Espaço de diversificado conteúdo de natureza jurídica, política, acadêmica, filosófica, ética, literária e artística, entre outros assuntos tão variados como gastronomia, gestão pública e defesa do consumidor. Seguimento do congênere, ora inativo, publicado até 2010 no portal UOL.
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sábado, 15 de dezembro de 2012
sábado, 18 de agosto de 2012
Restaurantes: custo 'versus' benefício
O guia eletrônico de experiências gastronômicas Notas de Sabor propõe uma enquete a respeito dos restaurantes de melhor relação entre e custo e benefício, na perspectiva dos leitores.
Consignei na respectiva página no Facebook minha opinião acerca de estabelecimentos que freqüento em Belo Horizonte, aproximadamente nos termos seguintes:
É nada difícil apontar, como fazem tantos, alguns do melhores e mais tradicionais restaurantes de Belo Horizonte, como o Vecchio Sogno ou o Taste Vin: oferecem ótima cozinha e, a meu juízo, cobram por isso um preço que se pode dizer justo — mas que não é, propriamente, camarada.
Todos eles, porém, merecem severas ressalvas quanto aos números registrados à direita na carta de vinhos, que envolvem sobrepreços à beira do abuso ou mesmo da desonestidade — prática, de resto, comum nos restaurantes de todo o País —, da ordem de 300 ou 400% em relação às delikatessen.
Procurando, pois, realmente atender à proposta do post, minha indicação de estabelecimento que apresenta melhor relação entre custo e benefício vai para o sóbrio e despretensioso Amadeus, que oferece, além de cozinha bastante aceitável, uma das melhores adegas da cidade a preços muito, mas muito mesmo, aquém da média do mercado — praticamente preços de supermercado.
Fica, portanto, a dica: na capital mineira, Amadeus (www.amadeusbarerestaurante.com.br).
terça-feira, 31 de julho de 2012
Degustação com Braga da Rocha - edição de inverno, 2012
Realizou-se nesta terça-feira a edição do mês de julho de 2012 da informal degustação entre amigos que costumo promover no sempre recomendável Reduto da Cerveja.
Na pauta central, algumas pilsner da República Tcheca: Praga, Urquell e 1795, degustadas nesta ordem.
Demasiadamente leve e aromática, a Praga não correspondeu às expectativas que se costumam cultivar em relação às cervejas de sua procedência. A Urquell, por sua vez, padrão da estirpe, de que sempre tive a melhor das impressões, decepcionou em perspectiva comparativa direta com a 1795, que nessa degustação revelou mais personalidade, com presença de lúpulo muito mais marcante.
Para completar o percurso, duas ale da casa Fuller's, de Londres, nesta ordem: London Pride e Indian Pale Ale.
Premium ale clássica, a London Pride não deixa a desejar para quem procura uma boa cerveja inglesa. Tem textura e sabor suaves, ao caramelo, sem deixar de revelar agradáveis notas frutadas. Mas já me impressionou mais positivamente, noutras ocasiões. De sua aparentada IPA pode-se dizer tendente ao padrão das cervejas fortes e marcantes, que mais me agradam: embora tenha textura não muito densa, é aromática e apresenta um amargor que evoca tanino, acentuado porém equilibrado.
After hours, resolvi dar-me o derradeiro prazer de uma weizen alemã. Escolhi um espécime algo atípico: a Schneider Weisse Tap 5 - Meine Hopfenweisse, feita pela tradicional casa tedesca em parceria com a cervejaria norte-americana Brooklyn.
Trata-se de uma cerveja de trigo estupenda, mesmo para quem não é especialmente apreciador do gênero das weizenbier ou mesmo das weissbier. Com um corpo substancioso, revela alto teor de lúpulo e boa mescla de ingredientes aromáticos, além de notas de fruta que tendem ao cítrico. Apresenta aroma e sabor que lhe conferem personalidade única, em uma combinação intensa e singular de notas amargas e doces. Mais que simplesmente forte, a Schneider Tap 5 é, como dizem alguns, uma cerveja 'extrema'.
Eis o registro, amigos, ad perpetuam rei memoriam.
Até o próximo encontro!
domingo, 3 de junho de 2012
O agradável Brothers Beer em rumos hesitantes
No fim de semana passado tornei, após algum tempo de ausência, ao Brothers Beer, situado no bairro Prado, em Belo Horizonte.
A casa, que no passado recente esteve entre os meus lugares prediletos na cidade para degustar boas carnes e acompanhadas de cervejas idem, já não é mais a mesma.
O cardápio perdeu aqueles que eu considerava seus mais atraentes itens, como o bife de chorizo, o bife ancho e o fillet au poivre. E os demais cortes ditos 'nobres' ainda disponíveis, servidos em porções que se encomendam pelo peso, chegam à mesa, invariavelmente, muitas notas acima do ponto correto ou aceitável para um apreciador de carnes.
A carta de cervejas também foi drasticamente reduzida, perdendo tipos e rótulos importantes que outrora ostentava, tais como os pale ale e golden ale da Eisenbahn, de Blumenau, e outros de origem estrangeira, a dano dos apreciadores da bebida.
São restrições especialmente graves — embora feitas para atender a supostas limitações do 'mercado' — para um estabelecimento que se firmou com a reputação de boa cervejaria, como o próprio nome sugere, e competente grill house.
O serviço, entrementes, embora jamais se tenha podido considerar impecável, continua prestante e amistoso.
Desta feita, aliás, atendeu-me com simpatia à mesa o novo gerente do Brothers, de prenome Sérgio, o qual, além de providenciar com presteza a substituição do prato que chegara fora do ponto, ouviu com resignação minhas queixas e sugestões — que passam, necessariamente, pela melhor composição do bière menu e por mais acurada supervisão do grill — e me prometeu melhor experiência na próxima visita.
Como cliente da casa, que por ora sigo a me considerar, resta-me a expectativa.
domingo, 27 de novembro de 2011
Um Choppeto no 'happy hour'
Tornei neste fim de semana ao Choppeto, bar ao que parece há não muito em funcionamento na av. Contorno, n. 1.916, quase esquina com av. Assis Chateuabriand, no bairro Floresta, em Belo Horizonte.
Nesta como noutra oportunidade, meu cicerone foi o vizinho e habitué da taberna Roberto Auad — homem do Direito tanto quanto da política e da boêmia —, dileto amigo com quem ultimamente tenho tido o prazer de tornar a conviver, passados mais de vinte anos dos tempos em que freqüentávamos os bancos da Casa de Afonso Pena.
Minha segunda visita ao Choppeto — desta feita no início da noite, uma vez que o funcionamento da casa não avança muito pela madrugada — confirmou algumas das impressões que eu inicialmente tivera e me trouxe novas, umas altamente positivas, outras nem tanto.
A primeira, mais marcante e mais favorável delas diz respeito à atmosfera simples e informal, mas agradavelmente acolhedora, que convida o apreciador de bons botecos a se sentir em casa e se animar na prosa com os amigos.
Junte-se a isso uma natural simpatia e cordialidade na forma de receber e atender, o que em mim desperta, incontinenti, o desejo de tornar outras vezes ao local.
Contribui para tanto também um cardápio com boas opções, entre petiscos vários, de suculentos espetos preparados na brasa, bem servidos e a preços honestos. Experimentei e aprovei tanto a mozzarella quanto as mini-salsichas e o fillet envolto em bacon.
O menu musical, segundo soube disponível apenas em algumas noites da semana, constitui outro ponto alto da casa. Assisti à apresentação do músico Leo Barreto, cuja versatilidade permite que se ouça diversos gêneros de bom gosto — tais como rock, pop e MPB — com a mesma qualidade de melodia e fidelidade aos arranjos originais. A atração musical, por si, justifica a visita ao lugar.
É bem verdade que, uma vez lotada a casa — seja em razão da música, seja pelos demais atrativos —, alguns inconvenientes se fazem logo sentir.
O natural ruído ambiental conduz a uma elevação do volume do som a níveis algo desconfortáveis, tornando impossível, sobretudo na área interna, manter a conversação em tom civilizado.
A equipe de atendimento, por sua vez, parece insuficiente em número e, por mais boa vontade que revele, não se mostra capaz de servir com presteza e eficiência.
Em qualquer circunstância, a oferta de bebidas é limitada. Há coquetéis aparentemente bastante pedidos pela clientela, como a caipirinha, mas, para a grande maioria dos freqüentadores, que bebe cerveja, simplesmente não há escolha: são oferecidas apenas duas sofríveis marcas de pilsen comum, ambas igualmente insossas e destinadas a agradar tão-somente a paladares menos exigentes. Nem sinal das pilsen extra e premium, muito menos das cervejas escuras, de um lado, ou das weiss, de outro. E ao contrário do que sugere o nome, também não há chope como pièce de résistence do bar.
Por fim, além de não haver uma política clara e um modo bem organizado de registro de consumo — se por mesa ou por notas individuais de despesa —, o estabelecimento só recebe dinheiro ou cheque, deixando em 'palpos de aranha' aqueles renitentes e desprevenidos, como eu, usuários preferenciais de meios eletrônicos de pagamento.
Mas mesmo essa última limitação se contornara, quando de minha primeira visita, com a simpatia e a cordialidade a que há pouco me referi: sem dispor de suficiente dinheiro em espécie, acabei por combinar com o proprietário da casa de simplesmente pagar depois, lastreado, naturalmente, no poderoso aval de meu bom amigo Auad.
Assim, entre consideráveis atrativos e uns pequenos inconvenientes, todos facilmente corrigíveis pela administração, consigno aqui a recomendação, que tenho feito aos amigos, de usufruir no Choppeto de um agradável happy hour.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Xapuri: De ponto alto da cozinha mineira a reles 'fast food' domingueiro
Outrora um legítmo representante da alta cozinha mineira, o Xapuri, nos últimos anos, expandiu-se de tal forma que pôs a perder toda a aura de encanto e sofisticação que no passado costumava oferecer aos clientes.
Hoje não passa de um estabelecimento cujo atendimento é do tipo padronizado, em massa, contando talvez com algumas centenas de lugares, e cozinha que mais lembra a de um fast food que a de um bistrot.
Isso se reflete, naturalmente, na qualidade dos pratos e da experiência, de modo geral, que se tem ao freqüentar a casa, convertida em não mais que um restaurante vulgar, a que casais não muito exigentes comparecem para almoçar aos domingos, arrastando consigo seus ruidosos rebentos.
E os preços? Ah, os preços - consideravelmente mais elevados que os de estabelecimentos congêneres - não mudaram nadinha!
[texto revisto]
sábado, 8 de outubro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Godofredo
No bar Godofredo, situado no tradicional bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, um encontro intimista entre herdeiros e admiradores da tradição musical dos Guedes e dos Borges.
A oferta de petiscos é exígua, embora de qualidade. Infelizmente, os apreciadores de cerveja não são bem-vindos; vende-se apenas chope — como se, para quem sabe o que bebe, uma coisa pudesse substituir a outra. E o mojito que leva o nome da casa, um dos coquetéis que mais me chamaram a atenção no cardápio, é apenas razoável.
Mas a música de excepcional qualidade vale a noite de sexta-feira.

sábado, 13 de agosto de 2011
O impecável Vecchio Sogno e seu indefectível 'rib eye steak'
Depois de certo tempo sem freqüentar a casa, tornei mês passado ao restaurante Vecchio Sogno (http://www.vecchiosogno.com.br), nesta Capital mineira, para um jantar de sábado.
Como de costume, tem-se ali já à entrada atendimento impecável e ambiente agradabilíssimo. A isso se agrega o estacionamento fácil e o piano bar sob medida para um casual aperitivo.
Tive assim, desde logo, razões bastantes para crer que seguiria a considerar o Vecchio Sogno um dos meus estabelecimentos prediletos na cidade, como de resto o indicam entre os melhores os mais reputados guias gastronômicos do País.
Acomodei-me estrategicamente no Salão do Espelho e, após um breve e razoável antipasto, resolvi confirmar minhas impressões a respeito de um prato que experimentara há anos, quando ainda sequer se encontrava no menu regular do reputado chef Ivo Faria: o premium rib eye. Fi-lo acompanhar, contrariando o que indica o cardápio, de um risotto ai tre funghi.
Na pródiga e bem elaborada carta de vinhos do Vecchio Sogno busquei uma das variadas possibilidades de segura harmonização, o que encontrei — aliás por feliz inciativa do amigo brasiliense Rodrigo Marques, que dividia comigo a mesa ao lado de nossas respectivas eleitas — com um carmignano DOCG da Toscana.
Algo que muito valorizo em um restaurante, para além das novidades de ocasião, é perceber consistência na orientação do menu e regularidade na manutenção da qualidade da cozinha e do atendimento. Isso se tem seguramente — entra ano, sai ano, já há uma década e meia — quando se vai ao Vecchio Sogno.
Por outro lado, embora seja certo que qualidade sempre importe um preço considerável, incomoda-me sumamente sentir-me escorchado pela simples assinatura de um cozinheiro premiado ou pela ganância desmesurada do sobrepreço aplicado à enésima potência na coluna direita da tábua de Baco. E isso não se costuma ver no Vecchio Sogno, embora, em particular quanto ao vinho, nada obsta a que os preços pudessem ser mais razoáveis.
Sem embargo, porém — tal como comentei no velho Blog do Braga da Rocha à época em que experimentei o rib eye, então acompanhado de um bardolino do Veneto —, uma vez mais repito: o Vecchio Sogno, com uma refinada cozinha e uma vasta e selecionada adega, oferece algo que muito se aproxima de uma perfeita experiência gastronômica, razão pela qual apraz-me uma vez mais recomendá-lo, sem maiores reservas, a meus amigos leitores.
Premium rib eye steak, minha indefectível recomendação
no cardápio do impecável Vecchio Sogno
no cardápio do impecável Vecchio Sogno
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Um novo reduto para quem sabe apreciar cerveja
Recebi de meu irmão Luciano a recomendação de conhecer o Reduto da Cerveja, por ele descoberto recentemente na esquina de r. Curitiba com av. Álvares Cabral, em Lourdes, na Capital mineira.
Fui até lá em meados da semana passada, para conferir a dica, poucos dias antes de se manifestar a bronco-pneumonia da qual estou a convalescer.
A visita se justificou plenamente. O estabelecimento consiste em uma pequena distribuidora de cervejas, aos poucos convertida em casa de degustação, com algumas mesas dispostas na calçada. Nas prateleiras, algo em torno de 200 rótulos de cervejas especiais, dos mais diversos tipos e marcas, desde as ditas premium, de larga produção no Brasil e no exterior, até algumas artesanais elaboradas por pequenas cervejarias no País e mundo afora.
A boa experiência no Reduto da Cerveja é reforçada por um ambiente simples e agradável, propício para o encontro de verdadeiros apreciadores da bebida — que inclui desde decoração despojada e iluminação bem calibrada até o serviço em copos nos tipos e formatos adequados a cada tipo de cerveja —, além de uma recepção cordial e atenciosa de parte dos jovens empresários que conduzem a casa (o diretor Daniel Consendey coloca-se à disposição para contactos por meio do endereço eletrônico daniel@redutodacerveja.com.br ou do telefone 31-2515-1770).
Além do variado e bem selecionado estoque, da ambiência aconchegante e do serviço obsequioso, um atrativo que não se pode ignorar é a política de preços da casa, mantidos em patamares rigorosamente honestos, comparáveis àqueles praticados por grandes supermercados, distribuidores e congêneres — muito inferiores, portanto, aos cobrados por estabelecimentos conhecidos em Belo Horizonte por sua ampla carta de cervejas, como os indefectíveis Haus München e Frei Tuck, além do evitável e escorchante Café Viena.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Uma grata surpresa no Habib's Gutierrez
Há algumas semanas estive na loja de fast food Habbib's, no bairro Gutierrez, em Belo Horizonte, para comprar uma caixa de suas populares esfihas e, adicionalmente, experimentar dos novos bolinhos de bacalhau, objeto de intensa campanha publicitária exibida na tv.
Há tempos freqüento por simples comodidade o estabelecimento, em razão de se situar no bairro onde durante anos morei e de ser próximo de quase todos os meus pontos de referência e apoio logístico na Capital mineira. Como antigo cliente, posso dizer com certa autoridade a respeito daquele que sempre foi, a meu juízo, um dos mais marcantes elementos característicos do Habib's, a rede de modo geral, e essa loja em particular: o mau atendimento.
Os funcionários do Habib's, à mesa, ao balcão ou no drive thru, sempre me pareceram mal treinados, mal remunerados, pouco estimulados e desinteressados. Tudo isso, naturalmente, faz-se refletir de imediato na qualidade do atendimento dispensado aos clientes, extremamente precário, no caso, ainda que para os despretensiosos padrões de uma simples cadeia de lanchonetes que se notabiliza por oferecer refeições rápidas de baixo custo.
Qual não foi minha surpresa, porém, ao experimentar, durante essa minha última visita, uma bastante expressiva e sensível mudança no padrão dos serviços do estabelecimento. Diante de minha demanda pelo lanche para portar a casa, o atendente no balcão foi solícito e diligente, o caixa foi simpático e rápido e, por fim, os produtos me chegaram às mãos em tempo recorde.
Durante o curto tempo em que aguardei, aproximou-se um supervisor ou gerente, de prenome Marcelo, a inquirir-me com sutileza e discrição quanto à minha satisfação em relação ao atendimento, fazendo-me, ainda, sugestões de produtos.
Ao final, tive ainda a grata surpresa de ali encontrar o colega Eduardo Rigotto, contemporâneo de graduação em Direito na UFMG, que, segundo me parece, é agora um dos responsáveis pelo empreendimento e que me confirmou a impressão de que, de fato, algo de fundamental havia mudado na casa.
Fica, assim, o registro de enfática recomendação em favor do Habib's Gutierrez, com a esperança de que o padrão de serviços que lá se encontra chegue, o quanto antes, também às demais lojas da rede.
domingo, 17 de abril de 2011
No Eddie Fine Burgers, o grotesco despreparo de um serviçal
Fui na noite de ontem, sábado, 16 abr., ao Eddie Fine Burgers localizado no bairro de Lourdes, na Capital mineira.
O Eddie Burgers é uma casa de lanches especiais, instalada num belo casarão de arquitetura típica dos meados do século XX, em uma das mais caras e sofisticadas regiões da cidade de Belo Horizonte.
A casa se anuncia como "o melhor hamburger da cidade", conforme se pode ler em seu sítio eletrônico (http://www.eddieburger.com.br/). E não se pode dizer que isso seja de todo exagero. De fato, os substanciosos e suculentos hamburgers lá servidos são feitos quase que artesanalmente, de carne de especial qualidade, submetida a moagem e prensagem diferenciada, segundo o tradicional old fashioned way norte-americano. A montagem dos sanduíches é feita em pães especiais, com ingredientes que se evidenciam cuidadosamente selecionados.
Tudo isso resulta em um cardápio repleto de opções altamente elaboradas e atraentes, que chegam a custar, registre-se, quatro ou cincos vezes o preço dos sanduíches das grandes redes de fast food, como McDonald's ou Burger King.
Não é por acaso que o estabelecimento andou recebendo, durante anos, destaque nos guias especializados no roteiro gastronômico da cidade, entre eles o Veja Belo Horizonte.
Nada disso, porém, subsiste à falta de uma clara e decidida política de atenção e respeito incondicionais ao cliente, a suas necessidades, seus gostos, suas preferências e mesmo às suas idiossincrasias. Exige-se também que as pessoas encarregadas do atendimento tenham acentuado traquejo nas relações interpessoais, habilidade em solucionar problemas sugidos com clientes e singular lhaneza no trato.
E em tudo isso a receita do Eddie Burgers desandou fragorosamente na noite de ontem.
Assim que cheguei ao estabelecimento, solicitei mesa do salão interno, dotado de poltronas mais confortáveis e de climatização. Não consegui. Em verdade estava por conseguir, mas minha preferência não foi respeitada e a mesa acabou destinada a outro casal. Embora já contrariado e irritado, dispus-me a aguardar o surgimento de nova mesa, desde que pudesse fazê-lo bebericando algo ou degustando um appetizer no átrio externo. E então começaram meus maiores dissabores da noite.
Foi-me dito que eu não poderia aguardar o surgimento de mesa no ambiente interno enquanto recebesse atendimento na área externa. Se eu desejasse mesa lá dentro, que esperasse na recepção. Como a recepção estava bastante concorrida, teria de esperar de pé.
Ao protestar veementemente contra essa absurda e hostil sistemática de atendimento, ou de não atendimento, a resposta que tive, antes que o empenho em resolver a já desagradável situação, foi uma reação despropositada, senão grotesca e mesmo violenta, da parte de um dos garçons, que passou a comigo discutir de modo ríspido e em tom alto de voz, para em seguida ofender-me verbalmente e mesmo sugerir que eu ali estaria prestes a ser fisicamente agredido.
O pequeno entrevero durou algo como longos e contrangedores dez minutos, entre minhas manifestações de inconformidade, tanto com o precário atendimento quanto por estar a ser tratado daquele modo incivil, e os insistentes diatribes do serviçal, que levaram a situação à beira das vias de fato.
Em meio a tudo isso interveio o gerente de prenome Miguel, que, após ouvir-me atenciosa e educadamente, negou ser usual a prática de impor aos clientes a espera de pé à entrada, contra o que eu protestara, e se desculpou, em nome do estabelecimento, pela comportamento descortês e grosseiro de seu funcionário — que pode ter lá seu talento profissional para administrar ração a tropa ou tanger gado, mas jamais para servir a clientes de um restaurante-lanchonete com o perfil de refinamento que pretende ter o Eddie Burgers.
Para evitar que se prolongasse o dissabor e restasse minha noite de sábado irremediavelmente comprometida, resisti ao impulso de comparecer à delegacia de polícia ali quase defronte para consignar, em boletim de ocorrência, a prática de crime de injúria ou mesmo de ameaça pelo rude e estulto subalterno.
Mas que fiquem sabendo meus caros leitores, que hoje se contam à razão de três ou quatro centenas por semana: o Eddie Fine Burgers apresenta-se como um estabelecimento que oferece ambiente agradável e serve excelentes lanches; todavia, é também um local onde se entra como cliente e de onde se pode sair, graças ao despreparo e à grosseria de um serviçal, na condição de vítima em uma ocorrência policial.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Baby Beef BH: Combinação compulsória de rodízio de carnes e sauna
Na última sexta-feira, 21 jan., a companhia de pessoas queridas levou-me ao restaurante Baby Beef BH, na região norte de Belo Horizonte, para o jantar.
O Baby Beef BH é um estabelecimento já tradicional na Capital mineira, que serve buffet variado e churrasco de carnes nobres no sistema de rodízio. Embora tenha cá minhas ressalvas a esse tipo de serviço, posso dizer que comi quase tão bem ali quanto fazia nos anos '90, quando freqüentava mais amiúde o lugar, então considerado um dos melhores grill restaurants da cidade.
Hoje, porém, os sinais gerais de decadência da casa são de todo evidentes e comprometem significativamente o prazer que o cardápio possa proporcionar à mesa.
Desde logo, à entrada, nota-se o ambiente um tanto envelhecido, carente de necessária reforma para substituição de móveis, materiais e revestimentos, todos algo gastos e ultrapassados.
Mas é aos primeiros minutos à mesa que se revela o maior desconforto ambiental: o sistema de refrigeração por ar condicionado simplesmente não funciona, ou não funciona com mínima eficiência. Antes, a temperatura interna do salão chega a ser maior que a externa, mercê do adensamento de pessoas e do calor dissipado por churraqueiras, rechauds e os variados pratos quentes servidos. Isso se revela especialmente incômodo em uma noite de pleno verão tropical a 30ºC, em meio a montanhas de média altitude, a centenas de quilômetros do sopro da brisa litorânea.
Não bastante isso, tem-se desagradáveis surpresas como ir ao toilette e não encontrar sequer as indefectíveis toalhas de mão descartáveis, e a inefável sensação da política de descaso com o cliente ao perceber que o gerente, cuja presença se reclamou à mesa, jamais comparecerá para cumprir o elementar dever de ouvir as justas e apropriadas queixas.
À vista disso pode-se dizer, em suma, que jantar no Baby Beef BH corresponde a uma singular experiência: Pedir um rodízio de suculentas carnes e levar, compulsoriamente atrelada, uma longa e intensa sessão de sauna, sem direito sequer a toalhas de papel para enxugar o suor vertido em bicas. E sem direito a reclamar, também.
Post scriptum:
Não faz muito tempo, tornei ao Baby Beef BH para atender a um compromisso social de natureza, digamos, compulsória.
Nesse dia, o ar condicionado aparentemente funcionava. Encontrei, também, tolhas de papel no rest room. O buffet e as carnes, que afinal são o que mais interessa, seguiram minimamente a contento.
Mas continua faltando em todo o staff do Baby Beef a singular cordialidade no atendimento, a preocupação de cativar o cliente e a atenção aos pequenos detalhes que, para mim, fazem toda a diferença ao escolher esse ou aquele estabelecimento.
Meu juízo negativo sobre a casa permanece, portanto, inalterado.
Post scriptum:
Não faz muito tempo, tornei ao Baby Beef BH para atender a um compromisso social de natureza, digamos, compulsória.
Nesse dia, o ar condicionado aparentemente funcionava. Encontrei, também, tolhas de papel no rest room. O buffet e as carnes, que afinal são o que mais interessa, seguiram minimamente a contento.
Mas continua faltando em todo o staff do Baby Beef a singular cordialidade no atendimento, a preocupação de cativar o cliente e a atenção aos pequenos detalhes que, para mim, fazem toda a diferença ao escolher esse ou aquele estabelecimento.
Meu juízo negativo sobre a casa permanece, portanto, inalterado.
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