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domingo, 10 de maio de 2020

Reminiscências da pescaria na fazenda — excerto da obra autobiográfica 'Memórias & Reflexões', por J. Geraldo


Passo a publicar, a partir de hoje, excertos por mim cuidadosamente selecionados do livro Memórias & Reflexões, de José Geraldo Braga da Rocha. Que sirvam os recortes, aos seguidores deste blog, de aperitivo para a leitura da obra. 




Capítulo IX: Novamente, a Fazenda e coisas mais

Meu irmão mais moço, Antônio, e eu costumávamos passar as férias na Fazenda Cachoeira, depois que a mamãe se mudou com a filhada para a cidade, para estudarmos. Entre as muitas lembranças de então a da pesca de lambaris nos remansos espumosos do ribeirão, coalhados de folhas, gravetos, garranchos e o que mais a correnteza carrega, que costumavam enroscar o nosso anzol de pescador. Senão, usávamos o tanque da chácara, também piscoso, que papai construíra num plano do sopé da encosta, alimentado pela sua pequena nascente, propícia a tal a vegetação do lugar, além das águas vertentes, que desciam da serra na estação chuvosa, e que ele peixara com espécies do ribeirão. As suas águas serviam de bebedouro para o gado em pastoreio na manga, que tinha nome de pasto do Tanque ou da Chácara. No inverno e nas águas, era comum a névoa encobrir toda a encosta, cujo cafezal, da parceria com o seu Efigênio Andrade, dava-lhe um verde intenso, emoldurado pelas muitas árvores e vegetação nativas. (Então, eu ouvia o papai falar na variedade
burbom, que acho seria o plantado na chácara e nos quintais.) Aos poucos, a bruma, algo corrubiana como acontece aqui, era afugentada pelo sol. Eu gostava de ver aquilo pela manhã, da varanda da casa sede, de onde também, em época de capina e de apanha do café, acompanhava a movimentação dos trabalhadores e dos cargueiros, transportando o café para o terreiro ladrilhado da casa sede. Um pouco pra baixo do tanque f cava outra mina ou olho d'água, que nascia num lacrimal coberto de taboas, chapéu de couro, juncos e outras espécies aquáteis, que, após represada e servir de bebedouro ao gado que lá pastorava, escorria pelo valado adrede aberto.

Atravessando o quintal de canas, do lado direito da casa sede, ia o regato servir a porta da cozinha. Outro braço desaguadouro, à esquerda, ia abastecer de água a casinha de ordenha, onde ficava a queijaria e a moradia de vaqueiro casado. O estreito canal ou rego era freqüentemente limpado de folhas e entulhos mais, que teimavam obstruí-lo. Até hoje surde ali a preciosa água, embora com menor vazão. No quintal da casa sede, próximo de onde ficava a antiga bica d'água de madeira, que despejava mais de telha do precioso líquido, o Arnaldo represou-a em comportas de alvenaria, onde cria e recria tilápias. Encanada a partir dali, vai servir a casa sede. Já não há o bicame; não há água suficiente para isto. (O que será desse povaréu, com o minguamento das águas, senão, em muitos casos, sumiço das nascentes, descuidadas pelo Governo, pelos proprietários dos terrenos e diminuição das chuvas? E o calor escaldante, conseqüente ao aumento da temperatura do planeta, reconhecida pela própria ONU, faz presença inclemente, preocupante. Aliás, alguém do povo me disse, com seu jeito de entender os mistérios do tempo: Estão falando que o Sol desceu ou a Terra subiu! Se não fora estapafúrdia a idéia, seria boa versão para o grave momento, sob comando de El Niño, o tendeiro da vez! Os tempos hodiernos estão diferentes dos de meio século atrás! Eu teria uns 15 anos de idade quando li nalguma publicação do papai, lá mesmo na fazenda, da eventualidade do aquecimento do planeta. Embora as modificações climáticas ocorram muito lentamente, imperceptíveis quase, estão aí, cerca de 50 anos depois da notícia, o que nos faz conjeturar o que virá proximamente! [...]).

Voltando à pescaria de antanho, depois de horas à beira do córrego a gente levava pra casa, numa fieira, em formato de forquilha ou num encambado de embira de malvarisco, fazendo as vezes de samburá, pencas de piaus de nadadeiras raiadas de vermelho, piabinhas ou lambaris, apanhados na féria do dia – de que logo depois a boníssima Maria Domingas preparava para nós saborosas fritadas, empanadas em fubá. A gente não se contentava de comer um, dois ou três peixinhos, mas sim quantos perdurassem na travessa. A gula pedia mais e mais crocantes petiscos, tão bem passados pela boa cozinheira.

Até o papai e os vaqueiros iam pescar mandis e traíras, à noite, quando as chuvas de final de primavera ou já em curso o verão faziam o ribeirão subir vezes sem conta e derramar-se sobre as margens, inundando as largas e extensas vazantes de arroz, que fecundava, cultivadas pelo seu Efigênio Andrade, em parceria com o papai. (Só depois eu tomaria conhecimento dos campos de arroz de sequeiro, que fazem a riqueza do pampa gaúcho, que a gente nem imaginava existir, conhecedor que era apenas do de alagados. Quando vejo rizicultores trabalhando em vazantes, com água até os joelhos, lembro-me do seu Efigênio Andrade, as calças dobradas, plantando ou ceifando o cereal nas vazantes da fazenda, à semelhança china.) Então, ao amanhecer depois de noites de muita chuva de verão, o que era freqüente, eu corria à borda do terreiro da cozinha, para ver o ribeirão cheiíssimo, transbordante. De lá gostava de ver a vazante inundada de água turva, encobrindo a vegetação – que, depois, ao baixar, deixava sedimentos que a fertilizavam e propiciavam ubérrima produção do cereal. (Mais tarde, compreenderia a observação do historiador grego Heródoto, de que O Egito é uma dádiva do Nilo.) Dizia-se que esses peixes maiores, a cuja pesca íamos nessas ocasiões, só se aproximavam do anzol com a água avolumada e suja da terra levada pela torrente à calha do ribeirão. Então, à noite, a gente ia com os adultos à pescaria, sentindo-nos os tais à beira do ribeirão, fora de horas (que porém nem tão tarde era, senão para nós criançolas!). Às vezes, a aventura nos levava, com papai e serviçais, até a represa da usina, aquele mundão d'água piscosa, como nos parecia, que também atraía pescadores de derredor e até da cidade, munidos de caniços longos, que, mais do que os nossos, alcançavam longa distância da margem. Porém, ainda não havia molinetes nesse mundinho tacanho. Antecedia a pescaria a azáfama do preparo de varas de anzóis encastoados em trançados de arame, para proteger a linha da serrilha dos peixes, os lastros de chumbo para fazê-los afundar n'água, e as minhocas, que, apanhadas em locais úmidos, eram aquarteladas em samburás forrados com o húmus em que recolhidas e levadas hidratadas à beira d'água, para servir de isca. Às vezes, levávamos também a nossa matalotagem, para comermos à beira d'água, algo como piquenique que era aquilo, e aprestos para enfrentar mosquitinhos-pólvora, que vinham zunir e picar as orelhas do pescador, que, na tentativa de afugentá-los, se viam obrigados a se estapear, a praguejar e a se irritar. (Pois, não há mesmo prazer que não tenha o seu desgosto, o seu contrário, como diz a sabedoria popular!) Aí, os que eram fumantes baforavam de cigarros de fumo de rolo, como os serviçais, ou de indústria, como o papai, na tentativa de afugentar os incômodos e persistentes maruins. Senão, era fazer uma fumaceira perto, com trapos de pano, folhas secas ou úmidas, sabugo de milho e não sei o que mais, de combustão lenta, à falta dos modernos repelentes. Cada pescador adulto quase sempre pescava pelos menos uns dois ou mais peixes graúdos, o que já era motivo de festa. Porém, qualquer de nós que apanhássemos mais peixes do que os outros, pequenos ou grandes, ouvia logo a irônica pecha quanto mais bobo, mais peixe! Antônio tinha um medo dos diabos da ferroada de traíra e mandi, donde, das raras vezes em que os fisgava, era algum adulto que os retirava do anzol. Se a pescaria não rendia logo, o papai não demorava a perder a paciência, sôfrego que sempre foi. Então, era voltarmos a casa, samburá vazio ou pouco fornido, e aguardar outra oportunidade para repetir o divertimento.

No ribeirão de casa, a gente costumava deixar o anzol ferrado n'água, na esperança de fsgar peixe taludo, como piau, traíra ou mandi, que, para nós, pescadores de lambari, era façanha e tanto. Na manhã seguinte, ansiosos para ver o resultado da empresa, corríamos ao local. Se constatávamos que a vara, ao ser movimentada para trás, se curvava em arco com o peso da presa fisgada, era rir de orelha a orelha e coletá-la, com cuidado, senão levar o pescado suspenso no anzol, exibindo-o, para logo ser consumido no almoço. A mamãe tinha um medo sem igual das espinhas desses peixes maiores, como a traíra, além do piau, que tem a espinha em forma de ípsilons (yy) entranhada na carne, o que não deixava de nos contagiar. Certa vez, a vara arqueada trouxe baita surpresa: o apresado era um pequeno cágado, que o povo chama de sapo-concho! Deu um trabalhão danado livrá-lo do anzol e devolvê-lo à corrente d'água, ante a sua insistência de recolher o longo pescoço, com anzol e tudo, às entranhas sob a carapaça. Vai, quelônio, vai!, foi afinal a nossa palavra de ordem ao vagaroso réptil, que então se meteu n'água de novo, naquele nado cachorrinho. Melhor tivesse o anzol se enroscado nos juncos que margeiam o corgo, do que aquilo. Mas valeu a curiosidade de fisgar bicho tão diferente, parente, parece, do jabuti e da própria tartaruga, de maior porte, que, claro, inexiste por aqui.

Os rebojos piscosos do ribeirão Jambeiro – formado pelo vertedouro da represa da usina –, que passa pela fazenda, eram também propícios à nossa natação incipiente. A gente pulava da ponte num desses redemoinhos d'água, onde a água quase não dava pé. Dávamos as nossas braçadas e pernadas, com o que logo alcançávamos vau, pouco extenso que era o fojo do pequeno curso. Engraçado: há pouco tempo estive no local com o irmão desses folguedos. O local, diferente, o ribeirão, acanhado, quase rasoura ou varador só, a ponte não está no mesmo lugar, foi arredada um tantinho pra baixo donde ficava, nem tem a altura de antes, quando a água das cheias chegava quase a cobri-la e torná-la ponte afogada; agora, parece de menor caudal. Ou seria porque, como ressabido, demuda a dimensão do mundo entre a visão da criança e a do adulto? Porém, perto dali, no início da cerca de arame farpado, varando espigão, na confrontação do pasto do Borges com o da cozinha, como cógnitos esses pastios, continua de pé o mourão de braúna, de ponta chanfrada, pra não juntar água de chuva. Braças de rodo o cujo, já desbotado o negro da madeira, dando mostra das mazelas do tempo. Fora fincado como mourão da então recém-confeccionada cerca de arame farpado, de quatro fios, tesos que nem corda de violão – por certo, arte do seu Luis Pires. Tão parrudo o madeiro, que nem careceu de estronca para firmá-lo chão adentro, para não se mover com a torção do aramado. Serviria ainda, a partir daí, para demarcar o tempo vindouro! A mando do papai, cravei-lhe a formão a data, já bosqueja, de 19 de julho de 1963. O então quase-cunhado Otacílio Marilac, vindo da Fazenda Marinheiro, onde tinha naco de terras, com destino à cidade para noivar minha irmã (com quem se casaria em 21 de dezembro seguinte), ficou escarranchado e fumando por meia hora ou mais à sela do cavalo ajaezado, sobre a ponte, olhando ali perto o meu labor de entalhador das dúzias (expressão da mamãe, para designar algo pouco valioso), para depois, concluída a datação do grosso tronco, seguirmos em conversê a penates. Faz pois meio século – e lá vai pedra! – o episódio.
[...]

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Prefácio à recém-publicada obra 'Memórias & Reflexões', de J. Geraldo



https://bragadarocha.blogspot.com/2020/04/memorias-e-reflexoes.html


Recebi de meu caríssimo tio J. Geraldo — a quem, conforme cediço, sempre prestei a devoção que se rende a um pai — a incumbência, tão honrosa quanto árdua e desafiadora, de compor o prefácio desta substanciosa obra, com que traz ele a lume suas Memórias & Reflexões, produzidas e recolhidas ao longo dos mais de 70 anos de vida. 

Não poderia cultivar a pretensão de entabular, em breve e modesto escrito como este, um autêntico diálogo com a vasta extensão e pluralidade de lembranças e idéias contidas no livro, assentadas sobre um amplo, rico e não raro erudito universo de interesses, que vão da experiência da vida interiorana e rústica à ciência e à cosmologia, das tradições culinárias à filosofia, das manifestações da linguagem à política, da sétima arte à poesia, do folclore regional à onomástica e à toponímica, do conhecimento jurídico à teologia, da literatura universal à história. 

De muitos desses interesses, aliás, ensinou-me o autor a compartilhar, em meio a divagantes prosas e deleitáveis tertúlias que, desde ao menos minha adolescência, de tempos em tempos costumamos ter, a varar a madrugada — no intimista e acolhedor espaço da cozinha de sua casa ou no instigante ambiente de sua valiosa biblioteca, que sempre freqüentei —, quase invariavelmente regadas a um saboroso café ou a inspiradores beberes outros. 

Vejo consignar-se, dessarte, no longo e denso texto ora publicado — ad perpetuam memoriam, pois conforme preceitua o velho adágio: scripta manent! —, muito do fértil e imensurável saber do autor, de que um naco pude haurir em longo aprendizado, assim como profusas notas, referências e libações à gloriosa, conquanto por vezes dura e penosa, trajetória pessoal, familiar e social de muitos coetâneos seus e de tantos antepassados nossos em comum, cingidos todos pelas relações de amizade ou por linhagem de estirpe. 

A mim, porém, cumpre e importa salientar, sobretudo e com preeminência, para tento do leitor que por estas páginas decida se aventurar, o belo, precioso e fecundo registro, que a obra congrega e nos convida a degustar, da magnífica realidade da vida quotidiana em um peculiar rincão das Minas Gerais, nomeadamente ao longo de meados do século XX, com seus personagens, seus modos, seus códigos, seu linguajar, seus usos e costumes, suas tradições — uma realidade escassamente ou nada conhecida pelas subseqüentes gerações, até porque a pouco e pouco dissipada ou mesmo já extinta com o advento do complexo e multifário modus vivendi contemporâneo. 

Eis, pois, o tipo de obra que, embora perpasse com nitidez o gênero autobiográfico, a ele não se confina — antes, está a representar, estreme de qualquer dúvida, valioso acervo de elaborados registros, via recordações e reminiscências várias, concernentes a um tempo e a um lugar da non perdersi na memória coletiva do porvir —, e que se destina a ocupar, em nossa biblioteca, aquele singular e nobre espaço no qual se situam livros que não apenas desejaríamos ter escrito, em possuindo talento e determinação bastantes para tanto, mas, sobretudo, cujas passagens e histórias gostaríamos de ter o privilégio de haver testemunhado e vivido.

Belo Horizonte, janeiro de 2020
Renato Amaral Braga da Rocha



quarta-feira, 15 de abril de 2020

'Memórias & Reflexões', por José Geraldo Braga da Rocha


É com grande satisfação que faço saber a familiares e amigos, e a quem mais interessar possa, que acabam de sair do prelo os primeiros exemplares da obra Memórias & Reflexões, de autoria de meu caríssimo tio, peçanhense de escol e magistrado José Geraldo Braga da Rocha — cujo prefácio tive a honra de escrever e cuja edição, do design à materialização do corpus mechanicum, foi cuidada com extraordinário esmero pela escritora, artista plástica e produtora cultural Dôra Borges. 

Em breve, pois, conforme já anunciado, haverá a obra de ser encontrada em algumas das mais prestigiosas bibliotecas públicas e privadas de Santo Antônio do Descoberto do Peçanha, das Minas Gerais e do País.


Prefácio à obra, por
Renato Amaral Braga da Rocha





domingo, 2 de outubro de 2016

Derradeira manifestação da candidatura de Professor Braga da Rocha nas eleições de 2016








Amigos:

Encerrada a apuração das urnas nestas eleições de 2016 à Câmara Municipal de Belo Horizonte, o resultado afinal se apresentou, na perspectiva de nossa candidatura, não muito animador.

Apuraram-se em favor da candidatura algo em torno de parcos 0,01% do total de votos válidos, o que corresponde a uma discreta posição n. 37 na lista de candidatos do Partido Trabalhista Cristão - PTC, agremiação que, conquanto tenha lançado mais de 60 nomes ao pleito, acabou por alcançar efetivamente apenas uma cadeira na Câmara.

Sem embargo, para uma candidatura estreante cuja modesta campanha foi feita praticamente com ‘orçamento zero’ — isto é, sem contar com qualquer doação pecuniária, ressalvados valores correspondentes, por estimativa, a prestação de serviços graciosos por terceiros e ao fornecimento de material gráfico pelas vias partidárias —, unicamente baseada na adesão espontânea e desinteressada de amigos, familiares e colegas de ofício, tal resultado não é de todo surpreendente.

Do processo, porém, extraem-se importantes lições, entre quais me permito salientar talvez a mais óbvia e também a mais significativa: a frustrante certeza de que, a despeito das variadas medidas progressivamente adotadas pela Justiça Eleitoral para reduzir a interferência do poder econômico no processo de escolha da representação política, segue inviável a realização de uma campanha sem o dispêndio de significativos montantes, de modo a criar condições mínimas para o êxito da candidatura.

Assim é que, embora renovada em pouco mais de 50% a composição da Câmara, nela seguem impávidos, reconduzidos ou alçados à vereança pela primeira vez, variados representantes da ‘velha política’ —
conforme convencionou chamá-los o deputado Luís Tibé, candidato a prefeito pela coligação de que participou o PTC nas eleições majoritárias deste ano —, ou da velha forma de fazer política, baseada, quando muito, em idéias anacrônicas ou abstrusas, senão em anosas práticas escusas e dissociadas do interesse público.

Mas do processo resulta também a indizível satisfação pelas incontáveis interações pessoais havidas, que produziram singulares e profícuos intercâmbios de idéias — as quais foram apresentadas, em linhas gerais, na Carta Programática da candidatura — e de que podem resultar, no porvir, novas iniciativas de natureza política, partidária ou não, de nossa parte ou de quaisquer daqueles que comungam dos mesmos valores e de semelhante ideário.

A todos que participaram direta ou indiretamente do processo — não só por meio do efetivo sufrágio nas urnas, mas também do inequívoco apoio manifestado pelos mais diversos meios e formas —, registro aqui meus agradecimentos, na expectativa de que possamos seguir a contribuir para a construção de uma cidade melhor para se viver e de uma sociedade mais justa e democrática neste país.


Belo Horizonte, 2 de outubro de 2016




quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Carta Programática da candidatura de Professor Braga da Rocha à Câmara Municipal de Belo Horizonte






Das conversações mantidas com lideranças políticas e comunitárias, bem como com inúmeros apoiadores — dos mais diversos perfis profissionais e condições sócio-econômicas, habitantes de diferentes regiões de Belo Horizonte —, resultou a formulação, ao longo deste primeiro mês de campanha, da Carta Programática da candidatura de Professor Braga da Rocha - 36360 à Câmara Municipal de Belo Horizonte, nestas eleições de 2016, que ora se apresenta sintetizada nos seguintes pontos:


I - Fortalecimento do controle da Administração municipal

O controle da legalidade e da qualidade gerencial das ações do Poder Executivo — usualmente negligenciado pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte — deve passar a constituir papel fundamental do Poder Legislativo, por meio de efetivo acompanhamento da gestão municipal e permanente fiscalização da regularidade dos atos do prefeito, dos secretários e dos demais agentes públicos.


II - Prioridade às políticas sociais

Contrariando os valores estabelecidos ao longo dos últimos anos na gestão municipal de Belo Horizonte, que parece resumir sua atuação à velha máxima ‘governar é fazer obras’ — no caso, diga-se de passagem, obras de engenharia de elevado custo e eficácia altamente duvidosa —, a atuação do Poder Legislativo deve centrar-se na determinação de políticas de cunho social relacionadas, nomeadamente, a educação, saúde, cultura, geração de renda e preservação da qualidade de vida no espaço urbano.


III - Revalorização do espaço urbano

Impõe-se reformular as políticas urbanísticas para a Capital, especialmente aquelas relacionadas à verticalização e ao fenômeno do uso invasivo e deletério de imóveis com fins comerciais em zonas residenciais, como instrumento de melhoria da qualidade de vida na cidade, com reflexos diretos no meio ambiente (temperatura ambiental, poluição atmosférica e regime de águas) e na mobilidade urbana.


IV - Atenção à dignidade essencial dos animais

Empenho na adoção de políticas que têm como pressuposto o reconhecimento da dignidade essencial dos animais, por meio de medidas tais como programas públicos e gratuitos de saúde animal, além da adequada alocação daqueles que vivem pelas ruas, bem ainda a revisão dos critérios de autorização para o funcionamento e de fiscalização de estabelecimentos comerciais que lidam com animais.


Belo Horizonte, 15 de setembro de 2016 




domingo, 20 de março de 2016

Manifesto: Juristas Mineiros em Defesa da Democracia








Juristas mineiros em defesa da democracia


Para o poder ideológico que ataca a democracia de forma disfarçada, o importante não é viver numa democracia, mas que as pessoas, inocentemente, acreditem que nela vivam. O mesmo vale para o estado constitucional. O que vemos acontecer de forma grave e agressiva é um teatro, em que a forma oculta o conteúdo. Julgamentos, processos, carros de polícia, parlamentares, jornais, televisão, becas, togas, ternos e gravatas... todo um aparato tragicômico para justificar o desmonte de um projeto de transformação social.

Parece que não há mais espaço para os “golpes de estado” no estilo da década de 1960 e 1970. Tanques de guerra nas ruas, prisões sem mandado judicial, torturas escancaradas, parecem não agradar a maioria da opinião pública do mundo. Os golpes hoje são mais sofisticados. A grande mídia parece ter perdido qualquer pudor quanto à manipulação, distorção e encobrimento de fatos. Existe mais tecnologia para encantar as pessoas, e o teatro do absurdo é permanente. Assistimos à espetacularização de prisões, expondo as pessoas à destruição pública.

O discurso do combate à corrupção é instrumentalizado para dissimular os autênticos interesses e a história parece querer se repetir com incrível semelhança: 1954 (Getúlio Vargas) e 1964 (João Goulart).

Em meio a tudo isto, um grupo de pessoas perdidas no fogo cruzado da guerra ideológica que incentiva o ódio à diferença. Estudar, compreender o que se passa é possível e necessário. As Forças Armadas têm a função constitucional de preservar a soberania. Jamais poderiam intervir para destruí-la como querem alguns poucos. Estamos em meio a uma guerra ideológica e econômica. A solução é mais democracia, participação, informação diversa e respeito à Constituição.

O que se espera das autoridades do Estado e de seus poderes é a imparcialidade fundante. O espírito republicano, mais além de crenças e ideologias pessoais, desafia o ofício radical da democracia e exige de todos os cidadãos responsáveis pela interpretação e aplicação da lei, na Magistratura ou no Ministério Público, um exercício rigoroso de imparcialidade.

No desempenho dessas funções vitais não pode haver preferências e antipatias e muito menos ódio político ou de qualquer ordem. Esses cidadãos, no exercício de suas funções, não podem ter outra ideologia senão aquela constitucionalmente adotada: o respeito às leis, à Constituição, suas regras, princípios e valores. Reverência a essas cláusulas pétreas, intocáveis, seja por qualquer maioria parlamentar, seja por qualquer decisão dominante, seja por qualquer qualidade de hegemonia. Reverência, sim, à essencialidade do sentido contramajoritário da função judiciária e dos direitos fundamentais da pessoa humana.

O papel da Constituição, na democracia, é de impedir que tentações messiânicas possam se tornar coativas em algum momento. Não é necessário experimentar o veneno para descobrir que ele mata. Não precisamos experimentar novamente o autoritarismo para saber que ele mata, tortura e destrói. A Constituição é intocável; em suas cláusulas pétreas ela se confunde com a democracia.

Belo Horizonte, 20 de março de 2016


Adriana Campos Freire Pimenta, Juíza do Trabalho em Belo Horizonte
Adriana Campos Silva, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Adriana Goulart de Sena Orsini, Juíza do Trabalho em Belo Horizonte, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Alice de Souza Birchal, Desembargadora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e Professora da PUC-MINAS
Alexandre Gustavo Melo Franco de Moraes Bahia, Professor da Faculdade de Direito de Ouro Preto
Andréa Bahury, Professora de Direito Processual Penal da Escola Superior Dom Helder Câmara
Angela Castilho Rogedo Ribeiro, Juíza do Trabalho em Belo Horizonte
Anselmo Bosco dos Santos, Juiz do Trabalho em Araçuaí
Bernardo Gonçalves Fernandes, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Caio Augusto Souza Lara, Doutorando em Direito, UFMG
Carlos Henrique Tôrres de Souza, Promotor de Justiça em Minas Gerais
Carolina Lobo, Advogada em Minas Gerais, OAB/MG 152.921
Charles Etienne Cury, Juiz do Trabalho em Belo Horizonte
Cláudia Beatriz de Sousa Silva, Analista Judiciário e Oficial de Justiça no TRT-MG
Cláudio Daniel Fonseca de Almeida, Promotor de Justiça em Minas Gerais
Daniel Gaio, Professor Doutor UFMG
Daniel Melo Franco de Moraes, Sociólogo e Mestre em Direito
Daniela Bonacorsi, Professora da Faculdade de Direito da PUC-MG
Daniela Muradas, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Davi Diniz, Professor UNB/UFMG
Dayse Maria Andrade Alencar, Procuradora Municipal e Mestre em Direito Público
Edson Baeta, Promotor de Justiça em Minas Gerais
Elaine Noronha Nassif, Procuradora do MPT-MG
Elton Dias Xavier, Professor UNIMONTES e FADISA
Emílio Peluso Neder Meier, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Fabrício Polido, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Fábio de Sá e Silva, Pós Doutor pela Harvard Law School
Fernando Rios Neto, Desembargador do TRT-MG
Geraldo Emediato, Procurador do MPT-MG
Geraldo Reis, Professor da Faculdade de Direito da Unimontes
Gisele Cittadino, Professora da PUC-RJ
Graça Maria Borges de Freitas, Juíza do Trabalho em Ouro Preto
Hadma Christina Murta Campos, Juíza do Trabalho em Minas Gerais
Helena Honda Rocha, Juíza do Trabalho em Minas Gerais
Heleno Rosa Rosa Portes, Procurador de Justiça em Minas Gerais
Hellen Caíres, Defensora Pública do Estado de Minas Gerais
João Gabriel Fassbender Barreto Prates - Advogado e Mestrando em Direito, Faculdade de Direito Milton Campos
José Barbosa Neto Fonseca, Juiz do Trabalho em Minas Gerais
José Eduardo de Resende Chaves Júnior (Pepe Chaves), Desembargador do TRT-MG
José Emilio Medauar Ommati, Professor Doutor PUC Minas Sêrro
José Luiz Quadros de Magalhães, Professor Direito Constitucional UFMG
Juliana Bastone, Professora da Faculdade de Direito da PUC-MINAS e Defensora Pública de Minas Gerais
Kelly Cristine Baião Sampaio,  Professora da Faculdade de Direito da UFJF
Leonardo Isaac Yarochewsky, Advogado e Professor de Direito Penal da PUC-Minas
Lucas Alvagenga Gontijo, Professor da Faculdade de Direito da PUC-MINAS
Lucas Vanucci Lins, Desembargador do TRT-MG
Luiz Moreira Gomes Júnior, Diretor Acadêmico da Faculdade de Direito de Contagem e Professor Visitante do Programa de Pós-graduação da PUC Rio. 
Luciano Ferraz, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Paula Cantelli, Desembargadora do TRT-MG
Manoel Barbosa da Silva, Desembargador do TRT-MG
Marcella Furtado de Magalhães Gomes, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Marcelo Gonçalves Campos, Auditor Fiscal do Trabalho em Minas Gerais
Marcelo Pertence, Desembargador do TRT-MG
Maria Fernanda Salcedo Repolês, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Mariah Brochado, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Marcelo Maciel Ramos, Professor de Filosofia do Direito da UFMG
Márcio Rosa Portes, Professor da Faculdade de Direito do IFMG.
Márcio Toledo, Juiz do Trabalho em Belo Horizonte
Márcio Tostes Franco, Juiz do Trabalho em Belo Horizonte
Márcio Túlio Viana, Desembargador aposentado do TRT-MG, Professor UFMG-PUCMINAS
Marco Antônio Silveira, Juiz do Trabalho em Minas Gerais
Margarida Barreto de Almeida, Auditora Fiscal do Trabalho em Minas Gerais e Mestre em Direito pela PUC-MINAS
Maria do Rosato Barbato, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Misabel Derzi, Professora da Faculdade de Direito da UFMG
Marina Caixeta Braga, Juíza do Trabalho em Divinópolis
Natália de Souza Lisbôa, Professora do Departamento de Direito da UFOP
Nelson Henrique Rezende Pereira, Juiz do Trabalho em Minas Gerais
Nívia Mônica da Silva, Promotora de Justiça em Minas Gerais
Onofre Batista, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Rafael Soares Duarte de Moura - Professor e Coordenador FADISA Montes Claros
Raquel Fernandes Lage, Juíza do Trabalho em Lavras-MG
Reinaldo Silva Pimentel - Professor Mestre FADISA Montes Claros
Renata Furtado de Barros, Professora de Direito Constitucional e Internacional da PUC-MINAS
Renato A. Braga da Rocha, Professor e Assessor Jurídico da Reitoria da UFMG
Rosângela Alves da Silva Paiva, Juíza do Trabalho em Minas Gerais
Rosângela Pereira Bhering, Juíza do Trabalho em Conselheiro Lafaiete
Sheldon Geraldo de Almeida, Professor da Faculdade de Direito da PUC-MG, Arcos
Sônia Toledo, Procuradora do MPT-MG
Tatiana Ribeiro de Souza, Professora do Departamento de Direito da UFOP
Thomas da Rosa Bustamante, Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Valdênia Geralda de Carvalho, Professora da  Escola Superior Dom Helder Câmara
Vinicius Moreira de Lima, Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MINAS
Virginia Kirchmeier, Professora do CADE-MG
Wanessa Mendes de Araujo, Juíza do Trabalho em Minas Gerais

ADESÕES RECEBIDAS DA COMUNIDADE JURÍDICA INTERNACIONAL

Elvia Barrios, Ministra da Suprema Corte do Peru
Fernando Salinas, Ministro da Suprema Corte da Espanha
Jordi Augusti, Ministro da Suprema Corte da Espanha
Roberto Contreras, Ministro de Corte no Chile, Presidente da Rede Latino-americana de Juízes – Chile
Adoración Guaman, Professora da Universidade de Valência – Espanha
Agustín Lovera Cañete, Magistrado do Tribunal de Apelação Penal – Paraguai
Alicia Pastor Camarasa, Advogada de Direitos Humanos – Bélgica
Amparo Merino Segovia, Professora da Faculdade de Direito UCLM – Espanha
Ana Murcia Claveria, Professora da Faculdade de Direito da Universidade de Valladolid e Diretora da Cátedra de Dialogo Social
Antonio Baylos Grau, Catedrático da Faculdade de Direito da UCLM – Espanha
Antonio Loffredo, Professor da Faculdade de Direito de Siena – Itália
Carlos Ala Santiago Rivera, Catedrático da Faculdade de Direito da Universidad San,Juan de Puerto Rico, recinto Rio Piedras – Porto Rico
Carlos Petit Calvo, Catedrático de Historia do Direito da Universidade de Huelva – Espanha
Dolores Santos, Professora da Facoltà di Giurisprudenza dell'Università degli Studi di Siena - Itália 
Edwin Figueroa Gutarra, Juiz Superior em Lambayeque – Peru
Emma Rodriguez, Professora da Universidade de Vigo – Espanha
Francisco Trillo, Professor da Faculdade de Direito da UCLM – Espanha
Gabriela Merialdo, Desembargadora no Uruguai
Gianluigi Palombella, Professor da Faculdade de Direito da Università Degli Studi di Parma – Itália
Gonçal Mayos Solsona, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Barcelona – Espanha
Guillermo Gianibelli, Professor da Faculdade de Direito da Universidad de Buenos Aires – Argentina
Horacio Meguira, Professor da Faculdade de Direito da Universidade Buenos Aires e Director do Gabinete Jurídico de CTA – Argentina
Hugo Barretto,  Professor da Faculdade de Direito UDELAR  Uruguai
Isabel Torres Vega,  Juíza Provisória da Suprema Corte – Peru
Jaime Cabeza Pereiro, Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Vigo – Espanha
Jaqueline Yalán Leal, Juíza Superiora – Peru
Jesus Rentero Jover, Desembargador do Tribunal Superior de Justiça de Castilla La-Mancha – Espanha
Joaquin Aparício Tovas, Catedrático da Faculdade de Direito da UCLM – Espanha
Joaquín Perez Rey, Professor da Faculdade de Direito da UCLM – Espanha
Joan Coscubiela Conesa, Advogado e Deputado no Parlamento da Catalunha – Espanha
Juan-Ramón Capella, Professor da Universidade de Barcelona – Espanha
Juan Terradillos Basoco, Catedrático de Direito Penal da Universidad de Cádiz – Espanha
Laura Mora Cabello de Alba, Professora da Faculdade de Direito da UCLM
Luigi Mariucci, Professor da Universidade Ca Foscari de Veneza – Itália
Luis Collado Garcia, advogado e Professor Associado da UCLM, Editor da Editora Bomarzo – Espanha
Luis Roberto Salas, Magistrado Nacional, Tribunal Oral Penal – Argentina
Maria José Romero Rodenas, Catedrática da Faculdade de Direito da UCLM – Espanha
Matthew Kramer, Catedrático de  Filosofia do Direito da Universidade de Cambridge – Reino Unido
Manuel Atienza, Professor Catedrático de Filosofia de Direito da Universidad de Alicante
Rafael de Asís Roig, Catedrático da Faculdade de Direito da Universidad Carlos III – Espanha
Ramons Saez Valcarcel, Magistrado da Sala Penal da Audiência Nacional – Espanha
Roberto Pagés Llovera, Desembargador do Tribunal de San Juan – Argentina
Salomon Saavedra Dorantes, Juiz aposentado – México
Sebastián Martin, Otro mas, Profesor História do Direito da Universidade de Sevilha – Espanha
Teresita Ricardi, Vice-Presidente de Estudos para a Integração da Rede Latino-americana de Juízes – Paraguai
Vania Boutaud, Juíza de Garantia  Chile


[publicado em primeira mão no blog do Prof. Dr. José Luiz Quadros de Magalhães,
em http://joseluizquadrosdemagalhaes.blogspot.com.br]












sábado, 2 de fevereiro de 2013

Novo estádio, velhos vícios









quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

115 anos de Belo Horizonte




Use o atalho contido na imagem  supra para conhecer a programação
das festividades oficiais pelo aniversário de Belo Horizonte



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mozart Lisboa e a "estratégia macumbística de moralidade canalhesca e eficácia duvidosa" de Aécio Neves


O senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais, principal pré-candidato da oposição às eleições presidenciais de 2014, concedeu na semana passada entrevista à revista Época.


Um fundamental equívoco estratégico cometido por Aécio não passou desapercebido ao colega Mozart Lisboa, insigne representante de minha geração na Casa de Afonso Pena e autor de escritos inspiradíssimos sobre os mais variados temas, nomeadamente direito e política. 


Entre as curtas e impagáveis 'pérolas' usualmente publicadas pelo Mozart em rede social de que participo, encontra-se nesta semana a seguinte, que, com sua vênia, faço aqui reproduzir: 


"Li a entrevista do Aécio Neves na Época. 
Dentro do PSDB, é barbada. Mas se ele fizer o mesmo discurso nas eleições, perde por "knock out" no primeiro turno. O homem só fala de problemas ligados ao dinheiro.
Ora, se for só esse o tema, duvideodó que o grande empresariado esteja insatisfeito com o "capitalismo chinês" do governo e que o povão queira perder a mesada (o Bolsa-Família é a criança do PSDB, que foi sequestrada pelo PT e registrada em nome deste último em cartório).
Não vejo o menor sinal do alegado "cansaço do modelo". Se a prosa for só essa, Governador, o Sr. terá que torcer para a crise dasabar sobre nós, estratégia macumbística de moralidade canalhesca e eficácia duvidosa.
(do capítulo Corrupção e Democídio Não Se Discutem Em Eleição, da obra Verdades e Outras Lorotas Sobre Porríssima Nenhuma, página por escrever)"


A entrevista com Aécio Neves pode ser lida, conforme publicada no sítio de Época, por meio do atalho infra



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Na expectativa do 'derby' da degola


Contrariando a expectativa inicial da generalidade dos mineiros, o confronto entre Atlético e Cruzeiro que encerra a participação de ambos os clubes no Campeonato Brasileiro de 2011, no próximo domingo, 4 dez., não envolverá disputa de título ou de vaga na Copa Libertadores, senão a modesta expectativa do primeiro de, no próximo ano, ocupar uma vaga na Copa Sul-Americana, e do segundo a última esperança de livrar-se do rebaixamento para a segunda divisão do Brasileirão.



Quase tanto quanto fiquei entristecido pelo decesso do América — fulminado na semana passada pela irresistível força do Tricolor Paulista, quando vinha a bater um a um os líderes do certame —, não me agradaria ver também o Cruzeiro a cerrar fileiras entre os times de segunda linha no ano que vem, o que é incompatível com a história e a tradição futebolística do clube. 


Mas, a julgar pela recente trajetória de um e de outro neste campeonato, o jogo do próximo fim de semana entre um renovado Atlético e um abatido Cruzeiro tem tudo para se converter no primeiro 'derby da degola' do futebol mineiro em todos os tempos.