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sábado, 29 de outubro de 2022

Compromisso com o Estado de Direito e integridade de caráter


Nesta véspera de segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, reafirmo o que manifestei por ocasião da primeira rodada do sufrágio, no sentido de cerrar fileiras da frente ampla contra o autoritarismo e o obscurantismo, representada, circunstancialmente, pela candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reúne, em expressiva coligação, nada menos que 10 partidos políticos e incontáveis apoios nos mais esclarecidos 
segmentos — à esquerda, ao centro e à direita — dos meios político, econômico, cultural e acadêmico nacionais. 

Anoto ainda, por oportuno: Em especial de quem tem formação jurídica, nomeadamente aquela haurida em universidade pública, espera-se que adote, neste crucial momento da vida nacional, postura de mínimo compromisso com o Estado de Direito e com a própria alma mater, não apenas como ato de rejeição ao autoritarismo e ao obscurantismo, mas também, inevitavelmente, como inequívoca demonstração de integridade de caráter. 

Tenho dito. 






Leia também:
https://bit.ly/3Nn9Ysv

 


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Retrocesso civilizatório



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Direito e cidadania às avessas




Dia desses comentei em curtas linhas, via micro-blog Twitter,  a notícia supra nos termos seguintes:

"Não tardou aparecer magistrado energúmeno a aplicar a Lei de Acesso à Informação contra o interesse dos cidadãos."

Um diletíssimo colega de ofícios jurídicos, que volta e meia me honra com a leitura desses escritos, em resposta ponderou, em linhas gerais, o seguinte:

Conquanto a Lei da Ação Popular assegure ao autor a faculdade de pedir ao juiz que requisite informações necessárias à instrução do feito, tem sido comum que os magistrados, em se tratando de dados que possam ser obtidos pela via extrajudicial, indefiram pedidos de requisição de informações a repartições públicas. 

Não deixa de ser questionável, antes de tudo, a política de indeferir pedidos de requisição judicial de informações pelo simples fato de que, ao menos em tese, tais informações se encontrem disponíveis pela via administrativa — ainda que isso represente um calvário para o interessado. Até porque se, como parece, esse é um direito subjetivo de natureza processual que assiste ao titular da ação popular,
não se afigura minimamente legítimo nem jurídico cerceá-lo, ou cassá-lo, por mera convicção de inércia ou mandriice funcional do magistrado.

Mas, conforme também escrevi alhures, meu ponto é menos técnico-jurídico ou administrativo e mais, digamos, político-filosófico. 

Cuida-se de evidenciar que não poucos juízes há — desses que, por indolência ou estupidez, deveriam fazer corar de vergonha seus pares na magistratura — prontos a aplicar, incontinenti, a norma jurídica em sentido diametralmente oposto à mens legis e, pois, aos fins para os quais a lei foi criada. 

E o fazem — como, no caso, o aparentemente obtuso magistrado gaúcho em relação à novel Lei de Acesso à Informação — sem o menor pejo disso, talvez porque jamais se tenham dado conta de que seu papel deveria ser precipuamente o de servir ao cidadão, como garantes do direito e da justiça, e não apenas a si mesmos e a tacanhas convicções e mesquinhos interesses que cultivam.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Impressões sobre o Citroën DS3, em 'première' na Grenoble


Compareci nesta noite, a convite da concessionária Grenoble, de Belo Horizonte, ao coquetel de apresentação local do Citroën DS3 Sport, veículo compacto super premium da marca francesa, recém-lançado no Brasil.

O carro, segundo as impressões que pude colher no show room da loja, corresponde plenamente ao que dele têm dito os mais abalizados e confiáveis representantes da imprensa especializada nacional, tais como M4R e Notícias Automotivas: trata-se de um produto que reúne esportividade, luxo e tecnologia em doses generosas, além de apresentar uma relação entre custo e benefício sensivelmente melhor que a de seus mais diretos concorrentes.

Concebido em intenso exercício de inventividade, com design de carroceria que traz prontamente à lembrança os carros-conceito que se vêem nos salões de automóvel mundo afora, o DS3 é um deleite para os olhos, desde o arrojado conjunto óptico na dianteira, passando pelas elegantes colunas laterais parcialmente ocultas pela ampla área envidraçada e chegando ao atraente painel de instrumentos com círculos em intersecção e luzes-espia no perímetro central. Agradam a vista e também ao tato, ainda, a alta qualidade da maior parte dos materais que revestem a cabine, com raro equilíbrio entre ousadia e bom gosto.

O propulsor — já conhecido no Brasil por equipar os Peugeot 3008, RCZ e, mais recentemente, 408 — é o eficiente e compacto quatro cilindros com 1,6 litros de capacidade cúbica, que gera consideráveis 165 cavalos de potência e, segundo testes publicados pela imprensa, leva o bólido da imobilidade aos 100 km/h em apenas 7,3 segundos, tal como fazem carros esportivos de categoria e preço muito superiores. O câmbio é de seis marchas, com acionamento manual, apenas.

As notas negativas ficam por conta da omissão no oferecimento, pela Citroën, de uma transmissão automática com trocas seqüenciais, o que se coadunaria perfeitamente com o espírito esportivo da máquina; do obsoleto eixo de torção traseiro, em lugar do sistema multi link, que se reputa obrigatório para um carro com pretensões esportivas nessa faixa de preço; e da imitação barata de fibra de carbono que exsurge em destom no deck do painel dianteiro, quando um revestimento outro qualquer — como, por exemplo, a textura emborrachada, o aço escovado ou mesmo o famigerado black piano — soaria muito mais elegante e honesto.

De qualquer modo, embora ao preço nada camarada de R$ 80 mil, em número redondos, parece assistir razão ao que escreve o editor do respeitado blog M4R, na comparação com alguns dos demais modelos do gênero oferecidos no mercado brasileiro: 

"O DS3 é um tiro de doze na boca do Audi A1, do Mini [outrora Cooper] e do [Peugeot] RCZ. O Audi é menor, menos bonito e bem mais fraco, com 122 cv. O Mini é igualmente mais fraco, em versão Salt de 120 cv, e bem menos equipado. E o RCZ, que é mais bonito e tem o mesmo conjunto mecânico, é vendido pelo preço absolutamente lunático de R$ 130 mil, completamente fora de qualquer propósito."

Outro apontamento desfavorável, em relação à première do DS3 realizada pela Citroën Grenoble, diz respeito ao despreparo da concessionária e de seu staff para a realização do  evento. 

Diferentemente do que aconteceu há cerca de dois anos, quando da apresentação do SUV ou crossover compacto AirCross, desta feita os funcionários não se encontravam a postos para exibir o veículo, demonstrar suas funcionalidades e informar as respectivas condições de comercialização aos potenciais compradores; não havia catálogos do lançamento diponíveis para todos; e o serviço de petiscos e de vinho, um acanhadíssimo frizzante rio-grandense, em lugar do obrigatório espumante francês ou italiano, revelou-se um primor de desatenção, ineficiência e sovinaria.

Resultado: Para além do gratificante contacto imediato com o corpus do produto, deixei o evento com o mesmo acervo de informações sobre o Citroën DS3 de que já dispunha previamente. Mantive também minha impressão pouco favorável à rede de concessionárias Citroën. E à saída, antes de lançar-me à redação da presente crítica, tive ainda de deter-me para 'molhar a palavra' numa taberna lá pelas bandas da Pampulha.








domingo, 27 de maio de 2012

Renault Duster 'versus' Citroën AirCross


O leitor Lucas Machado me propôs, há alguns meses, comparação entre os veículos Renault Duster, sobre o que já comentei aqui anteriormente, e Citroën AirCross, ambos da categoria de SUV compactos que concorrem em semelhante faixa de preço, em torno de R$ 60 mil, no mercado brasileiro.

A pergunta do leitor versava, basicamente, sobre itens como motorização, tecnologia, acabamento, conforto e design, além de consumo de combustivel e desvalorização no mercado. 

Respondi nos termos que adiante reproduzo, com ajustes, a fim de facilitar a pesquisa temática no Blog do Braga da Rocha:

Quanto ao Renault Duster, o conjunto motriz não decepciona, se se tem em consideração o modelo equipado com motor 2.0 litros, que rende 142 cv, acoplado seja ao câmbio manual de 6 marchas, seja ao automático de 4, com troca seqüencial.

O acabamento, porém, mesmo na mais cara versão Dynamique, é paupérrimo, com uma profusão de plásticos de duvidosa qualidade que não se vêem sequer em muitos dos carros ditos 'populares'.

Na comparação com o Citroën AirCross Exclusive, sobretudo, a diferença de qualidade do acabamento fica gritante. Agregue-se a isso o design com arroubos estilísticos e a tecnologia embarcada com generosidade, além dos variados requintes comumente oferecidos pela Citroën, para que o AirCross conquiste facilmente a simpatia do consumidor médio.

Todavia, o motor 1.6 litros da Citroën, com pouco mais de 100 cv, a meu juízo se revela muito débil para levar o veículo com agilidade, sobretudo em arrancadas e retomadas. Com câmbio automático, então, mesmo contando a opção de troca seqüencial, é de se prever que o desempenho fique sofrível, abaixo da crítica.

Além disso, o AirCross é um veículo predominantemente urbano, para uso em pisos asfaltados, de boa qualidade. Aliás, diz-se que ele nada mais é que um carrinho urbano travestido de aventureiro. Apenas a altura em relação ao solo, um pouco maior que a dos carros convencionais, como seus irmãos C3 e C3 Picasso, sugere tímidas incursões em pisos não pavimentados. Mas eu não apostaria na resistência do produto a esse tipo de utilização.

Já o Duster parece constituir um autêntico SUV, de uso misto em cidade e campo, cuja robustez sugere, mesmo sem a tração integral — recurso disponível, como já assinalei com pesar, apenas com câmbio manual —, aventuras por terrenos um pouco mais acidentados.

Em síntese, parece-me que a escolha entre Renault Duster e Citroën AirCross deve se orientar, antes que unicamente pelo simples gosto pessoal, pelo perfil de uso do comprador.

Se você valoriza apelo estético e itens de conforto e tecnologia, mas não faz questão de desempenho ágil, trafega quase todo o tempo na cidade, não necessita de maior espaço no porta-malas e não pretende encarar estradas ruins, o AirCross pode ser uma boa escolha.

Já se você aprecia respostas rápidas do motor, gosta ou precisa de um bom espaço na cabine e no porta-malas, sente sedução por trilhar caminhos pouco explorados e não se importa com um visual um tanto antiquado, embora bastante singular e possivelmente atraente, sua opção pode ser o Duster.

Em tempo: Procurando responder ainda a outros aspectos da questão apresentada pelo leitor, diria que o consumo de combustível do motor 1.6 da Citroën, embora eu não disponha de dados a respeito, não há de ser extraordinariamente alto. A desvalorização dos veículos da marca, todavia, costuma resultar, com efeito, um pouco acima de média do mercado. Mas nada que inviabilize financeiramente a opção pelo veículo, segundo penso.



Renault Duster e Citroën AirCross, fotografados em
comparativo no sítio eletrônico da revista AutoEsporte




domingo, 1 de abril de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

"O que é isto, Senhores das Armas?"


A propósito da 'questão militar' ora posta ao País por um punhado de oficiais inativos que insistem em desafiar a sociedade, a história e a razão, transcrevo a seguir excelente artigo de João Vicente Goulart, com atalho para a publicação original.







Os Senhores das Armas:
… ’Que venham, por aqui não passarão’



O que é isto, Senhores das armas?


Uma ameaça velada de intimidação ao povo brasileiro sobre a sua liberdade? Ou talvez um velho cacoete sustentado pelos fantasmas da Constituição que vossas autoridades das armas romperam em 1964, derrubando Jango, um presidente constitucional, fechando o Congresso, prendendo, torturando, desaparecendo, sequestrando e arrasando famílias em nome do Estado brasileiro, surrupiado pela prepotência dos fuzis e dos atos inconstitucionais e ilegais que foram praticados em nome da intolerância e da censura?
Não passarão aonde, Srs. militares? Quem, o nosso povo? A nossa Constituição promulgada democraticamente? Um governo legitimado como o da presidenta Dilma com mais de 52 milhões de votos? Quem não passará?
Quem são esses fantasmas “subversivos” que não aparecem, pois seus corpos são reivindicados pelos seus entes? Desaparecidos sob a tutela do Estado, e por certo não em um Estado de Direito e sim em Estado de exceção, imposto pelas armas.
Quem são os subversivos? Aqueles que se rebelaram contra a supressão e quebra da constituição em vigor, ou aqueles que a subverteram?
Passarão sim senhores saudosistas da prepotência!
O nosso povo depois de 21 anos de opressão conquistou esse direito que as armas de nossas instituições lhe haviam suprimido.
Ele passará onde seja, dentro da legalidade e dentro da democracia conquistada com muito sangue, sacrifício e lutas contra a tirania.
Nossas Forças Armadas não deveriam temer a Comissão da Verdade, que nada mais é do que uma auditoria interna no coração de nossa Pátria para fazê-lo mais transparente e forte cicatrizando as feridas do passado, para que as novas gerações possam não cometer os erros que cometemos, de ambas as partes e poder assim caminhar com altivez rumo ao futuro que une todos os irmãos brasileiros.
Agora; “por aqui não passarão” é uma provocação à Liberdade e à Democracia.
A História de uma Nação pertence ao seu povo e o seu conhecimento é a sustentação de sua redenção.
Diz a música de Chico: “Vai passar nesta avenida um samba popular…”
“num tempo…, página infeliz de nossa história….
Passagem desbotada na memória…
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa Pátria mãe tão distraída… sem perceber que era subtraída…, em tenebrosas transações…”
Nós brasileiros, sabemos cantar. Nós brasileiros sabemos lutar. Nós brasileiros não perdemos as nossas referências.
Nós brasileiros nascemos neste solo e dele seremos adubo para as flores das novas gerações.


João Vicente Goulart é filósofo, presidente do Instituto Presidente João Goulart




domingo, 4 de março de 2012

Um alerta: Por que não se calam?!


Segundo notícias que circulam, há dias um grupo de oficiais da reserva deliberou publicar manifesto intitulado Alerta à Nação - eles que venham, aqui não passarão, no sítio eletrônico do Clube Militar, com críticas ao governo e à criação da chamada 'Comissão da Verdade'.

Ainda segundo esse mesmo noticiário, o comportamento dos militares teria provocado a irritação da presidente Dilma Rousseff, chefe máxima das Forças Armadas, e a determinação do ministro da Defesa, Celso Amorim, de suspender a publicação do manifesto e de aplicar punições aos signatários.

É certo que a vida militar se baseia na absoluta reverência às instituições e no estrito respeito à hierarquia, de modo que aqueles que se fazem imiscuir em assuntos políticos e questionam a autoridade civil legitimamente constituída, tal como fizeram os autores do manifesto, devem responder por isso na forma da lei.

É bem verdade, porém, que legislação específica em vigor — nomeadamente a Lei n. 7.524, de 17 de julho de 1986 — assegura aos militares inativos o direito de manifestação sobre temas políticos, respeitados os limites da lei civil.

Sem embargo, se parece, efetivamente, que o manifesto dos oficiais não comporta punição na órbita disciplinar, isso não salva da impropriedade ética e do descabimento político o episódio.

A propósito do imbróglio, recebi do amigo Roberto Auad, eminente advogado e homo politicus em essência, o seguinte comentário, percuciente e lapidar, que me permito aqui transcrever:

“Em qualquer pais civilizado do mundo [...] o lugar do militar é na caserna. Aposentando-se, querendo fazer política, que a faça, sem usar o posto que não mais existe.”


Em assuntos políticos, convém que se diga, militar bom, de farda ou de pijamas, é militar calado.

Com efeito, não se pode admitir que pretendam os militares exorbitar seu campo de atuação institucional — como volta e meia ocorre ao longo da história, inclusive a brasileira, com invariavelmente trágicos resultados — para imiscuir-se na vida política, ambiente essencialmente civil.

Se é bem verdade que todo cidadão tem o direito de opinar sobre política e demais temas de interesse comum da sociedade, é igualmente assente, em qualquer democracia, que aqueles que detêm as armas com que se exerce o monopólio estatal da força não podem, em situação alguma, questionar os poderes constituídos. Se o fazem, está-se no campo da insubordinação, que se avizinha da insurreição e caminha, não raro, para o golpismo.

Tratando-se de militares já fora da vida castrense, que atuem politicamente como quiserem, pois isso lhes é facultado pela lei — conquanto a solução legislativa, tal como posta, seja de duvidoso acerto. Mas que exerçam seus direitos políticos, inerentes à cidadania, de modo inteiramente dissociado de sua condição de militar.

Em outras palavras: Se querem os militares inativos intervir na vida política nacional, que o façam como qualquer cidadão, deixando suas honrosas patentes na caserna.

Caso não — fica o alerta, tal como dado certa feita por um eminente soberano a um típico militar golpista latino-americano —, que se calem.






domingo, 26 de fevereiro de 2012

O IDEC e a 'Lei Geral da Copa'



O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC está a promover campanha intitulada Fifa Abaixa a Bola!, por meio da qual se busca mobilizar a sociedade para reclamar aos membros do Congresso Nacional "apoio a todos os torcedores brasileiros que querem desfrutar de uma Copa do Mundo memorável no Brasil, mas não sob a condição de que as nossas leis sejam sumariamente desrespeitadas em benefício da Fifa."


Considerando que, segundo o IDEC, a votação do projeto da dita 'Lei Geral da Copa' pela comissão especial respectiva encontra-se marcada para o início desta semana, creio que se deva, prontamente, intensificar a mobilização.


Atalho infra.







Adendo:

Tenho a realização da Copa do Mundo de futebol por uma temeridade administrativa e uma irresponsabilidade política, num país, como o Brasil, em que faltam da cultura à infra-estrutura necessárias a um projeto de tal magnitude. Mas, se a esta altura inevitável o evento, que não se subverta, para isso, o ordenamento jurídico nacional.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Renault Duster riscado do caderno de compras





Há dias, conquanto tenha feito incontáveis ressalvas ao carro, resolvi dar andamento a tratativas que me poderiam levar a adquirir um Renault Duster, recente lançamento da marca francesa no Brasil.

Meu propósito era o de estimar o custo de aquisição do veículo com os descontos resultantes de benefícios fiscais e políticas de comercialização voltados a produtores rurais, categoria em que legalmente me insiro, conforme cadastro respectivo junto aos órgãos públicos competentes.

Tentei estabelecer contacto por telefone e por e-mail com as duas concessionárias Renault situadas em Belo Horizonte, Valence e Minas France, a fim de obter cotação para uma unidade do Duster na versão Dynamique, com motor 2.0 litros e câmbio automático.

A atendente da Valence, concessionária em que eu já havia sido extremamente mal atendido noutra oportunidade, disse-me ao telefone que repassaria minha demanda ao único vendedor responsável pelas ditas 'vendas especiais', categoria em que se inserem aquelas a produtores rurais. Supreendentemente, soube então que um único vendedor cuida do atendimento a segmentos de clientes tais como pessoas jurídicas, taxistas, portadores de necessidades especiais e ruralistas. Como se tratava do mesmo vendedor que me atendera de forma desatenciosa e desinteressada noutra ocasião, quando meu irmão estava por adquirir um utilitário Kangoo, desisti de dar seguimento a qualquer negociação.

À Minas France me dirigi via correio eletrônico. Recebi de pronto uma resposta curta e burocrática, por meio da qual o vendedor, sem atender ao meu pedido de cotação de preço e condições de pagamento, prometia uma resposta para breve. Essa resposta jamais sobreveio. Passados uns tantos dias, resolvi fazer novo contacto. Ao telefone, a atendente da Minas France disse que aquele vendedor — ali também! — era o único competente para tratar das tais vendas especiais. Em outras palavras, se eu quisesse a cotação do veículo, teria de esperar sua boa vontade. Uma vez mais, perdi o interesse por entabular a negociação.

Obstinado no intento de haver uma proposta de venda, liguei para o serviço central de atendimento ao consumidor da Renault, no Paraná. Após percorrer um autêntico calvário no confuso e precário sistema de direcionamento por números a um atendente, consegui enfim ouvir voz humana. Expliquei o problema ao atendente e ele, sem se preocupar em registrar para ulterior correção o absurdo desinteresse das concessionárias locais, prometeu-me que a loja mais próxima da Capital mineira haveria de me telefonar nas próximas horas.

Com efeito, recebi em poucos minutos telefonema de um vendedor da concessionária Carmo, situada na vizinha cidade de Sete Lagoas. Dali, enfim, consegui obter uma cotação de preço para o Renault Duster, não sem ver incluso, naturalmente, o inaceitável ágio sobre o preço anunciado pela fábrica, que eu já denunciara no Blog do Braga da Rocha em anterior post sobre o assunto.

Naturalmente, desisti de qualquer expectativa de compra do Duster e, provavelmente, de veículo algum da Renault.

A mim parece inacreditável e inadmissível que um cliente interessado em um bem de consumo algo restrito, como são os automóveis na faixa de US$ 40 mil no Brasil, tenha de perseguir vendedores e implorar-lhes atenção.

Também não me parece coerente que a uma ampla e agressiva campanha publicitária como aquela feita pela Renault a respeito de seu mais recente lançamento, o sport utility Duster, corresponda o descaso e a negligência de concessionárias e funcionários responsáveis pela efetiva comercialização do produto.

Seja como for, se é assim que os clientes da Renault são recebidos ao manifestar seu interesse por um produto em plena fase de lançamento, imagine-se como serão atendidos no chamado 'pós-venda', isto é, após a compra.

Não por acaso o resultado desse desapreço ao consumidor é empiricamente percebido, sem maior dificuldade, pelos mais atentos ao mercado automobilístico: dois meses depois do lançamento, não se vê presença ostensiva ou marcante do Renault Duster nas ruas.

Com seu líder de vendas no segmento dos SUV compactos — o obsoleto porém inabalável EcoSport —, a Ford agradece.  



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domingo, 6 de novembro de 2011

"Da força da grana que ergue e destrói coisas belas"


Assisti na semana passada pela televisão, entre escandalizado e consternado, à transmissão ao vivo da implosão controlada e quase simultânea de dois prédios situados no Setor Hoteleiro Sul de Brasília, DF, em operação anunciada como mais uma entre as preparatórias para a realização da Copa do Mundo de futebol em 2014.



Em cerca de 5 segundos foram ao chão edifícios de cerca de 15 pavimentos que abrigavam dois dos mais antigos hotéis da Capital federal, um deles o já decadente — mas, a seu modo, harmonioso e elegante — Hotel das Nações, e outro o não menos belo Hotel Alvorada, que identifico como genuínas expressões da arquitetura modernista, tal como veio a constituir nota marcante e elemento indissociável da própria identidade daquela majestosa cidade, há meio século radicada no inóspito Planalto Central. 


Em minhas lembranças de hóspede eventual do Hotel das Nações, antes mesmo de me tornar morador de Brasília, consta uma simples mas imponente construção erguida às margens do Eixo Monumental, tingida de azul celeste, de linhas retas e limpas, com uma charmosa pérgula à entrada e um confortável pé-direito no átrio interno.


A infra-estrutura do prédio há tempos se encontrava, sem dúvida, extremamente defasada em relação aos padrões da hotelaria contemporânea e mesmo aos conceitos arquitetônicos hoje em voga. 


Mas não haveria reforma ou reestruturação que lhe pudesse promover a necessária adequação e atualização? Não seria possível a construção de um ou mais anexos, preservando-se a edificação principal?


Não, definitivamente não, aos olhos do capital terceiro-mundista que não conhece o mais ínfimo respeito à cultura, à história e à memória — de que a arquitetura, saliente-se, constitui uma dimensão inequívoca e altamente expressiva nos espaços urbanos. Mais em conta que restaurar e adaptar fica, sem dúvida, derrubar sumariamente o que existe para em seguida erguer, nos vagos remanescentes, arranha-céus inteiramente novos e reluzentes.


O Poder Público — a quem compete velar pelo patrimônio urbanístico, cumprindo e fazendo cumprir diretrizes de conservação e preservação —, por sua vez, é não só cúmplice da sanha arrasadora do poder econômico como, outrossim, costuma patrocinar ele próprio ações de idêntico jaez.   


Há pouco, também em Brasília, na mesma corrente das famigeradas 'obras para a Copa do Mundo', imolou-se o pequeno e garboso estádio Mané Garrincha, cujo desenho consistia em um primor de leveza traduzida em concreto, a fim de dar lugar a u'a modernosa arena esportiva. 


Naquela como nesta oportunidade, pareceu tanto mais conveniente aos detentores do poder político quanto atraente para os agentes econômicos substituir, simples e grosseiramente, o antigo pelo novo, em vez de buscar promover o diálogo e a conciliação entre tais elementos no cenário arquitetônico da cidade.


E isso, afinal, não tem nada de novo. Ou, se novidade há, esta se limita ao inédito estímulo suplementar e ao singular pretexto adicional de auferir-se os dividendos políticos e econômicos resultantes da realização, em correspondência a um ruidoso afã coletivo, de um evento esportivo de predileção nacional e repercussão mundial. 


Mas o que se vê em Brasília corresponde, em escala reduzida, ao que vem acontecendo de forma mais ou menos silenciosa nestas franjas da civilização desde pelo menos a quadra do pós-guerra: em nome de pretensas conquistas da modernização, lança-se ao chão a cultura, a história e a memória das cidades.








quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Renault Duster: um SUV que quase convence, mas que não impressiona


Interessado em trocar meu pequeno sport utility
, dirigi-me dia desses a uma concessionária a fim de conhecer o novo Renault Duster, recente lançamento da marca francesa destinado a concorrer no segmento do mercado brasileiro hoje sob o domínio absoluto do Ford EcoSport.
Segundo as impressões que pude colher no show room da loja, o carro, se não decepciona inteiramente, está longe de causar empolgação.

Com um design que apresenta ares de um legítimo sport utility vehicle - SUV e transmite a idéia de força e robustez típica dos produtos oriundos do Leste Europeu — trata-se, afinal, de projeto originalmente desenvolvido pela fabricante romena Dacia, que integra o grupo Renault —, o carro tem porte imponente e conta com razoável espaço interno para até 5 pessoas, além de generoso porta-malas com capacidade superior a 400 litros. Entre as opções de motorização, a Renault oferece seu eficiente propulsor de 2.0 litros de capacidade cúbica e 142 cavalos de potência máxima, já testado e aprovado no mercado brasileiro.
Se as virtudes gerais são evidentes e inequívocas, não menos expressivos são os graves defeitos pontuais que apresenta o Duster, todos eles perfeitamente evitáveis, assim quisesse a Renault. 

No exterior sobressaem os apliques cromados, usados de forma abusiva e destoante da proposta do veículo, um modesto e austero utilitário.  

O acabamento do interior, por outro lado, é pobre para um carro que chega a custar em torno de R$ 70 mil. A forração é de extrema simplicidade e se misturam nos painéis frontal e das portas, bem como no console central, variados tipos e texturas de plásticos rígidos que, além de produzir certa confusão e poluição visual, são pouco agradáveis ao tato e comunicam a impressão de demasiadas singeleza e fragilidade. 

O aceitável câmbio automático de 4 marchas com troca seqüencial só é oferecido, incompreensivelmente, na versão de tração simples — repetindo, nesse particular, a estúpida configuração também presente na linha EcoSport. Quem quiser tração integral que se vire com a trabalhosa transmissão de acionamento manual e o torturante pedal de embreagem. Quem não abre mão do conforto da transmissão automática que se contente com a convencional tração somente nas rodas dianteiras.

Por falar na versão equipada com tração integral — recurso acionado por um conveniente seletor rotativo no painel —, essa é, de forma igualmente incompreensível, a única que conta com suspensão traseira independente do tipo Mac-Pherson, com multi-link. Nas demais, inclusive a versão de topo Dynamique, o consumidor deve se resignar com o obsoleto e precário eixo de torção, atentado à estabilidade que de resto constitui deplorável regra no mercado brasileiro.

Para coroar as impressões negativas, as condições de comercialização se apresentam bastante hostis ao consumidor. Repetindo o que se deu quando do lançamento do sedan Fluence, ao procurar uma concessionária o cliente encontra estoque limitado para pronta-entrega, encargos de financiamento acima da média do mercado e — pasmem! — a inaceitável prática de ágio em relação ao preço divulgado pela fábrica. Com efeito, a concessionária Valence de Belo Horizonte pedia pelo Duster, na versão Dynamique equipada com motor de 2.0 litros e câmbio automático, nada menos que R$ 69,9 mil iniciais, contra os R$ 64,6 mil constantes na tabela oficial da Renault. Um sobrepreço, pois, da ordem de R$ 5 mil. Paga esse montante o tolo que assim quiser.

Entre virtudes consideráveis e vícios vários, pois, o Renault Duster é um veículo que causa favorável impressão inicial e quase chega a convencer a quem procura um SUV compacto e valente para uso misto sobre asfalto e terra, na dita 'faixa de entrada' do mercado, onde também se situam, além do Ford EcoSport, o Hyundai Tucson e o Mitsubishi Pajero TR4, todos em avançado estado de obsolescência. 

Mas, examinado em detalhes o carro e vistas detidamente as condições de comercialização nesta fase de lançamento, o produto franco-romeno está longe de despertar mínima empolgação a um consumidor dos mais exigentes. 




     

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O 'Car Free Day' no campo das boas intenções



Neste 22 de setembro celebra-se mundo afora o Car Free Day, ou Dia Mundial sem Carro.

Embora seja eu, por gosto e formação cultural, um renitente usuário do automóvel, reconheço a inestimável importância da idéia de se reduzir em escala global o uso de transporte individual motorizado —
 sobretudo nas grandes cidades, em que o carro vem se tornando, nos últimos tempos, uma verdadeira e incontrolável praga.
Tal mudança de orientação, todavia, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não resulta apenas da boa vontade de uns tantos ou das convenções socialmente estabelecidas. Depende, fundamentalmente, da capacidade e da competência do Estado em prover transporte coletivo de qualidade 
— mais que decente, eficiente e confortável. E isso, embora se possa dizer que constitua praticamente uma regra,  por exemplo, no Velho Mundo, está longe de se vislumbrar como realidade nestas franjas da civilização em que vivemos.

Se não implementada tal condição, não há o que se possa converter em melhora da qualidade de vida em nossas metrópoles, ou na salvação do planeta, que não resulte confinado ao universo das boas intenções.




 



terça-feira, 20 de setembro de 2011

De palmito e estupidez do consumidor




Acabo de abrir um pote de palmito de acaí da marca DiPalm, adquirido em algum hipermercado que não sei precisar — Carrefour ou Extra, estou certo.

Tudo parecia bem por ocasião da compra: produto oriundo do Pará,  extraído das entranhas da Amazônia; embalagem a vácuo, com bom rótulo e selo de garantia; e preço compatível com os raros bons artigos do gênero disponíveis no mercado.

Ao degustar a iguaria nacional mundialmente cobiçada, tive a impressão de estar a morder um caule de cana, uma lasca de bambu, um tentáculo de polvo cozido além da conta ou algo semelhante. Experimentei outro pedaço. Melhor sorte não tive. Todo o pote apresentava a mesma intragável consistência. Produto inservível para qualquer especialidade culinária.

Um engodo. Uma fraude. Um acinte. Um verdadeiro crime contra as relações de consumo. Como pode o mercado tolerar a comercialização em larga escala de algo que se presta unicamente ao lixo? Ao certo porque há consumidores que se comportam qual conformadas bestas, acostumadas a ser ordinária e sistematicamente lesados por empresários inescrupulosos.

Não, não fiz contacto com a fábrica ou com o vendedor. Sabe-se de sobejo que pouco importa. Ademais de me irritar com um cretino serviço de atendimento qualquer ao consumidor, não verei reposto o produto, muito menos haverei de volta o preço pago. A conhecida lógica nesse mercado é precisamente essa: oferece-se um produto sabidamente imprestável ao impotente consumidor, que, quando muito, contrariado, mudará sua opção quanto à marca na próxima compra, sem maior preocupação com a lesão sofrida. 

É como funcionam as coisas nestas franjas da civilização em que vivemos, onde fornecedores e magistrados ignoram a efetiva tutela das relações de consumo e desconhecem, tanto mais, a responsabilidade civil. 

Minha manifestação de inconformidade, entrementes, encontra-se aqui consignada. Para quem quiser ler e, espera-se, fugir da estupidez que norteia seu comportamento como consumidor.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Protecionismo à indústria automobilística multinacional, a expensas do consumidor brasileiro

A imprensa mostrava, nas últimas semanas, pátios de fábricas como as da Ford e da General Motors abarrotados do lixo que aqui produzem, encalhado por falta de mercado.

Os compradores, afinal, começavam a dar preferência a automóveis importados que desembarcam no Brasil melhores e mais baratos que os similares nacionais. Só este ano, quase 1 milhão de veículos haviam sido importados até o mês de setembro, mesmo com a pesada carga tributária já incidente sobre a importação.

Não tardou a ação do poder público contra esses cidadãos, que teimam em procurar fazer negócios mais vantajosos para si, ainda que em detrimento da indústria local. 
 
Sob o pretexto de buscar maior equilíbrio na balança comercial, elevou-se em até 30 (trinta) pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI incidente na importação de veículos oriundos de países de fora da zona do Mercosul e México, como dá conta matéria publicada no sítio Carros, do portal UOL, acessível pelo atalho infra 



Assim fazendo, o governo age pronta e eficazmente em defesa da indústria sediada no País
— que seguirá a produzir o restolho tecnológico de sempre para o pobre consumidor brasileiro, indefeso e sem alternativa de compra — e fere de morte, com mais esse arroubo protecionista, a livre concorrência no mercado interno.
 
Com a medida, ganha unicamente a indústria automobilística multinacional instalada no País, como de costume. Aliás, não é por outra razão que o governo assim costuma se comportar, cedendo a pressões e lobbies — sabe-se lá a troco de que obscuras contrapartidas — desse setor desde há muito cevado em benesses e privilégios concedidos pelo Estado.
 

Perdem aqueles que têm investido nos mais diversos negócios relacionados ao setor automobilístico no Brasil, confiando na progressiva abertura do mercado nacional que o governo vinha patrocinando ao longo dos últimos anos. 

E perde, como sói acontecer, o sempre desprezado e escorchado consumidor.