domingo, 2 de janeiro de 2011

Aviso: Este 'blog' não observa as regras do mais recente acordo ortográfico da língua portuguesa


Antes que algum desavisado, não sabedor de meu apego à estrita correção vernacular, acabe por julgar-me mal ou mesmo censurar-me, não custa repetir aqui o que eu já havia dado como avisado no velho blognão se observa, neste ambiente sob minha regência, as regras do mais recente e despiciendo acordo ortográfico da língua portuguesa. Vamos às razões.

"Minha pátria é minha língua", conforme da expressão se apropriou Caetano Veloso, em sentido aparentemente diverso daquele que lhe atribuíra Fernando Pessoa, que eu ousaria, igualmente em sentido impróprio, aqui parafrasear: Pouco se me dá que que o Brasil seja invadido, desde que não mexam com a língua portuguesa.

Seja ou não possível filosofar em outras línguas que grego e alemão — conforme terão dito, cada um a seu modo, Heidegger e, de novo!, Caetano Veloso, este naquela obra-prima de canção —, cumpre-me, por dever adquirido daqueles que do português fizeram minha língua-mãe, defender a última flor do Lácio até as últimas conseqüências, até as armas, se preciso for.

Já abri mão involuntariamente — por pura extemporaneidade do nascimento e, por conseqüência, do aprendizado do idioma — de diversas consoantes e de um sem-número de sinais diacríticos, como acentos diferenciais e indicadores de sílabas subtônicas, por exemplo. Basta de empobrecimento!

Como se sabe, a riqueza de um idioma não se mede apenas pela larga amplitude de possibilidades léxicas, como é o caso, induvidosamente, da língua portuguesa — muito embora, nesse aspecto, esteja ela possivelmente a dever à alemã, sempre lembrada por seu singular mecanismo de aglutinação. Constituem também patrimônio da língua os recursos que se põem à disposição de quem escreve para indicar ao leitor, da forma mais precisa possível, cada fonema, unidade mínima de distinção dos sons no sistema fonético respectivo.

Quando se suprime um importante recurso como, por exemplo, o trema — que, para improváveis ignaros que estejam a ler-me até esta linha, serve para indicar que determinada vogal não forma ditongo com a que lhe está próxima, soando, pois, autonomamente — , ou os acentos diferenciais em termos homógrafos, está-se a solapar u'a miríade de importantes recursos lingüísticos que muito dizem respeito ao aparato da expressão e, conseqüentemente, à riqueza do idioma.

Por isso o aviso do título aos meus caros leitores: Não se verá em textos meus aplicação do famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, em vigor no Brasil desde princípios de 2009, até que reste eu como o último entrincheirado na defesa do velho regime ou até que a força — senão a vis compulsiva, aquela decorrente das circuntâncias irresistíveis — venha a compelir-me a adotá-lo.



Grump e a extraordinária importância da reforma ortográfica


3 comentários:

  1. Se efetivamente a reforma tivesse vindo para simplificar a grafia, seria deveras bem vinda.
    Não é o caso. Na Inglaterra, sei lá quando, houve uma reforma que terminou com o uso dos gêneros (até então usavam-se três, como no alemão), acabou-se com várias declinações, enfim, a língua passou por uma simplificação extrema. E funciona muito bem até hoje. Por aqui fazem-se reformas sem qualquer benefício verdadeiro, exceto talvez para as editoras de gramática e dicionário. Sem contar o aumento entre o que se fala e o que se escreve, isso sim que deveria ser tema de preocupação da ABL e de quem mais legisla sobre o tema.

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  2. Meu muito querido...
    Adorei a proposta do vosso BLOG!!
    Mais uma "resistente"...
    "Minha pátria é minha língua."

    Beijos de muita PAZ... seguindo-o.
    Karla Mello

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    Respostas
    1. Obrigado pelo simpático comentário e pela freqüente leitura, Karla.

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