acordo': achei cheio de inconsistências, com todos aqueles pontos facultativos e com menos acentos diferenciais ainda; sou favorável a uma combinação entre os países lusófonos a respeito das regras ortográficas do português – e acho natural que desta vez o peso brasileiro seja maior do que nunca – mas penso que um acordo tal como o que foi formulado não vai ajudar muito nisso: a história futura poderá inspirar outras soluções – se enriquecermos e passarmos a dar as cartas e as coordenadas de um mundo melhor – e não vi nada sobre 'camião' e 'caminhão', assim como nada encontrei sobre 'porque', 'por que', 'porquê', 'por quê' – digo: se se decide pelas formas portuguesas ou brasileiras – mas entendo que esses não são casos de regra ortográfica propriamente).”
domingo, 2 de janeiro de 2011
Aviso: Este 'blog' não observa as regras do mais recente acordo ortográfico da língua portuguesa
Antes que algum desavisado, não sabedor de meu apego à estrita correção vernacular, acabe por julgar-me mal ou mesmo censurar-me, não custa repetir aqui o que eu já havia dado como avisado no velho blog: não se observa, neste ambiente sob minha regência, as regras do mais recente e despiciendo acordo ortográfico da língua portuguesa. Vamos às razões.
"Minha pátria é minha língua", conforme da expressão se apropriou Caetano Veloso, em sentido aparentemente diverso daquele que lhe atribuíra Fernando Pessoa, que eu ousaria, igualmente em sentido impróprio, aqui parafrasear: Pouco se me dá que que o Brasil seja invadido, desde que não mexam com a língua portuguesa.
Seja ou não possível filosofar em outras línguas que grego e alemão — conforme terão dito, cada um a seu modo, Heidegger e, de novo!, Caetano Veloso, este naquela obra-prima de canção —, cumpre-me, por dever adquirido daqueles que do português fizeram minha língua-mãe, defender a última flor do Lácio até as últimas conseqüências, até as armas, se preciso for.
Já abri mão involuntariamente — por pura extemporaneidade do nascimento e, por conseqüência, do aprendizado do idioma — de diversas consoantes e de um sem-número de sinais diacríticos, como acentos diferenciais e indicadores de sílabas subtônicas, por exemplo. Basta de empobrecimento!
Como se sabe, a riqueza de um idioma não se mede apenas pela larga amplitude de possibilidades léxicas, como é o caso, induvidosamente, da língua portuguesa — muito embora, nesse aspecto, esteja ela possivelmente a dever à alemã, sempre lembrada por seu singular mecanismo de aglutinação. Constituem também patrimônio da língua os recursos que se põem à disposição de quem escreve para indicar ao leitor, da forma mais precisa possível, cada fonema, unidade mínima de distinção dos sons no sistema fonético respectivo.
Quando se suprime um importante recurso como, por exemplo, o trema — que, para improváveis ignaros que estejam a ler-me até esta linha, serve para indicar que determinada vogal não forma ditongo com a que lhe está próxima, soando, pois, autonomamente — , ou os acentos diferenciais em termos homógrafos, está-se a solapar u'a miríade de importantes recursos lingüísticos que muito dizem respeito ao aparato da expressão e, conseqüentemente, à riqueza do idioma.
Por isso o aviso do título aos meus caros leitores: Não se verá em textos meus aplicação do famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, em vigor no Brasil desde princípios de 2009, até que reste eu como o último entrincheirado na defesa do velho regime ou até que a força — senão a vis compulsiva, aquela decorrente das circuntâncias irresistíveis — venha a compelir-me a adotá-lo.
Grump e a extraordinária importância da reforma ortográfica
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