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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Liberdade religiosa, tolerância licenciosa e ameaça ao princípio do Estado laico


Avança a madrugada e se aproxima o horário de meu difícil encontro com Morfeu. Ainda um tanto resistente, confiro a programação da tv aberta e me deparo, como todos os dias, com uma praga que se alastra pela maioria dos canais e domina a programação: os deploráveis 'espetáculos' de cunho religioso — especialmente aqueles produzidos por seitas ditas ‘evangélicas’ —, que prometem desde o sucesso material, passando por curas milagrosas e exorcismo de demônios, até, naturalmente, a eterna salvação em um plano extraterreno.

Da fé e da prática religiosa, que outrora professei e exerci com empenho e convicção, encontro-me inteiramente apartado.

O que me causa horror, porém, é ver a religião transformada em empreendimento comercial — negócio extremamente lucrativo que tem como matéria-prima um discurso fundado na irracionalidade e na ingenuidade dos fiéis — e show business com larga projeção nos meios de comunicação de massa, sob suposto amparo da liberdade de crença e de culto religioso, constitucionalmente assegurada.

Penso que a tanto não pode chegar a compreensão de tal direito fundamental, quando invocado, como sói acontecer, por mercantilistas da fé para escamotear a prática do engodo, da fraude, do estelionato e da falsidade ideológica que faz vítimas aos milhões país afora. Isso sem falar de ilícitos fiscais e contra a ordem econômico-financeira, via ‘lavagem de dinheiro’ e semelhantes práticas, que vitimam toda a sociedade.

E ainda, em última análise, à vista da projeção e da vigorosa atuação de diversos líderes dessas inúmeras seitas na vida política nacional — como tais identificados e reconhecidos no plano político, com forte atuação no Congresso Nacional —, penso que se está a constituir uma grave ameaça ao Estado laico, inestimável conquista da modernidade.

Que os estudiosos do Direito, da Política e do Estado possam refletir sobre tal preocupante fenômeno.






[post originalmente publicado no ora inativo Blog do Braga da Rocha, em UOL Blog - http://goo.gl/ohgmDl, aos 14 nov. 2008]



segunda-feira, 31 de março de 2014

50 anos do golpe militar de 1964


Contam-se, nesta passagem de 31 de março para 1º. de abril, cinquenta anos do coup d'état que depôs manu militari o então presidente João Goulart, legitimamente eleito pelo povo brasileiro, rompendo a ordem constitucional e a normalidade democrática para instaurar o Estado de exceção e lançar o Brasil em mais de duas décadas de obscurantismo político e terror.

Que não se esqueça. E não se repita.






terça-feira, 24 de setembro de 2013

"Gilmar Mendes no STF é a degradação do Judiciário", dissera Dallari




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Passado o outono...




sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mais um disparate do ministro-quotista





O que escrevi há aproximadamente um ano, a respeito de episódios que envolveram a deplorável figura de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal, parece-me que segue inteiramente pertinente a todo o imbróglio que teve ontem, 15 ago., novo e deplorável capítulo em sessão de julgamento daquela corte judiciária.

Nada mais tenho a dizer.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Outro Toffoli à vista?






sábado, 24 de novembro de 2012

E o quotista Joaquim Barbosa ascende mais uma vez






segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Veja e Joaquim Barbosa: Não dá para acreditar, mesmo!






A respeito do episódio de exercício de futurologia conjugado com promoção de personalidade promovido a escâncaras pela desmoralizada Veja, escreve Mauro Malin em artigo no prestigioso Observatório da Imprensa:


"A Veja tem o direito de fazer uma capa ginasianamente comemorativa do andamento da Ação Penal do Mensalão. Isso é opção editorial. Dá à revista feição de órgão partidário, ou melhor, de sucedâneo de partido. Pode ser um problema para os donos da revista. Não um problema legal. A liberdade de expressão, garantida no famoso artigo 5º da Constituição, é cláusula pétrea. Pode ser um problema mercadológico, associado ao desgaste de credibilidade que tais opções tendem a provocar.
Para a qualidade do jornalismo brasileiro, é problema. Não a comemoração da condenação dos réus do mensalão, que valida, na mais alta instância do Judiciário, as denúncias de que a mídia foi veículo, contra ventos e marés dos poderosos de plantão desde 2005 [...].
O que se questiona é uma certa limitação de horizontes. Uma capa assim não deveria ser reservada para acontecimentos historicamente mais relevantes? Muito concretamente, por exemplo, uma melhora sensível da qualidade da educação pública, batalha em que o país é derrotado há três décadas.
“Arquive suas ilusões, escrevinhador“ – dirá o leitor com os pés bem plantados no chão e a cabeça firme em cima do pescoço.
Está certo. O sensacionalismo, embora seja fenômeno universal (mas não onipresente) da mídia jornalística, agora mais pressionada do que nunca na disputa pela atenção pública, não dispensa a visão de curto prazo. Ao contrário: é instrumento dela."


Mesmo aqueles que crêem na isenção, na honestidade e nos bons propósitos do medíocre Joaquim Barbosa, como é aparentemente o caso do jornalista Pompeu Macário Batista, editor do Blog do Macário, não deixam 
de — com sua inegável dose de razão — lamentar:


"Uma pena é ter dado na Veja. Ninguém acredita."








quinta-feira, 17 de maio de 2012

Angeli e a elevada missão das CPI


Em momento no qual uma comissão parlamentar de inquérito — que investe sobre matéria capaz de, se assim se quisesse, pôr abaixo as estruturas sobre as quais se encontram edificados os mecanismos de sustentação político-eleitoral do precário sistema representativo brasileiro — escolhe cuidadosamente os alvos de sua investigação, a fim de acomodar escusos interesses e em detrimento da imperiosa devassa das conexões de importantes segmentos da vida política nacional com o crime organizado, cabe lembrar a categórica lição do notável Angeli a respeito da usual tarefa desse tipo de sodalício de ocasião.







terça-feira, 8 de maio de 2012

De Michael Jackson, João Paulo II e um cantante sertanejo


Acompanha-se nestes dias, pelos mass media, a interminável cobertura do estado de saúde de um inexpressivo cantante goiano de música sertaneja, vítima de acidente automobilístico há algumas semanas — cujos efeitos tiveram a gravidade exponencialmente acentuada, diga-se de passagem, pela aparente omissão na elementar providência do uso do cinto de segurança.

Isso me remete a algumas linhas que publiquei há uns poucos anos no velho Blog do Braga da Rocha, quando da morte de um mundialmente conhecido pop star não menos indigente, entrementes, do ponto de vista cultural —, que contém raciocínio perfeitamente cabível, observadas as respectivas proporções, ao deplorável fenômeno que ora se testemunha.

Ao que parece, com efeito, a humanidade não faz mesmo jus a mais que a miséria moral e a indigência cultural, de que esse culto à escória constitui um dos mais evidentes sintomas.


Sábado, 27 de hunho de 2009

Morreu Michael Jackson. Quid?

Sempre que se mobilizam as atenções do mundo para fatos relacionados à vida ou à morte de pop stars e quejandos, lembro-me invariavelmente da objeção que em situações do tipo fazia meu saudoso tio Francisco Viriato, vulgo Nonô, mais ou menos assim, na sua incontrastável sabedoria:

"Mas esse sujeito aí nada faz — 0u fez — pelo bem da humanidade...!" 

Nada mais acertado. E nada menos percebido pela sociedade, cada vez mais sob o irresistível império da esmagadora massa de ignaros e estúpidos que a compõem.

É
 de se notar ainda que, ao longo da vida, aqueles párias erigidos a semi-deuses pelos mass media drenam da sociedade não somente a tola atenção, mas sobretudo incalculáveis recursos, com o que vivem no fausto e constroem imensas fortunas.

Por coisas assim é que me convenci, já há muito, de que a humanidade não faz jus, moralmente, a mais que isso: um michael jackson, um kaká ou um di caprio. Não merece jamais um Sabin, um Mandela, um Saramago...


[texto revisto]

Quarta-feira, 8 de julho de 2009
Michael Jackson e João Paulo II: nem o papa era tão pop

Segue o show fúnebre em torno da deplorável figura de Michael Jackson, um desses párias a que me referi noutro escrito, erigidos à condição de semi-deuses pelos mass media. Gente que nenhuma contribuição relevante presta à humanidade, salvo oferecer-lhe circo  e, no caso de Jackson, reconheça-se, um punhado de pão, com sua iniciaiva episódica de um movimento de solidariedade aos famintos na África, nos idos do anos de 1980.

Tenho cá comigo a lembrança dos solenes e concorridos funerais de Karol Wojtyla, estadista de coragem e perspicácia política extraordinárias, cujo papado, como João Paulo II, marcou a história do último quartel do século XX, com sua decisiva contribuição, inclusive, para a queda dos regimes totalitários no leste europeu.

E me ocorre que o mundo presta mais homenagens a Michael Jackson, hoje, que rendeu a João Paulo II uns poucos anos atrás.
Tristemente... 
[texto revisto]


(excerto de charge publicada na coluna de Iotti, no jornal Zero Hora)




domingo, 1 de abril de 2012